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Dom Obá II d’África: o príncipe africano que se tornou símbolo da resistência negra no Brasil

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Veterano da Guerra do Paraguai, Dom Obá II d’África lutou pelo reconhecimento da população negra e marcou a história do Império brasileiro

Dom Obá II d’África foi uma das personalidades negras mais marcantes do Brasil no século XIX. Conhecido por sua forte atuação pública durante o período imperial, ele ficou famoso por defender os direitos da população negra, combater o preconceito racial e reivindicar reconhecimento para ex-combatentes da Guerra do Paraguai.

Nascido por volta de 1845, na Bahia, com o nome Cândido da Fonseca Galvão, Dom Obá afirmava ser descendente da realeza iorubá, origem que lhe rendeu o título pelo qual passou a ser conhecido. Filho de um africano de origem nobre e de uma brasileira, construiu sua trajetória em um período marcado pela escravidão e pelas profundas desigualdades sociais no país.

Durante a Guerra do Paraguai, serviu como voluntário no Exército brasileiro e participou de importantes batalhas. Após o conflito, estabeleceu-se no Rio de Janeiro, então capital do Império, onde passou a atuar como uma voz ativa em defesa dos direitos dos negros, dos ex-escravizados e dos veteranos de guerra.

Dom Obá tornou-se uma figura conhecida nas ruas da cidade e no ambiente político da época. Frequentava repartições públicas, participava de cerimônias oficiais e buscava dialogar diretamente com Dom Pedro II, apresentando reivindicações relacionadas à igualdade de direitos, ao combate ao racismo e ao reconhecimento daqueles que haviam servido ao país.

Além da atuação política, utilizava jornais e espaços públicos para denunciar injustiças sofridas pela população negra. Em uma sociedade que ainda mantinha a escravidão até 1888, sua presença constante em locais de poder representava um importante gesto de afirmação e resistência.

Sua trajetória é considerada um exemplo de protagonismo negro durante o Império brasileiro. Mesmo enfrentando discriminação e dificuldades, Dom Obá insistiu na defesa da cidadania e da dignidade da população afro-brasileira, tornando-se uma figura respeitada por diferentes setores da sociedade.

Dom Obá II d’África morreu em 1890, pouco depois da Proclamação da República. Seu legado, entretanto, permanece vivo na memória da luta antirracista e da valorização da história da população negra no Brasil. Atualmente, historiadores reconhecem sua importância como um dos primeiros líderes negros a ocupar o espaço público para reivindicar direitos, representatividade e igualdade em um período decisivo da história brasileira.

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