O dono da Outsider prometia reembolso a clientes poucos dias antes de ser preso por estelionato, segundo relatos de vítimas que afirmam não ter recebido qualquer valor. O empresário Fernando Sampaio de Souza e Silva, de 36 anos, foi detido em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, após investigação que apura a não entrega de pacotes de viagens e ingressos para eventos esportivos.
Fernando é proprietário da Outsider Tours, que comercializava pacotes para jogos e grandes eventos em diferentes estados. A empresa acumulava processos e investigações nas esferas cível e criminal, especialmente após problemas envolvendo a final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, disputada em Lima, no Peru.
Um dos clientes lesados é Márcio Henrique Ayres de Andrade, de 46 anos, que havia comprado um pacote para viajar com o filho e amigos para a decisão continental. Segundo ele, houve troca de mensagens com o empresário no dia 2 de janeiro, quatro dias antes da prisão.
“Ele respondeu sempre de uma forma estúpida e brincalhona. Ele disse que a culpa era nossa, que depois que colocamos ele na imprensa ele não conseguiu vender mais pacotes”, relatou Márcio. De acordo com o cliente, nenhum valor havia sido depositado até esta quinta-feira.
Márcio afirma que o prejuízo financeiro foi de R$ 9,4 mil e que busca alternativas junto ao banco para tentar reverter a situação. Mensagens atribuídas a Fernando Sampaio mostram que, apesar da promessa de reembolso, o empresário responsabilizava os próprios clientes pelas dificuldades da empresa.
“Olá, vamos reembolsar. Vocês F&ram a gente, a empresa tá passando mais dificuldades. Mas vamos reembolsar”*, diz uma das mensagens atribuídas ao empresário.
Além do impacto financeiro, o caso trouxe consequências emocionais para a família. Márcio conta que a viagem havia sido preparada como uma surpresa para o filho de 12 anos, que aguardava ansiosamente a ida à final da Libertadores.
“Ele estava perguntando com ansiedade quando nós iríamos, o horário do voo, e eu tive que contar a verdade para ele, do golpe. Ele ficou triste, chateado, mas depois ficou mais tranquilo”, disse. Sobre a prisão, o pai avaliou que a medida pode evitar novos prejuízos a outras pessoas. “É o mínimo. Com toda essa repercussão, eu acho que vai coibir outras pessoas de caírem nesse golpe. Eu pretendo acioná-lo na Justiça com certeza, porque é um transtorno muito grande, não é só o dinheiro”, afirmou.
A defesa de Fernando Sampaio declarou desconhecer a legitimidade das mensagens divulgadas, mas afirmou que a promessa de reembolso reforça o compromisso de pagar os clientes que se sentiram prejudicados.
A prisão do empresário ocorreu após cerca de um mês de monitoramento conduzido pela Polícia Civil do Pará. De acordo com os investigadores, Fernando foi acompanhado no Rio de Janeiro e em Santa Catarina antes da ação que resultou em sua detenção.
Segundo a apuração, ele passou o mês de dezembro no Rio e a virada do ano em um prédio de luxo no centro da cidade, levando uma vida de ostentação enquanto respondia a centenas de processos. A investigação aponta um prejuízo inicial de R$ 8,2 mil para quatro clientes do Pará, torcedores do Flamengo, que também compraram pacotes para a final da Libertadores e não receberam os ingressos.
“Essas vítimas representaram pelo crime de estelionato. Elas adquiriram ingressos e não receberam seus tíquetes para o jogo. Representamos pela prisão preventiva e iniciamos o monitoramento desse indivíduo”, afirmou o delegado Erivaldo Campelo, da Superintendência do Lago Tucuruí, da Polícia Civil do Pará.
Na decisão judicial, o magistrado considerou que Fernando Sampaio poderia continuar aplicando golpes caso permanecesse em liberdade. O juiz destacou a existência de múltiplos processos, o uso de diferentes empresas para recebimento de valores e a captação de vítimas em larga escala no ambiente digital, apontando um elevado grau de periculosidade.
Após a prisão, as páginas da Outsider nas redes sociais ficaram fora do ar. No site da empresa, passou a constar apenas o aviso de que a operação está “temporariamente fechada”.
A defesa do empresário informou que não teve acesso completo à investigação e que irá pedir a revogação da prisão preventiva. O advogado Bruno Albernaz afirmou que Fernando Sampaio nunca teve a intenção de lesar clientes e que pretende pagar todos os que se sentiram prejudicados, alegando que o caso envolve problemas de administração empresarial.



