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Ética e Cidadania: A brutal intervenção militar dos EUA e a soberania nacional

Foto: AFP/Jim Watson

A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, denominada Operação Resolução Absoluta, ocorrida em 3 de janeiro de 2026, representa um retrocesso nas relações civilizadas entre países e abre precedentes para outras invasões, comprometendo o delicado equilíbrio geopolítico entre as superpotências e seus desafetos. Apesar da orientação autoritária do governo de Nicolás Maduro, uma ditadura herdeira do chavismo, é imprescindível respeitar a soberania territorial e a autodeterminação dos povos, sob pena de a diplomacia mundial sucumbir à força bruta da vontade de alguns.

É inegável que o governo ditatorial de Nicolás Maduro se mostrou, em diversas ocasiões, violento, corrupto e transgressor dos direitos humanos. Diante desse cenário político, muitos especialistas recomendam o uso de pressão diplomática, por meio de negociações, de sanções econômicas e de declarações públicas de repúdio em fóruns internacionais, entre outras ações. No entanto, o método adotado pelo presidente Donald Trump posiciona a política externa dos EUA no extremo oposto ao diálogo e à persuasão.

Há mais de dois mil anos, os gregos criaram a política, fundamentada na civilização, nas discussões e na retórica, na qual os problemas eram debatidos com argumentos racionais. Diante da situação atual, parece que o homem, como animal político de outrora, abdicou de sua segunda natureza. O animal político cede lugar a um homem focado exclusivamente na função militar, priorizando a força e o poder em detrimento da deliberação ética e política.

Nesse contexto histórico, há uma variável importante que influenciou o desenvolvimento do homem político: o mercado. Como uma força automotora de informação, o mercado exerce pressão sobre governos, molda agendas e influencia eleições, ferindo, por vezes, o delicado equilíbrio entre suas demandas e as demandas sociais e políticas. No caso em questão, a existência de grandes reservas de petróleo na Venezuela parece ter desempenhado papel preponderante na decisão dos EUA de intervir militarmente. Outros fatores concorreram para tal decisão, como a disputa geopolítica entre China, Rússia e EUA e o combate ao narcotráfico, mas, certamente, as vastas reservas naturais de petróleo, ouro, diamante e outros minerais da Venezuela não deixaram de ter seu atrativo.