Jornal DR1

Ética e Cidadania: A nova ciência da agnotologia e a crise climática. 

Conexao Ciencia Arte Maria Muneratti

Em meio aos reveses da crise climática no mundo, entramos em um dos pontos críticos do problema, no coração do Brasil, com a questão da floresta amazônica. O desmatamento e as constantes queimadas da Amazônia preocupam ambientalistas de nações mais desenvolvidas que veem tal devastação como meio de aceleração do efeito estufa em níveis dantescos. 

     As queimadas, por exemplo, vêm a partir da prática ilegal da grilagem. Com a apropriação indevida de terras, posseiros recorrem a queimadas como meio de limpar a terra para pecuária, ameaçando a sociobiodiversidade dos biomas da região. Como consequência disso, o volume de chuvas na região diminui drasticamente, levado à seca e criando condições para a propagação de incêndios. No processo, vapores naturais carregados pelos ventos transformam-se em fumaça e fuligem. Interessante observar que naquilo que ambientalistas veem como práticas de (auto)destruição, a população local vê como práticas de subsistência. Assim, a grilagem na agropecuária, junto a garimpagem, mostra-se mais vantajosa do que qualquer lei de preservação do meio ambiente.  Nesse lapso de informação entre o que nos favorece e o que nos compromete se coloca a agnotologia. 

     A agnotologia é uma ciência recente que investiga sistemas de produção e manutenção da ignorância de modo estruturado. A desinformação se espalha muito rapidamente pela mídia, mantendo a população longe das fontes fidedignas de conhecimento. Em uma ponta, existe um segmento da população leiga e passiva sobre a informação recebida; no outro lado, cientistas e especialistas, alguns vendidos a ideologias de mercados, outros reféns de tecnicalidades da linguagem e incomunicáveis fora do âmbito de sua especificidade. O resultado, no caso da crise climática, é uma explosão de informações muito diversas que nos atinge como um tsunami: de forma repentina, esvaindo-se rapidamente sem tempo de saber de onde vem e a que veio. Ao final, é um salve-se quem puder: não se sabe se a informação retida vai te esclarecer ou te afundar no breu da ignorância. 

     E como escapar dos efeitos nocivos de ambos? Vou recorrer à sabedoria de nossa querida Mafalda: “Viver sem ler é perigoso, te obriga a crer no que te dizem.” Obviamente, ela se referia à leitura de bons livros. São estes ainda que podem nos salvar de uma vida desgovernada no fluxo de palavras vãs.

Confira também

Nosso canal

Error 403 The request cannot be completed because you have exceeded your quota. : quotaExceeded