As causas das desigualdades sociais no Brasil se explicam por diversos fatores, desde o histórico escravocrata, passando pela discriminação por raça, gênero e idade, pela má gestão pública, pela falta de emprego e pela má distribuição da renda, entre outros. Não é novidade supor que a educação seja o ponto de partida para reduzir as disparidades existentes. Nesse sentido, a educação, quando vinculada ao trabalho, pode servir de base a ações coletivas práticas para que o governo, as empresas e a sociedade civil desenvolvam políticas que equalizem as desigualdades na educação, que impactam diretamente a qualidade da mão de obra no Brasil.
Nesse contexto, destaco a importância de aprender com a Índia. Na semana de 16 a 20 de fevereiro, ocorreu a terceira edição do AI Impact Summit 2026 em Nova Délhi. A cúpula teve por objetivo discutir o impacto da revolução tecnológica decorrente do uso da inteligência artificial, bem como seus efeitos no mercado de trabalho e possíveis regulamentações para a proteção da infância. Ela contou com a participação de grandes chefes de Estado, como o presidente Lula e Emmanuel Macron, e de principais CEOs do setor tecnológico. Com um contingente de 250 milhões de estudantes, a Índia utiliza a tecnologia de IA como um bem público e como ferramenta de infraestrutura para reduzir as desigualdades na educação. Embora tal uso tenha por objetivo equalizar disparidades sociais e melhorar a qualidade da educação, há várias questões éticas a serem consideradas.
Entre tais questões, está o sigilo das informações pessoais dos alunos. É imprescindível garantir que tais dados sejam utilizados de forma responsável. Outra preocupação é o uso excessivo da IA, que pode comprometer a aprendizagem dos alunos e o desenvolvimento de suas habilidades naturais, como a capacidade de pensar criticamente por conta própria. Também se tem discutido o papel dos educadores, no qual a dinâmica entre alunos e professores pode mudar consideravelmente, implicando uma redução da interação social não apenas entre professores e alunos, mas também entre seus pares. Outro fator de preocupação é a desigualdade de acesso, pois o acesso de alunos de diferentes contextos socioeconômicos pode ampliar as desigualdades, em vez de reduzi-las. Por conta de tais questões, torna-se relevante a discussão sobre a regulamentação do uso da inteligência artificial, não com o intuito de limitar ou privar seu acesso de forma arbitrária, mas para proporcionar os benefícios de seu uso de forma justa e responsável para todos.
Acredito que haja consenso quanto ao desejo de reduzir as desigualdades na educação, com vistas a uma população melhor, intelectualmente equipada e pronta para o mercado de trabalho que escolher. Entretanto, há de se medir os riscos da empreitada, a fim de evitar práticas inadequadas. Portanto, com vistas a uma educação mais inclusiva e igualitária, é essencial que as instituições educacionais, o governo e os legisladores trabalhem juntos e desenvolvam diretrizes claras e regulamentações para o uso ético de tecnologias.





