Um acordo entre os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia) e a União Europeia ainda parece estar longe de se concretizar. A Europa, ainda indecisa, solicita mais tempo para considerar questões adicionais relacionadas à proteção agrícola. Por outro lado, a diplomacia argentina, liderada pelo presidente Javier Milei, tem adiado indefinidamente a assinatura do acordo, além de bloquear a indicação de um funcionário brasileiro para um cargo executivo no Focem, o fundo de redução de assimetrias do Mercosul. Com tantas tensões e desconfianças em jogo, não há como esperar uma solução rápida.
Para agravar o cenário de desacordo, surge a delicada questão da crise na Venezuela, que divide opiniões. As intervenções militares dos Estados Unidos na costa venezuelana e a oposição do presidente americano ao governo de Nicolás Maduro, acusado de fomentar o narcotráfico, têm gerado polêmicas. Enquanto o presidente Lula considera que tais intervenções representam uma ameaça à soberania nacional, Milei apoia incondicionalmente a política americana. Embora o tema não tenha sido sequer mencionado no último encontro da Cúpula, realizado em 20 de dezembro, sabe-se que ele constitui um ponto de discórdia entre os participantes, exigindo um posicionamento político.
O acordo de associação entre o Mercosul e a União Europeia tem como objetivo ampliar a cooperação comercial entre os dois blocos, sem desconsiderar a cooperação política. No entanto, além das assimetrias econômicas entre os países participantes, o desajuste político tem se mostrado um obstáculo ainda maior, capaz de gerar um impasse intransponível.
Por fim, fica a impressão de que os países envolvidos enfrentam um dilema profundo: escolher entre acreditar na possibilidade de ajuda mútua para o crescimento econômico de todos ou agir em favor apenas daqueles que compartilham afinidades ideológicas. Estariam os países, afinal, entre a cruz e a espada?



