Desde 28 de outubro de 2025, grandes protestos contra a teocracia do Irã têm ganhado destaque na mídia internacional. O que começou como manifestações contra a inflação desenfreada e a crise econômica que assola o país resultou em mais de 2.000 mortes de ativistas contrários ao regime do aiatolá Ali Khamenei. A morte da ativista Azita, uma jovem iraniana que escrevia para um jornal israelense, durante as manifestações, agravou ainda mais as tensões na relação. Com a internet bloqueada, a população iraniana está praticamente isolada. Até o momento, a comunidade internacional não sabe como se posicionar: entre o respeito à soberania do Irã e a necessidade de agir contra as violações dos direitos humanos.
Em um país em que as leis e práticas discriminatórias limitam os direitos civis, não surpreende que as mulheres sejam tratadas como cidadãs de segunda classe. Além disso, há punições brutais por transgressões que, em muitos casos, jamais seriam consideradas crimes. A equidade de gênero, por exemplo, uma bandeira defendida por Azita, está longe de ser tolerada. Apesar das violações e atrocidades ocorridas, somente com o aval da ONU poderia haver uma intervenção militar, que, por sua vez, poderia acarretar consequências desastrosas para o país, como uma guerra civil.
Diante disso, as pressões diplomáticas continuam sendo a melhor alternativa. O Itamaraty lamentou as mortes, mas não responsabilizou diretamente o governo iraniano. Muitos têm criticado a tendência de governos e partidos de esquerda a evitar condenar abusos de regimes que desafiam a política americana. Em seus pronunciamentos, o Itamaraty destaca que o antiamericanismo não deve orientar a geopolítica. Por outro lado, os dissidentes iranianos não confiam na política de Trump para restaurar a democracia no país.
O dilema é complexo: respeitar a soberania e permitir violações de cidadania ou defender os direitos humanos, mesmo que isso implique ferir políticas domésticas que, nesse caso, podem justificar práticas que violam os direitos humanos, como a repressão a protestos e a censura, sob a justificativa de manter a ordem interna e a segurança nacional. No entanto, é necessário considerar que a crescente globalização do planeta cria interdependência entre as nações, desafiando o conceito tradicional de soberania. Questões globais, como migração, segurança cibernética e aquecimento global, por exemplo, não dizem respeito apenas a um país ou a um cidadão específico, mas a todos, como indivíduos integrantes de acordos internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e os Pactos de Direitos Civis e Políticos.




