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Francisco Carregal: o pioneiro que abriu as portas do futebol brasileiro

Foto- Reprodução- Redes Socias @ligaretro

A história do primeiro jogador negro do país, que driblou o racismo dentro e fora dos gramados no início do século XXMuito antes de Pelé, Garrincha ou Ronaldinho encantarem o mundo, um simples tecelão do subúrbio carioca fazia história em silêncio. Francisco Gomes Carregal nasceu em 26 de março de 1884, no Rio de Janeiro, filho de pai português e mãe brasileira negra. Do pai herdou o sobrenome, uma referência ao vilarejo onde ele nascera; da mãe, a negritude que marcaria sua trajetória e o transformaria em símbolo de resistência.

Ainda jovem, Carregal foi trabalhar como tecelão na Companhia Progresso Industrial do Brasil, mais tarde conhecida como Fábrica de Tecidos Bangu. Em 1904, os diretores ingleses da fábrica fundaram o Bangu Athletic Club, inicialmente pensado apenas para a colônia britânica. Como não havia gente suficiente para formar um bom time, brasileiros foram convocados — e assim Carregal se tornou o primeiro jogador negro do futebol brasileiro.

Sua estreia mais lembrada aconteceu em 14 de maio de 1905, quando o Bangu recebeu o time reserva do Fluminense e venceu por 5 a 3. Na famosa foto daquele dia, é ele quem aparece no centro, segurando a bola, de camisa impecável e chuteiras lustradas. Mas jogar bem não bastava: para ser aceito em meio a ingleses, italianos e portugueses, Carregal precisava usar touca para esconder os cabelos e pó de arroz para clarear a pele. Era essa a condição para não ser barrado.

Entre 1905 e 1912, atuou em 28 partidas e marcou seis gols pelo Bangu, defendendo depois também o Flamengo. Sua presença abriu caminho para outros atletas negros, como seu irmão Antônio e o goleiro Manuel Maia. Encerrada a carreira, seguiu ligado ao clube, trabalhando na fábrica e tornando-se tesoureiro do Bangu, cargo que ocupava em 1933, quando a equipe foi campeã na era do profissionalismo.

Carregal morreu em 21 de abril de 1949, aos 65 anos. Em 2001, sua importância foi finalmente reconhecida, quando o Bangu recebeu a Medalha Tiradentes, a maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio, por ter sido o primeiro clube a contar com um jogador negro. Ainda pouco lembrado, Carregal permanece como um verdadeiro pioneiro da história do esporte no Brasil.

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