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Himalaia em luto: tragédia no Nepal e Tibete deixa mais de 360 mortos

Foto: Divulgação
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Colapso de geleira provocou uma onda devastadora de água, lama e rochas; quase 1.500 pessoas seguem desaparecidas enquanto famílias aguardam notícias em meio ao medo de uma nova catástrofe

O que antes era uma paisagem marcada pela imponência das montanhas do Himalaia transformou-se em um cenário de tristeza, destruição e espera. Mais de 360 pessoas morreram e cerca de 1.400 continuam desaparecidas após o colapso de uma geleira provocar enchentes e deslizamentos devastadores na região da fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China. Os números ainda são provisórios e existe o temor de que a dimensão da tragédia seja ainda maior.

A catástrofe começou na quarta-feira (26), quando uma enorme massa de gelo e rochas se desprendeu em uma área de grande altitude. O material atingiu um rio e formou temporariamente uma espécie de barragem natural. Quando a contenção se rompeu, uma violenta corrente de água, lama e pedras avançou pelos vales, praticamente sem dar tempo para que moradores e visitantes escapassem.

Vilarejos destruídos em poucos minutos

Casas, veículos, estradas, pontes e instalações de energia foram arrastados. Imagens registradas após a tragédia revelam comunidades cobertas por uma espessa camada de lama e famílias procurando parentes em hospitais e centros montados para receber sobreviventes.

Pelo menos 19 pontes e aproximadamente 40 quilômetros de estradas foram destruídos, dificultando ainda mais o acesso das equipes de emergência. Helicópteros, drones e cães farejadores estão sendo utilizados nas buscas.

Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros. A região recebe turistas, praticantes de trekking e peregrinos de diferentes partes do mundo. Muitos viajavam em direção a locais religiosos no Tibete quando foram surpreendidos pela força da natureza.

A dor se multiplica entre aqueles que ainda esperam por qualquer notícia. Para centenas de famílias, cada helicóptero que chega e cada sobrevivente localizado renovam uma esperança que diminui à medida que as horas passam.

O perigo ainda não terminou

Como se a destruição já não fosse suficiente, autoridades alertam para um novo risco. Análises indicaram a formação de um lago represado na região atingida. O aumento do volume de água pode provocar um rompimento e gerar outra inundação, levando autoridades a recomendar que moradores e equipes de resgate permaneçam afastados das margens de rios em áreas vulneráveis. Também existe preocupação com novos deslizamentos.

O desastre também volta a lançar um alerta doloroso sobre a fragilidade do Himalaia. Cientistas apontam que o aumento das temperaturas e o derretimento acelerado das geleiras tornam regiões de alta montanha mais instáveis e vulneráveis a avalanches, deslizamentos e enchentes. A causa específica deste episódio continua sendo estudada, mas especialistas consideram preocupante a tendência observada nas últimas décadas.

Uma paisagem de beleza tomada pela dor

Há uma profunda sensação de impotência diante das imagens que chegam do Nepal e do Tibete. Em questão de minutos, famílias perderam casas construídas ao longo de uma vida. Comunidades desapareceram sob a lama. Pessoas que viajavam em busca de aventura, espiritualidade ou simplesmente para voltar para casa passaram a integrar listas de desaparecidos.

A decepção é ainda maior porque tragédias como essa reforçam advertências feitas há anos sobre a vulnerabilidade das populações que vivem próximas às geleiras. Enquanto governos e cientistas discutem como enfrentar um planeta em transformação, são comunidades inteiras que pagam o preço mais cruel.

Agora, entre montanhas cobertas de gelo e vales tomados pela lama, resta uma corrida contra o tempo. Cada pessoa encontrada com vida representa uma vitória em meio a uma tragédia que já deixou uma marca de luto no Himalaia — e que lembra ao mundo, de maneira dolorosa, o quanto a natureza pode se tornar implacável quando seus frágeis equilíbrios são rompidos.

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