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Igreja de Nossa Senhora do Desterro preserva quase quatro séculos de história em Pedra de Guaratiba

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Erguido no século XVII, templo da Zona Oeste é considerado um dos mais antigos do Rio de Janeiro 

Em uma pequena elevação próxima à Praia da Capela, em Pedra de Guaratiba, encontra-se um dos mais importantes patrimônios religiosos e históricos do Rio de Janeiro. A Igreja de Nossa Senhora do Desterro atravessa gerações preservando não apenas a devoção católica, mas também parte da memória da ocupação da Zona Oeste carioca.

A construção é tradicionalmente datada de 1629 e considerada o quarto templo mais antigo da cidade, posterior às igrejas de Nossa Senhora do Bonsucesso, Santa Luzia e Nossa Senhora da Apresentação, em Irajá. Situada na Rua Barros de Alarcão, a capela mantém uma relação direta com a paisagem da Baía de Sepetiba e com a história de Pedra de Guaratiba. 

Origem ligada às antigas terras de Guaratiba

A história do templo remonta ao período colonial, quando a região fazia parte da extensa Sesmaria de Guaratiba. A área havia sido concedida a Manoel Veloso Espinhosa no fim do século XVI e, posteriormente, dividida entre seus descendentes.

Jerônimo Veloso Cubas, um dos herdeiros das terras, teria mandado construir uma pequena ermida dedicada a Nossa Senhora do Desterro, acompanhada de um cemitério. Ele e a esposa, Beatriz Álvaro Gago, também aparecem em registros relacionados à doação da capela e das terras aos religiosos carmelitas, que mantiveram presença na região. 

Inicialmente, porém, a capela teria sido dedicada a Sant’Ana. A imagem da santa ainda permanece guardada no local, como testemunho das transformações religiosas e administrativas pelas quais o templo passou ao longo dos séculos. 

Arquitetura simples e cheia de personalidade

A igreja chama a atenção por sua arquitetura singela. O edifício possui nave única, fachada revestida por azulejos e não apresenta torre sineira ou campanário, característica que o diferencia de muitos templos católicos do mesmo período.

A portada central é acompanhada por janelas em arco e elementos decorativos incorporados em reformas posteriores. O frontão recebeu acréscimos de inspiração eclética, enquanto um cruzeiro de madeira foi instalado no adro, voltado para a Restinga da Marambaia. 

Ao longo de sua existência, a igreja passou por diferentes intervenções. Registros apontam uma reforma conduzida pelo frei Francisco Quintanilha no século XVIII e novas obras no século XIX, necessárias para conservar e adaptar a construção. 

Fé, lendas e tradição popular

Como ocorre com muitos edifícios coloniais, a história da Igreja de Nossa Senhora do Desterro também é cercada por relatos de milagres, lendas e mistérios transmitidos entre os moradores. Essas narrativas contribuíram para reforçar a ligação afetiva da comunidade com o templo.

Durante quase quatro séculos, a igreja acompanhou o crescimento de Pedra de Guaratiba, as mudanças na atividade pesqueira e as transformações urbanas da região. Casamentos, batizados, festas religiosas e celebrações comunitárias ajudaram a manter viva a presença do monumento no cotidiano local.

Patrimônio que precisa ser preservado

Mais do que um espaço de oração, a Igreja de Nossa Senhora do Desterro é um documento arquitetônico da formação do Rio de Janeiro. Suas paredes guardam marcas do período colonial e recordam que a história carioca não está concentrada apenas no Centro, mas também nos bairros mais distantes.

Preservar o templo significa proteger a memória de Pedra de Guaratiba e reconhecer a importância da Zona Oeste na construção da identidade da cidade. Diante da igreja e da paisagem da Baía de Sepetiba, passado e presente se encontram, reafirmando uma história iniciada há quase 400 anos.

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