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Jarid Arraes: voz potente do feminismo negro na literatura brasileira

portal Rascunho
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Escritora e poeta cearense constrói uma obra marcada pela ancestralidade, pela força das mulheres e pelo enfrentamento das desigualdades sociais

Jarid Arraes nasceu em 1991, em Juazeiro do Norte, no Ceará, e tornou-se um dos nomes mais relevantes da literatura contemporânea brasileira. Criada em uma família de cordelistas — seu pai, o poeta Hamurabi Batista, é referência na literatura de cordel —, cresceu cercada por histórias, versos e tradição popular nordestina. Essa herança cultural moldou profundamente sua escrita, que une linguagem acessível, crítica social e valorização da memória ancestral.

Mudou-se para São Paulo ainda jovem, onde consolidou sua carreira literária e passou a atuar também como cordelista, palestrante e ativista feminista. Jarid ganhou projeção nacional ao publicar cordéis que resgatam a trajetória de mulheres negras apagadas pela história oficial. Esse trabalho resultou no livro Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis (2017), obra que apresenta personagens como Dandara dos Palmares, Tereza de Benguela e Carolina Maria de Jesus, reafirmando o protagonismo feminino negro na formação do país.

Na poesia, Jarid Arraes se destaca pela intensidade emocional e pela escrita direta. Em Um Buraco com Meu Nome (2018), seu primeiro livro de poemas, aborda temas como amor, solidão, racismo, violência e identidade. A obra foi amplamente elogiada por sua força lírica e honestidade. Já em Eu Sou uma Loba (2019), a autora amplia sua reflexão sobre autonomia, desejo e libertação feminina, consolidando-se como uma das principais vozes do feminismo negro na literatura brasileira atual.

Além da poesia e do cordel, Jarid também se aventurou na prosa. Seu romance Redemoinho em Dia Quente (2019) apresenta a história de mulheres em uma pequena cidade do interior nordestino, explorando relações familiares, opressões e silêncios. O livro foi finalista de prêmios literários importantes e confirmou sua versatilidade como escritora.

A produção poética de Jarid Arraes é marcada por versos que confrontam estruturas de poder e celebram a resistência. Sua escrita não se afasta da dor, mas também abre espaço para o afeto e para a esperança. Ao dialogar com o feminismo negro, a autora constrói pontes entre literatura, militância e educação, alcançando leitores dentro e fora do Brasil.

Com uma trajetória consistente e engajada, Jarid Arraes representa uma geração de escritoras que transformam a palavra em instrumento de mudança social. Sua obra reafirma a importância da memória, da identidade e da escuta das vozes historicamente silenciadas.