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Lula articula encontro entre André Mendonça e diretor-geral da PF para reduzir tensão

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Ministro do STF e Andrei Rodrigues devem se reunir nos próximos dias em meio a divergências sobre investigações envolvendo Banco Master, Dark Horse, fraudes no INSS e Lulinha

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, devem se reunir nos próximos dias em uma tentativa de reduzir o clima de tensão e desconfiança que se estabeleceu entre o gabinete do magistrado e a cúpula da corporação. A aproximação está sendo articulada pelo governo federal e ainda não tem data oficialmente definida.

O movimento ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinar que o diretor-geral da PF procure Mendonça. A conversa deverá ser mediada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. Existe ainda a possibilidade de participação do advogado-geral da União, Jorge Messias.

A intenção é restabelecer um canal direto de diálogo em um momento especialmente delicado. Mendonça concentra a relatoria de investigações de grande repercussão política, entre elas os casos relacionados ao Banco Master e Dark Horse, além das apurações sobre irregularidades no INSS que alcançam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

Relação marcada por atritos

O desgaste entre Mendonça e a direção da PF ganhou força durante as investigações sobre as fraudes no INSS. O ministro determinou que atos da investigação fossem juntados aos autos e que mudanças na equipe responsável pela apuração fossem comunicadas previamente ao seu gabinete. A PF reagiu e chegou a procurar a Advocacia-Geral da União para questionar juridicamente algumas das determinações.

A troca da coordenação da investigação também provocou incômodo no gabinete de Mendonça. Em agosto, os 27 superintendentes da Polícia Federal divulgaram uma manifestação em defesa da atuação institucional da corporação, episódio que evidenciou publicamente a dimensão do conflito.

Antes da possível conversa direta com Andrei Rodrigues, Wellington César já havia se reunido com Mendonça. Na ocasião, houve compromisso de preservar a cooperação institucional e a independência técnica das investigações.

Casos com impacto político

Um dos inquéritos sob responsabilidade de Mendonça envolve o Banco Master e seus desdobramentos. O ministro também assumiu a investigação relacionada ao financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração busca esclarecer movimentações financeiras ligadas ao projeto e sua conexão com o caso Master.

Em outra frente estão as investigações relacionadas às fraudes no INSS e a Lulinha. O filho do presidente passou a ser investigado por suspeitas de tráfico de influência, enquanto a PF também apura outros possíveis vínculos relacionados ao esquema. As investigações estão em andamento e as suspeitas ainda não representam condenação.

Os casos ganharam peso adicional por ocorrerem em pleno calendário eleitoral de 2026 e atingirem personagens próximos aos principais grupos políticos que disputam a Presidência.

Governo tenta diminuir temperatura

A iniciativa de Lula busca impedir que as divergências sobre a condução das investigações evoluam para uma crise institucional envolvendo Polícia Federal e Supremo. Segundo relatos publicados nesta quinta-feira (27), a avaliação no governo é de que uma conversa direta pode esclarecer diferenças e diminuir os ruídos acumulados nos últimos meses.

Até o momento, porém, o encontro não está formalmente marcado. A expectativa é de que ocorra no gabinete de André Mendonça, em Brasília, nos próximos dias.

Mais do que uma tentativa de melhorar uma relação pessoal, a reunião terá como pano de fundo uma questão institucional: preservar a autonomia da Polícia Federal e, ao mesmo tempo, garantir o cumprimento das determinações judiciais nos inquéritos conduzidos pelo Supremo.

Com investigações capazes de produzir reflexos políticos em diferentes lados da disputa eleitoral, a conversa entre Mendonça e Andrei será acompanhada de perto em Brasília. O desafio será diminuir as tensões sem permitir que o diálogo institucional seja interpretado como interferência em apurações que precisam seguir de maneira técnica e independente.

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