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Lula avaliará participação no ‘Conselho de paz’ de Trump para Gaza

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

Integrantes do governo brasileiro afirmam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve analisar alguns aspectos antes de decidir se aceita ou não o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o “Conselho de Paz” para a Faixa de Gaza.

Serão levados em conta alguns pontos, entre os quais:
– quais os objetivos do conselho;
– quais países aceitarão fazer parte do grupo;
– o que esses países pensam acerca da guerra;
– se haverá custos financeiros a partir das decisões tomadas.

O anúncio sobre a criação do conselho aconteceu na semana passada, e Lula ainda não respondeu se aceitará o convite.

Segundo a Casa Branca, o conselho vai discutir questões como “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.

Diplomatas afirmam que há muitas dúvidas a serem respondidas antes de o governo brasileiro tomar qualquer decisão sobre aceitar ou não o convite.

“Nada disso está claro”, afirmou um diplomata a par das conversas.
Segundo esse diplomata, é necessário que o Brasil consulte, inclusive, países que tenham algum tipo de relevância sobre o tema, para que as decisões eventualmente tomadas possam ser levadas adiante.

“Trocar ideias com outros países relevantes na questão é assim que se constrói uma posição em um tema de tamanha relevância”, afirmou.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em Kuala Lumpur, na Malásia.

Em discursos públicos, no Brasil e em fóruns internacionais, Lula já acusou o governo de Benjamin Netanyahu de praticar atos de “genocídio” contra o povo palestino e afirmou que está em curso não apenas uma tentativa de “extermínio do povo palestino”, mas também de “aniquilamento de seu sonho de nação”.

Além disso, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, classificou como “carnificina” as ações militares israelenses em Gaza e disse ser legítimo que Israel queira defender sua população, mas afirmou que as ações contra civis em Gaza “já ultrapassaram há muito tempo qualquer limite de proporcionalidade”.

O conselho de Trump
A criação do “Conselho de Paz” é considerada um elemento-chave da segunda fase do plano respaldado por Washington para encerrar a guerra no território palestino.

“Posso dizer com certeza que é o maior e mais prestigiado conselho já reunido em qualquer momento e lugar”, ressaltou o presidente americano ao fazer o anúncio nas redes sociais.

Segundo a Casa Branca, o conselho vai discutir temas como governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital.

Tentativa na ONU
Diferentemente dos Estados Unidos e de Israel, o Brasil reconhece o Estado da Palestina. Em outubro de 2023, quando a guerra na região se intensificou após ataques do grupo terrorista Hamas ao território israelense, o Brasil tentou aprovar no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) uma resolução que levasse a um cessar-fogo e à entrada permanente de ajuda humanitária para os palestinos.

A tentativa, no entanto, fracassou diante do veto do governo dos EUA, à época chefiado por Joe Biden, que alegou que o texto não deixava claro o direito de Israel de se defender.

Desde então, Lula tem criticado tanto as ações do Hamas quanto a forma como Netanyahu conduz a política em relação aos palestinos, o que provocou um distanciamento diplomático entre Brasil e Israel.

Nesse cenário, o governo brasileiro afirma apoiar iniciativas que possam contribuir para a garantia da paz na região.

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