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Mãe do Oruam e  é considerada foragida em operação contra o CV

Foto: Divulgação
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Márcia Gama, mãe do rapper Oruam, passou a ser considerada foragida após a deflagração da operação Contenção Red Legacy, realizada nesta quarta-feira (11) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. A ação tem como objetivo atingir a estrutura do Comando Vermelho e apurar a atuação de pessoas suspeitas de colaborar com a organização criminosa fora do sistema penitenciário.

Segundo os investigadores, Márcia Gama, que é companheira do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, não foi localizada em nenhum dos endereços que estavam entre os alvos dos mandados cumpridos durante a operação.

De acordo com a Polícia Civil, as investigações apontam que ela teria participação na articulação e na circulação de informações entre integrantes da facção, atuando como intermediadora de interesses do grupo fora das prisões.

Os investigadores afirmam que esse tipo de atuação ajudaria a manter ativa a comunicação entre lideranças da organização criminosa e operadores que atuam nas ruas.

Márcia possui atualmente mais de meio milhão de seguidores nas redes sociais. Após não ser encontrada durante o cumprimento dos mandados, passou a ser considerada oficialmente foragida da Justiça.

As investigações também apontam para a participação de outros familiares próximos de Marcinho VP na estrutura analisada pelas autoridades.

Entre os nomes citados está Landerson Nepomuceno, sobrinho do traficante. Segundo a polícia, ele teria o papel de ligação entre lideranças da facção, integrantes que atuam em comunidades dominadas pelo grupo e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pela organização criminosa, como serviços e imóveis.

Assim como Márcia, Landerson também não foi localizado durante a operação e passou a ser considerado foragido.

Para os investigadores, a presença de familiares na estrutura investigada reforça o modelo de organização interna do Comando Vermelho, que mantém uma hierarquia definida mesmo com parte de suas lideranças presas há décadas.

Entre esses líderes está o próprio Marcinho VP, considerado um dos nomes históricos da facção e atualmente cumprindo pena no sistema penitenciário federal.

Apesar da prisão, a polícia aponta que ele continuaria exercendo influência sobre decisões estratégicas da organização criminosa.

Segundo as autoridades, a atuação de familiares e aliados próximos seria justamente um mecanismo para manter ativa a rede de comunicação e articulação do grupo fora das unidades prisionais.

O caso também envolve o rapper Mauro Davi Nepomuceno dos Santos, conhecido como Oruam. Desde julho de 2025, ele responde a uma investigação por tentativa de homicídio contra o delegado Moysés Santana Gomes e o oficial de cartório Alexandre Alves Ferraz.

De acordo com a apuração, o cantor e um amigo teriam atacado os agentes com pedras durante uma ação policial realizada no dia 22 de julho do ano passado, na residência do artista, localizada no bairro do Joá, na Zona Oeste do Rio.

Na ocasião, os policiais cumpriam um mandado de apreensão contra um adolescente.

Oruam chegou a permanecer preso por dois meses e foi liberado em setembro de 2025, passando a responder ao processo em liberdade, com monitoramento por tornozeleira eletrônica.

Segundo autoridades, o equipamento teria sido violado dezenas de vezes. Desde o início de fevereiro, a tornozeleira estaria desligada, o que levou a Justiça a decretar novamente a prisão preventiva do artista.

Ele não foi localizado nos endereços informados à Justiça e também passou a ser considerado foragido.

A defesa do cantor afirma que ele poderia sofrer agravamento de seu quadro mental em ambiente prisional, argumento utilizado para justificar o fato de ainda não ter se apresentado às autoridades.

Após a repercussão do caso, o rapper lançou uma música na qual afirma se sentir perseguido, utilizando expressões como “gângster” e “sujeito homem”.

A reportagem tenta localizar a defesa de Márcia Gama e de Landerson Nepomuceno. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

Durante a mesma operação, o vereador do Rio, Salvino Oliveira (PSD), também foi preso. Segundo as investigações, ele teria buscado apoio de integrantes do Comando Vermelho para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul durante as eleições de 2024.

De acordo com a Polícia Civil, o parlamentar teria procurado o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como uma das principais lideranças da facção.

Em contrapartida, segundo os investigadores, o vereador teria articulado benefícios ao grupo, apresentados publicamente como ações voltadas à população local, entre elas a instalação de quiosques na região.

A operação Contenção Red Legacy investiga uma rede suspeita de integrar membros da facção, policiais e agentes políticos em crimes como organização criminosa armada, corrupção policial e movimentação de dinheiro ilegal.

Segundo a Polícia Civil, o objetivo é desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho, considerada pelos investigadores uma organização com atuação interestadual e funcionamento semelhante ao de um cartel.

As investigações seguem em andamento e novas fases da operação não estão descartadas, enquanto autoridades continuam buscando localizar os alvos que permanecem foragidos.

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