Jornal DR1

Março Azul Marinho: O que a sua alimentação tem a ver com o risco de câncer colorretal?

Foto: Divulgação

Casos cresceram 15% no Rio de Janeiro, superando a média nacional de 11%

O mês de março é marcado pela campanha Março Azul Marinho, dedicada à conscientização e prevenção do câncer colorretal, o terceiro tipo de tumor mais comum entre homens e mulheres no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). No Rio de Janeiro, o aumento dos casos tem chamado a atenção, já que, entre os triênios de 2020-2022 e 2023-2025, o número de diagnósticos aumentou 15%, superando a média nacional, que foi de 11%. Além da relação com fatores genéticos e do envelhecimento, estudos mostram que hábitos alimentares inadequados e o estilo de vida têm relação direta com o aumento dos casos.

A Oncoclínicas, maior grupo dedicado ao tratamento do câncer na América Latina, reforça a importância da prevenção e da adoção de hábitos que reduzem o risco da doença. “A orientação é manter uma alimentação rica em fibras, vegetais, legumes e carnes brancas, como frango e peixe. A carne vermelha não é proibida, mas deve-se dar preferência aos cortes magros e evitar os mais gordurosos. Sabemos que nossa alimentação contém muitos alimentos processados, o que pode alterar a microbiota intestinal e estar relacionado ao aumento da incidência do câncer colorretal, especialmente em pacientes mais jovens”, explica a oncologista da Oncoclínicas Rio de Janeiro, Bárbara Sodré.


Nos últimos anos, especialistas têm observado esse crescimento preocupante dos casos de tumores que afetam o cólon e o reto em pacientes com menos de 50 anos. O estudo realizado pela American Cancer Society (ACS) analisou a incidência da doença em todas as faixas etárias de 1995 até 2020 na população dos Estados Unidos. Os dados apontam que 13% dos pacientes diagnosticados com câncer colorretal têm menos de 50 anos, um percentual que cresceu 9% em comparação a períodos anteriores.

Por isso, além da alimentação, o estilo de vida também desempenha papel fundamental na prevenção da doença. “Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, a obesidade, a alimentação rica em gorduras saturadas e condimentos, além do sedentarismo. Por serem fatores relacionados aos hábitos diários, essas condições podem ser modificadas. A principal recomendação para a prevenção é adotar um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios físicos. Pequenas mudanças no dia a dia que podem fazer uma grande diferença na redução do risco de desenvolver a doença”, enfatiza a médica.

Como se prevenir

O desenvolvimento do tumor colorretal ocorre no intestino grosso, especificamente no cólon ou no reto. Para diagnosticá-lo, é feito o rastreamento pelo exame de colonoscopia, capaz de identificar lesões. No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda iniciar o rastreio do câncer de cólon e reto da população adulta de risco baixo na faixa etária de 50 anos, mas pessoas com histórico familiar ou sintomas devem buscar avaliação antecipada.
 

Os sintomas mais comuns incluem sangue nas fezes, diarreia ou constipação persistente, dor abdominal frequente, perda de peso inexplicada, cansaço e fraqueza constantes. No entanto, em alguns casos, a doença pode ser silenciosa nos estágios iniciais, o que reforça a importância da prevenção e do rastreamento regular.
 

Apesar de ser uma das neoplasias mais comuns e letais, sendo o terceiro mais incidente no Brasil, com 45.630 novos casos da doença previstos no país em 2025, a oncologista Bárbara Sodré, da Oncoclínicas Rio de Janeiro, reforça que o diagnóstico precoce é a chave para aumentar a chance de cura. “A detecção em estágios iniciais aumenta significativamente as chances de cura. Por isso, campanhas como o Março Azul Marinho são fundamentais para conscientizar a população e incentivar a realização dos exames preventivos”, finaliza.

Confira também

Nosso canal