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Maria Bernadete Pacífico marcou a luta pelos direitos quilombolas e pela preservação das tradições afro-brasileiras

Foto_ Pablo Valadares_Câmara dos Deputados
Foto_ Pablo Valadares_Câmara dos Deputados

Líder quilombola, ialorixá e ativista dedicou sua vida à defesa dos direitos das comunidades tradicionais, da igualdade racial e da liberdade religiosa

Maria Bernadete Pacífico, conhecida como Mãe Bernadete, foi uma importante líder quilombola, ialorixá, ativista social e defensora dos direitos humanos. Reconhecida nacionalmente por sua atuação em favor das comunidades quilombolas, ela dedicou sua vida à luta pela igualdade racial, pela preservação das tradições de matriz africana e pela garantia dos direitos dos povos tradicionais.

Moradora do Quilombo Pitanga dos Palmares, Mãe Bernadete tornou-se uma das principais vozes na defesa do território quilombola, da regularização fundiária e da proteção das famílias que vivem nessas comunidades. Seu trabalho também buscava fortalecer a identidade cultural afro-brasileira e ampliar o acesso da população quilombola a políticas públicas nas áreas de educação, saúde, moradia e desenvolvimento social.

Como ialorixá, Maria Bernadete exerceu um papel fundamental na preservação das religiões de matriz africana, promovendo o respeito à diversidade religiosa e combatendo a intolerância. Em sua trajetória, destacou a importância da ancestralidade, da cultura e da espiritualidade como elementos essenciais para a construção da identidade e da resistência do povo negro no Brasil.

Sua atuação ultrapassou os limites da comunidade onde vivia. Mãe Bernadete participou de encontros, debates e iniciativas voltadas à promoção dos direitos humanos, tornando-se uma referência para movimentos sociais, organizações da sociedade civil e instituições que atuam na defesa da população negra e dos povos tradicionais.

Em agosto de 2023, Maria Bernadete foi assassinada dentro do Quilombo Pitanga dos Palmares. O crime gerou grande repercussão nacional e internacional, reacendendo o debate sobre a violência contra lideranças quilombolas e defensores dos direitos humanos. Ela já vivia sob proteção devido às ameaças que sofria, e sua morte foi amplamente condenada por entidades de direitos humanos e movimentos sociais.

O legado de Mãe Bernadete permanece vivo na luta das comunidades quilombolas e na defesa da igualdade racial, da liberdade religiosa e da justiça social. Sua trajetória simboliza a resistência, a valorização da cultura afro-brasileira e o compromisso com a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e respeitosa com os direitos dos povos tradicionais.

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