Dezembro de 2026. A tarde estava tão tranquila que parecia respeitar a idade da casa: pequena, antiga, bem cuidada, cheia de memórias nas paredes. Ali, Dona Rita comemorava 80 anos rodeada pela família, sem imaginar que teria um convidado… de outra dimensão.
A ideia veio de Renata, que no ano anterior havia contratado Fredi Jon para sua clínica na Mooca e guardou aquela experiência como quem guarda um tesouro. Quando soube do aniversário, sugeriu a serenata. A família topou. E acertou.
Fredi entrou pelos fundos, como quem pede licença até pro silêncio. Afinou o violão, respirou fundo… e começou.
Primeira música. As luzes começaram a piscar.
Piscavam sem piedade. Parecia rave espiritual.
Olhares confusos. Risos. Celulares no ar.
Fredi não perdeu: “Isso aqui é uma danceteria disfarçada de cas ou temos aqui um genuíno efeito poltergeist?
A sala caiu na gargalhada.
Dona Rita, calma como quem já viveu muito, respondeu: “Pode ser o Manoel.”
Manoel era o marido. Parceiro de vida e de música. O contrabaixo dele ainda dormia na sala ao lado, ao lado do piano dela. Eles tocavam juntos, como quem conversa sem palavras. “Vai ver ele veio conferir kkk ”, completou.
Desligavam a luz: normal. Ligavam: piscava. De novo. E de novo.
Fernanda, filmando, arrepiou: “Gente que frio!!!… isso não tava no roteiro…”
Não era medo. Era aquela sensação estranha de que o amor, às vezes, se recusa a sair de cena.
A serenata seguiu. Agora em trio: Fredi, Dona Rita… e Manoel invisível.
O filho resolveu testar: “E um Led Zeppelin rola aí?” “E Deep Purple?”
Fredi topou. Transformou rock em serenata. Provou que guitarra também mora no violão. A casa virou palco.
Dona Rita batia palmas, ria, cantava. Aos 80, parecia ter voltado aos 20 — com a sabedoria dos 80.
No final, Fredi avisou: “Lancei um livro com muitas histórias incríveis. Vocês querem conhecer?”.
Ela respondeu alto: “Eu quero todos.”
“Todos… todos?”, ele confirmou.
“Todos. Minhas amigas precisam viver isso. Um momento assim não pode ficar guardado.”
Era uma senhora ensinando que emoção também é patrimônio.
A tarde virou fila de autógrafos, abraços, café e histórias. E, vez ou outra, a luz piscava.
Como se Manoel comentasse: “Tá bonito. Continua.”
Não foi só uma serenata.
Foi um encontro entre tempos.
Entre saudade e gratidão.
Entre quem ficou e quem ainda cuida.
Naquele dia, Dona Rita fez 80 anos.
E provou que algumas histórias nunca morrem… só mudam de tom.



