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O Cantador de Histórias: De volta ao primeiro sonho: A serenata que tocou o tempo

Gerada por IA

Era dia dos Professores, em 2004, quando me vi diante dos portões da EMEI Antônio Bento. Quase três décadas haviam passado desde que eu, ainda pequeno, deixaria aquele lugar em 1973, levando comigo sonhos que mal sabia nomear. Agora, voltava como seresteiro, com um violão nas mãos e uma vida inteira de histórias na alma.

Por alguns instantes, fiquei parado. O lugar havia mudado, mas alguma coisa dentro de mim reconhecia cada pedaço daquele cenário. Era como se o tempo me permitisse atravessar a fronteira entre o homem que me tornei e o menino que nunca deixei de ser.

Entrei para homenagear os professores. Entretanto, percebi que aquela serenata também seria uma homenagem às minhas próprias origens, àqueles primeiros passos que, sem que eu soubesse, começavam a desenhar os caminhos do meu futuro.

Quando comecei a cantar parecia despertar lembranças adormecidas. As aulas, as brincadeiras, o cheiro imaginário da merenda e as vozes infantis voltavam como fragmentos de uma vida que jamais desaparecerá por completo.

Entre os presentes, reconheci Márcia, uma antiga colega de colégio. Estudamos juntos em 1984 e 1985. Ela era uma das homenageadas e aquele era o seu primeiro ano como professora. Ao ouvir minha voz, ela me olhou surpresa:

— Fredi? Nossa que coincidência!!!

Abraçamo-nos emocionados. Por alguns segundos, não éramos adultos carregando as marcas do tempo, mas dois jovens reencontrando uma parte de suas histórias. Relembramos momentos, risadas e sonhos de uma época em que o futuro estava sendo construído.

A vida tem dessas delicadezas: afasta pessoas, transforma cenários, mas, às vezes, nos devolve alguém capaz de reconhecer quem éramos antes que o mundo nos ensinasse a ser diferentes.

A serenata continuou, e os alunos se juntaram à música, formando um coro espontâneo. Naquele instante, passado e presente pareciam cantar juntos. Compreendi que não estava apenas homenageando professores, mas celebrando as raízes que sustentam nossas escolhas e os encontros que ajudam a construir nossa identidade.

Márcia, emocionada, disse que eu sempre fui um sonhador e que agora meu sonho se tornara realidade.

Sorri. Pensei que realizar um sonho talvez não seja apenas chegar a algum lugar, mas descobrir que a jornada inteira nos trouxe de volta àquilo que realmente importa.

Ao deixar a EMEI Antônio Bento, olhei pela última vez para o pátio. Eu já não era aquele menino de 1973, e a escola também não era a mesma. Ainda assim, algo permanecia intacto: a lembrança de onde tudo começou.

Naquele dia, fui fazer uma serenata e acabei recebendo um presente que nenhuma conquista material poderia substituir: reencontrar minhas origens através da música.

O tempo pode mudar nossos rostos, nossos caminhos e nossos sonhos, mas existem lugares que permanecem vivos dentro de nós.

Voltei à escola para cantar aos professores. E descobri que, às vezes, a vida nos leva de volta ao primeiro sonho para nos lembrar de que o menino que fomos nunca deixou de caminhar ao nosso lado.

Em 2024 Márcia nos chama novamente porque iria se aposentar e gostaria de proporcionar a mesma emoção ao novo grupo de professores em sua outra escola, e assim fechamos este ciclo combinando histórias e boas memórias.

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