O Dia da Arte, celebrado em 15 de abril, não é só uma data, é um convite silencioso para lembrar que sentir ainda é permitido… e necessário.
Porque, na real, o mundo anda eficiente demais… e humano de menos.
E é justamente por isso que essa homenagem existe. Não por protocolo, mas por verdade. Porque quem vive de arte sabe: ela é aplauso mas acima de tudo, insistência.
Há 26 anos, a Serenata & Cia caminha nessa estrada. Uma estrada onde o figurino muda, mas o propósito permanece. E olha… já teve de tudo: seresteiro vestido de palhaço, de anjo querubim, de lord inglês, anos 1920, estilo cowboy, brega sem medo, com pitadas de Matrix, clima de Homens de Preto… e até bandinha de fanfarra cruzando corredores e quebrando a rotina, totalmente.
Cada personagem com um público, um cuidado. Porque além da arte, é alcançar.
E há os que percebam que a arte é ferramenta de transformação real.
Quantas vezes foi a arte que suavizou o clima dentro de uma empresa? Quebrou o gelo entre equipes, aproximou pessoas que mal se olhavam, trouxe leveza pra ambientes tomados por metas, pressões e números? A interatividade que a arte provoca não é superficial, ela reorganiza o ambiente, humaniza relações, lembra que por trás de cargos existem pessoas.
Mas vamos além: aniversários, celebrações, homenagens… sem arte, viram protocolo. Com arte, ganham cor, memória, significado. Ganham vida.
Estamos vivendo um tempo onde tudo funciona, mas pouca coisa toca. Onde tudo se conecta, mas quase nada se aproxima.
Nesse cenário, o artista vira quase um guardião da sensibilidade e ninguém faz isso sozinho.
A Serenata & Cia só se tornou o que é porque caminhou junto. Dançarinos que deram corpo ao som. Mágicos que trouxeram o impossível pra perto. Bonequistas que deram alma ao que parecia inerte. E, em tantos momentos, dividiu palco com o inesperado: telegramas animados do Anjo Quebrado, drag queens, gurus, amantes nordestinos e amantes bregas, personagens que ampliaram a experiência e provaram que a arte não precisa caber numa única forma.
Talvez o erro esteja em querer uma arte limpa demais, perfeita demais… quando o que transforma mesmo é a arte viva, misturada, ousada.
O livro “Fredi Jon – O Cantador de Histórias” nasce exatamente disso, como prova de que é possível continuar criando, mesmo quando o mundo parece pedir o contrário.
No fim, a arte é isso: uma forma de devolver humanidade ao que está endurecendo.
E o artista… é aquele que insiste.
Insiste em emocionar, em aproximar e em lembrar que, por trás de toda pressa… ainda existe um coração tentando sentir.
E enquanto existir alguém disposto a tocar o outro com verdade… a arte não só resiste.
Ela salva.





