A fraude no INSS com advogados está no centro de uma operação deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (29), com ações em diferentes estados para investigar um esquema de concessão irregular de benefícios previdenciários.
A chamada Operação Dolo Rural apura a atuação de escritórios de advocacia suspeitos de produzir documentos falsos para viabilizar o acesso indevido a benefícios voltados a trabalhadores rurais.
Segundo as investigações, iniciadas em 2023, o grupo teria causado um prejuízo estimado em R$ 670 mil ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com potencial de economia de até R$ 4,1 milhões após a suspensão dos pagamentos considerados irregulares.
Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em residências e escritórios nas cidades de São Mateus do Maranhão e São Bernardo, no Maranhão, além de Fortaleza, Eusébio e Baturité, no Ceará.
As diligências contaram com a presença de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), já que parte dos investigados atua na área jurídica.
De acordo com a apuração, os suspeitos utilizavam tanto documentos materiais quanto ideologicamente falsos para simular vínculos rurais inexistentes ou distorcidos.
As informações utilizadas nos processos incluíam dados reais de propriedades rurais, que eram manipulados para dar aparência de legalidade aos pedidos apresentados ao INSS.
Com esse material, eram obtidos de forma indevida benefícios como aposentadoria por idade rural, salário-maternidade e pensão por morte.
A Justiça Federal autorizou medidas adicionais, incluindo quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, além do bloqueio de bens dos investigados.
Até o momento, foram identificados pelo menos 35 benefícios concedidos de maneira irregular, mas a Polícia Federal não descarta que o número seja ainda maior.
Caso as suspeitas sejam confirmadas, os envolvidos poderão responder por crimes como estelionato contra o INSS, associação criminosa e falsificação de documento público





