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Opinião: Enquanto a fome mata, o governo promove festa milionária

Foto: Marcello Casal JR

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a primeira-dama articula a promoção de um festival bancado com dinheiro público. O projeto, apelidado “Janja in Rio” e por ironia batizado de “Aliança Global Festival Contra a Fome e a Pobreza” tem por objetivo atingir um grande público, visto que será gratuito.

O evento que acontecerá na Zona Portuária do Rio e será distribuído em três noites, e contam com o “apoio direto” (recursos) do Ministério da Cultura, da Prefeitura do Rio e de empresas públicas, que parecem estar nadando em lucros extraordinários, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, Itaipu e Petrobras.

Só o cachê de cada um dos 30 artistas, é de R$30 mil. Ainda não foi revelado o custo final com a infraestrutura.  O Estadão informa ainda que a Itaipu deu R$15 milhões para os eventos paralelos do G20. Já o patrocínio da Petrobras é de R$18 milhões. Banco do Brasil, Caixa e BNDES não informaram os investimentos.

O Estadão informa ainda que a primeira-dama em suas redes sociais anunciou em primeira mão a realização dos shows.

Segundo ele: “Esse é o momento de celebrar a arte e a cultura como um poder transformador de combate à fome e a pobreza no mundo”. Não sabia que eventos musicais combatem a fome e a pobreza!

A Fome se combate com alimentação e não com show musical

Uma pesquisa, Segurança Alimentar 2023, realizada pelo IBGE, aponta que a fome esteve presente em 3,2 milhões de residências brasileiras no ano passado. O dado integra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. Esses domicílios passaram por privação de alimentos, algumas vezes, durante o período de outubro a dezembro de 2023.

Nesses casos, a escassez afeta não só os adultos, mas as crianças e adolescentes residentes nos lares atingidos. Essa situação é definida como insegurança alimentar grave.

Em 2023, 72,4% dos mais de 78 milhões de domicílios brasileiros mapeados pelo IBGE encontrava-se em situação de segurança alimentar e 27,6% possuíam algum grau de insegurança. Já a insegurança alimentar grave foi notada em 4,1% do total de lares.

A insegurança alimentar atinge principalmente crianças e idosos. Nota-se que, entre as crianças com até quatro anos, 37,4% estão em lares com algum grau de insegurança alimentar. A subalimentação crônica, nível mais extremo provocado pela insegurança alimentar, atingiu 4,7% da população do Brasil entre 2020 e 2022. Isso significa que, em números absolutos, 10,1 milhões de pessoas sofrem com a fome no país. Os dados estão no relatório global Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo, por cinco agências especializadas das Nações Unidas (ONU).

Um em cada dez brasileiros (9,9%) passava por situação de insegurança alimentar severa entre 2020 e 2022. Além disso, quase um terço (32,8%) da população do país está incluída nas categorias de insegurança alimentar severa ou moderada, o que equivale a 70,3 milhões de brasileiros. A situação mostra um agravamento no acesso à segurança alimentar no país.

Os dados nacionais fazem parte de um estudo global da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Programa Mundial de Alimentos (WFP).

A grana sobrando no TJ do Paraná e faltando para matar a fome do povo

Após a eleição da desembargadora Lídia Maejima à presidência da Corte, foi anunciada a ampliação do pagamento de vantagens e benefícios a magistrados como plataforma de campanha eleitoral.

De acordo com o Estado de S. Paulo, o TJPR pagou R$ 1 bilhão em ‘vantagens eventuais’ aos magistrados entre janeiro e outubro, como ATS e Gratificação por Acúmulo de Função (GAF), indenização por férias, licenças compensatórias, correções de direitos trabalhistas e outros benefícios legais.

Os valores representam um aumento de 130% em comparação às vantagens pagas em 2023 aos magistrados, totalizando R$435 milhões. Segundo a apuração do Estadão, o atual presidente do TJPR, desembargador Luiz Fernando Tomasi Keppen, autorizou o pagamento de R$ 27,4 milhões de penduricalhos aos juízes e desembargadores a título GAF e ATS, no mês de outubro, às vésperas das eleições na Corte.

A mudança na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2023 garantiu o reforço de extra de R$150 milhões no caixa do Poder Judiciário paranaense, montante repassado pelo governo do estado, além do orçamento previsto para o ano no valor de R$2,78 bilhões.

Quantas bocas famintas seriam alimentadas com essa verba?

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