Lula mantém força principalmente no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro apresenta desempenho mais expressivo no Sul; levantamento reforça peso das diferenças regionais na corrida ao Planalto
A corrida pela Presidência da República em 2026 segue marcada pela polarização. Levantamentos da Genial/Quaest mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) como os principais nomes da disputa, mas revelam diferenças importantes no comportamento dos eleitores dependendo da região e do estado.
Em recortes estaduais divulgados pela pesquisa, Lula demonstra maior força em estados nordestinos, enquanto Flávio apresenta vantagem em áreas onde o eleitorado de direita possui maior presença, especialmente no Sul. Entre os resultados destacados estão o desempenho de Lula no Maranhão, com 58%, e o de Flávio Bolsonaro em Santa Catarina, com 45%.
Os números funcionam como um retrato do momento em que as entrevistas foram realizadas e podem mudar ao longo da campanha.
Nordeste permanece como força de Lula
O desempenho no Maranhão reforça a importância histórica do Nordeste para o presidente. A região tem apresentado índices de apoio ao petista superiores aos observados em outras partes do país.
A força regional, entretanto, não significa que a eleição esteja definida. Até o primeiro turno, acontecimentos econômicos, desempenho do governo, campanha eleitoral, debates e alianças políticas poderão interferir na decisão dos eleitores.
As pesquisas nacionais mais recentes da Quaest também mostram Lula à frente. Na rodada realizada entre 31 de julho e 3 de agosto, o presidente apareceu com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 30%.
Flávio cresce e Sul ganha importância
Santa Catarina apresenta cenário bastante diferente. O desempenho de Flávio Bolsonaro no estado confirma a força eleitoral do campo conservador em parte da Região Sul.
A candidatura do senador também mostrou crescimento nacional recentemente. Segundo a Quaest, Flávio passou de 28% para 30% entre julho e agosto, enquanto Lula oscilou de 40% para 39%. A pesquisa identificou ainda aumento na consolidação do eleitorado de Flávio e redução de sua rejeição.
Polarização continua
Apesar da presença de outros candidatos, a disputa permanece concentrada nos dois principais polos. No levantamento nacional de agosto, Ronaldo Caiado e Renan Santos registraram 4% cada, enquanto Romeu Zema apareceu com 2%.
Em uma eventual disputa de segundo turno entre Lula e Flávio, o levantamento apontou 44% para o presidente e 39% para o senador, uma diferença de cinco pontos percentuais. No mês anterior, essa distância era de oito pontos.
Eleição será disputada estado por estado
Os números regionais mostram um país com preferências políticas bastante distintas. Enquanto Lula precisa preservar sua vantagem no Nordeste e ampliar o desempenho em outras regiões, Flávio Bolsonaro busca consolidar o eleitorado conservador e conquistar votos entre aqueles que ainda não definiram sua escolha.
A própria Quaest alerta que pesquisas medem as intenções dos eleitores em determinado momento e não devem ser interpretadas como antecipação do resultado das urnas. Campanha, mudança de opinião, comparecimento e decisão por votos brancos ou nulos ainda podem modificar o cenário.
Com a aproximação do primeiro turno, os levantamentos estaduais ganham importância para compreender um Brasil eleitoralmente diverso. Se Maranhão e Santa Catarina apresentam realidades quase opostas, o desafio dos candidatos será justamente ultrapassar suas fortalezas regionais para construir uma maioria nacional.





