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Por que o câncer que vitimou a atriz Titina Medeiros é tão letal?

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Câncer de pâncreas costuma ser descoberto tarde, o que reduz as chances de cirurgia e cura; cirurgião explica por que a posição do tumor pode mudar os sinais e atrasar o diagnóstico

A morte da atriz Titina Medeiros, aos 48 anos, por complicações de um câncer de pâncreas, reacendeu o alerta para um dos tumores mais difíceis de tratar. Um dos principais motivos é que a doença, muitas vezes, só dá sinais claros quando já está avançada e, nesse cenário, a cirurgia (que pode ser a principal chance de cura em parte dos casos) nem sempre é possível.

“O câncer de pâncreas normalmente é diagnosticado avançado, e isso diminui as chances de cirurgia e cura. Em casos iniciais, pequenos, podemos curar”, afirma o cirurgião oncológico Felipe Conde, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).

Segundo o especialista, o lugar onde o tumor aparece no pâncreas pode mudar os sintomas e influenciar quando o problema será investigado. Quando a lesão está na cabeça do pâncreas, pode comprimir um canal por onde passa a bile, o que leva a um sinal bem característico: pele e olhos amarelados.

“Quando o tumor é na cabeça do pâncreas, o paciente pode ficar ictérico (amarelo), por estar em uma região próxima à via biliar”, explica Conde.

Já quando o tumor surge no corpo ou na cauda do órgão, esse amarelo geralmente não aparece. E os sintomas podem ser mais “genéricos”, como dor na barriga ou nas costas, perda de peso e cansaço. Por isso, é comum que o diagnóstico demore mais e a doença seja descoberta em estágio mais avançado.

A consequência é um cenário duro nas estatísticas. Em levantamentos internacionais (como o SEER, dos Estados Unidos), a sobrevida em cinco anos fica em torno de 11% a 13% no total, mas pode chegar a cerca de 42% a 44% quando a doença é identificada no começo.

No Brasil, embora não esteja entre os tumores mais frequentes, o câncer de pâncreas tem alto impacto na mortalidade e aparece como a 7ª maior causa de morte por câncer entre mulheres, segundo recorte divulgado pela SBCO com base em dados internacionais.

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