A semana do Réveillon chegou com sol e calor em grande parte do país, levando muitos brasileiros às praias. No entanto, em diversos pontos do litoral, para conseguir um espaço na areia — que é pública — foi preciso pagar.
O Fantástico, exibido neste domingo (4), revelou flagrantes de abusos na cobrança feita por quiosques e barracas em praias de todo o Brasil.
Em Praia Grande, no litoral de São Paulo, a cobrança aparece logo no início da abordagem. Um atendente informa que o valor para usar mesas e cadeiras da barraca é de R$ 250 em consumação. Questionado, ele confirma que se trata de consumação mínima.
Em Itajaí, Santa Catarina, a resposta é direta: a consumação custa R$ 100.
Caso de Porto de Galinhas
Em Porto de Galinhas, conhecido destino turístico de Pernambuco, o que deveria ser uma viagem de descanso terminou em violência. O personal trainer Johnny Andrade e o empresário Cleiton Zanatta viajaram do Mato Grosso para passar as férias no litoral pernambucano.
Segundo o casal, logo no primeiro contato com a barraca, o atendente informou a cobrança de R$ 50 por duas cadeiras e um guarda-sol, afirmando que o valor não seria cobrado caso consumissem algum petisco. Mais tarde, a condição teria mudado para R$ 80, o que gerou discussão.
Johnny afirma que, ao se recusar a pagar o novo valor, foi agredido. “Ele arremessou a cadeira em mim”, relata. A confusão se espalhou e, segundo o casal, cerca de 15 a 20 vendedores participaram das agressões.
As vítimas conseguiram fugir até o carro dos salva-vidas, mas afirmam que os ataques continuaram. O casal também denuncia ter sofrido ofensas homofóbicas durante a agressão.
Após a repercussão, alguns envolvidos divulgaram vídeos com outra versão dos fatos, negando homofobia e alegando que os turistas estariam embriagados. As acusações são negadas pelo casal.
Até o momento, 14 pessoas, entre testemunhas e investigados, já prestaram depoimento. Para a Polícia Civil de Pernambuco, as imagens indicam uma agressão coletiva contra dois turistas.
Outros casos
A reportagem do Fantástico flagrou práticas semelhantes em outras praias do país, como Florianópolis, Itajaí, Caraguatatuba e Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde a cobrança aparece sob o nome de “day use”.
Segundo o secretário da Secretaria Nacional do Consumidor, Paulo Henrique Rodrigues Pereira, a prática é ilegal.
“A consumação mínima restringe a liberdade do consumidor e pode configurar venda casada. O comerciante não é dono da praia”, afirmou.





