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Prisão por cafetinagem revela esquema contra mulheres trans em Niterói

Foto: Reprodução
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A prisão por cafetinagem em Niterói revela esquema contra mulheres trans após uma operação da 76ª DP (Niterói) que resultou na captura de um ex-funcionário da Prefeitura acusado de explorar e extorquir vítimas que atuavam na prostituição no Centro da cidade. O homem, de 44 anos, foi alvo da Operação Ronda Sumbria e já havia sido exonerado do cargo público no início deste ano.

Segundo as investigações, as denúncias começaram no fim de janeiro, quando mulheres trans relataram que eram obrigadas a pagar uma espécie de “pedágio” semanal para permanecer trabalhando na área. De acordo com a polícia, quem se recusava a pagar valores que variavam entre R$ 120 e R$ 150 sofria ameaças, agressões e até expulsão do ponto.

Ao g1, uma das vítimas afirmou que o suspeito se apresentava como “dono da rua” e alegava ter influência com a delegacia local para intimidar as mulheres. “Diversas vezes ele alegava ter envolvimento com a delegacia local da cidade e extorquia um valor maior das meninas, chegando até a R$ 500. Ele as intimidava com arma de fogo, vídeos em frente à delegacia e áudios ameaçadores”, relatou.

A polícia também identificou uma mulher apontada como comparsa no esquema. Conforme os depoimentos, o investigado circulava armado pela região, realizando rondas para manter o controle da área e reforçar as ameaças. Uma adolescente de 15 anos relatou ter sido enforcada após se recusar a pagar a taxa exigida.

Outra testemunha descreveu episódios de violência e intimidação. “Ele agredia, descia com arma de fogo para intimidar, chegando a enforcar duas meninas pelo não pagamento”, contou. Em áudios atribuídos ao suspeito, ele exige o pagamento das vítimas e admite agressões.

Em um dos registros, o homem diz: “Eu só quero que você pague a rua, tá todo mundo pagando, você tem que se virar e pagar também. Se tá ruim para você, amanhã você não desce mais”. Em outro trecho, afirma: “Bicha igual a você eu tô fora, porque vocês adoram arrumar problema. Quando eu agarro vocês pelo pescoço, falam que eu sou covarde”.

O ex-servidor foi indiciado por extorsão, rufianismo qualificado e submissão de criança ou adolescente à prostituição ou à exploração sexual. Somadas, as penas previstas podem ultrapassar 28 anos de reclusão, segundo a Polícia Civil.

O caso também passou a ser acompanhado pela vereadora de Niterói Benny Briolly, que encaminhou a denúncia ao Ministério Público e solicitou providências. “O processo de denúncia é sempre muito doloroso, porque você tem que lidar com vítimas de tamanha crueldade. Estamos solicitando apoio psicológico e financeiro a essas mulheres, porque muitas delas vão precisar deixar de trabalhar, e precisamos de apoio para que haja a permanência da segurança alimentar delas”, afirmou.

A parlamentar reforçou a necessidade de políticas públicas de acolhimento. “É preciso que haja uma humanização. Essas meninas não estão ali porque querem, mas porque querem sobreviver em um sistema que as exclui do sistema de trabalho e as força, historicamente, a buscar a prostituição como meio de sobrevivência”, declarou.

Benny Briolly também destacou: “Travestis e mulheres trans merecem dignidade, oportunidades, proteção e o direito básico de existir sem medo”. E completou: “Enquanto eu estiver eleita, nenhum corpo trans será violado, explorado ou silenciado. Nosso mandato é instrumento de defesa, resistência e transformação. Direitos humanos não se negociam”.

Procurada, a Prefeitura de Niterói informou que o ex-funcionário foi exonerado por decisão administrativa do cargo de encarregado na Administração Regional da Ponta da Areia, para o qual havia sido nomeado em fevereiro de 2025.

O caso segue sob investigação e pode trazer novos desdobramentos nos próximos dias, especialmente diante das denúncias envolvendo vulnerabilidade social e possível exploração de menor de idade.

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