Criado dentro da Escola Livre Entre Lugares Maré, o espetáculo Querô – Sempre uma Reportagem Maldita realiza temporada no mês de abril, no Museu da Maré e no Teatro Municipal Gonzaguinha, no Centro do Rio, com entrada gratuita nos dois espaços.
Apresentada pelo Coletivo Corte, a encenação baseia-se na utilização da mecânica de luzes e elementos cênicos para contar a história de um menino moldado pela violência estrutural da cidade. Filho de uma mulher empurrada às margens, Querô cresce sem a promessa da infância e aprende desde cedo que certos corpos nascem sob suspeita.
Entre ruas, instituições de correção e a pedagogia do castigo, sua trajetória revela um sistema que transforma abandono em método e repressão em política pública. Nessa dinâmica não cronológica, a peça mostra o presente, o passado e o futuro do texto e da vida real, usando como referência a mobilidade da vida noturna do Complexo de Favelas da Maré, zona Norte do Rio de Janeiro.
“É pulsante a crítica social e política presente nos artistas que, no jogo cênico, ora são personagens, ora criadores de espaço, modificando o ambiente com a iluminação e cenário, ora artistas periféricos, tensionando a relação da sociedade e das pessoas que estão à margem do sistema”, explica o Coletivo Corte.
Ainda segundo o Coletivo Corte, Querô – Sempre uma Reportagem Maldita é uma produção que provocou identificação imediata dos artistas, com a história de um jovem atravessado pela política da falta que recria estratégias para sobreviver em um mundo que lhe nega direitos básicos. A partir dessa identificação, foi realizada a adaptação da obra para aproximá-la da própria realidade: carioca, mareense, jovem e provocadora.
“Recriamos intermediados pela arte uma denúncia e ao evidenciar essas vivências de forma sensível, buscamos não apenas despertar empatia, mas também provocar o público a refletir sobre as desigualdades sociais e o efeito das faltas de acesso à saúde, educação, alimentação”, reafirma o Coletivo.
“O texto rasga protocolos, insiste nas relações inexoráveis de tortura e a encenação acrescenta outras camadas para a discussão sobre quem são e onde estão os Querôs de 2026 no texto de Plínio escrito em 1976, 50 anos depois? A estética e a dinâmica, no formato esquete, é o fio condutor para a nossa reconstrução ambientada na Favela da Maré”, finaliza Renata Tavares, dramaturga da adaptação.
O Coletivo Corte surge dentro da Escola Livre Entre Lugares Maré, a partir do encontro de jovens artistas durante o processo formativo do Festival de Cenas Curtas.
Ficha técnica
Idealização: Coletivo Corte
Dramaturgia: Plínio Marcos
Adaptação dramatúrgica:Coletivo Corte e Renata Tavares
Elenco: Edson Martins, Fernanda Pontes, Jade Cardozo, Roger Neri, Thiago Manzotti, Yasmim Rodrigues
Encenação: Renata Tavares
Iluminação e Operação de Luz: Lucas da Silva
Operação de som: Maya Oliver
Figurino: Jade Cardozo, Thiago Manzotti
Cenografia: Rafael Rougues
Trilha Sonora: Zaratustra
Coreografias: Coletivo Corte
Agentes de Pesquisa Corporal: Alynah Vênus, Karla Muniz Ribeiro, Maryana Oliveira, Zabel Araújo
Social Media: Rebeca Carvalho
Foto de Divulgação/Fotógrafo: Zé Bismarck
Videomaker: Marco Brendon
Designer: Caju Ribeiro
Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa
Assistentes de Produção: Edson Martins, Fernanda Pontes, Thiago Manzotti, Vanu Rodrigues
Direção de Produção: Vanessa Greff
Serviços
Espetáculo Querô – Sempre uma Reportagem Maldita
Museu da Maré
02, 03, 04, 05, 09,10,11 e 12/04 de quinta á domingo às 19h30
Endereço: Avenida Guilherme Maxwell Nº 26, Morro do Timbau, Complexo da Maré.
Ingresso: Gratuito.
Teatro Municipal Gonzaguinha
15, 16, 17, 18, 22, 23, 24 e 25/04 de quarta á sábado ás 19 horas
Endereço: Rua Benedito Hipólito nº 125 / 3º andar
Ingresso: Gratuito
Duração: 80 min
Classificação: 16 anos





