O gabinete aparece frequentemente nas listas de bibliotecas mais belas do mundo, como a do Trinity College, em Dublin, e a de Alexandria
O Real Gabinete Português de Leitura, no centro do Rio de Janeiro (RJ), é uma das bibliotecas mais bonitas do mundo. A biblioteca possui a maior e mais valiosa coleção de obras de autores portugueses fora de Portugal, com um acervo inteiramente informatizado de mais de 350 mil volumes.
O Real Gabinete recebe de Portugal, pelo estatuto de “depósito legal”, um exemplar de todas as obras publicadas no país. É a única instituição, fora do território português, que mantém este privilégio.Entre as obras de destaque em exibição, estão a primeira edição de Os Lusíadas, de Camões, de 1572, que pertenceu à Companhia de Jesus e as Ordenações de Dom Manuel, por Jacob Cromberger, editadas em 1521; os Sermões do Padre Antônio Vieira, de 1689; manuscritos de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco; e o Dicionário da Língua Tupy, de Gonçalves Dias.
O Real Gabinete foi fundado em 1837 por um grupo de imigrantes para promover a cultura entre a comunidade portuguesa na então capital do Império. O edifício da atual sede foi projetado pelo arquiteto português Rafael da Silva e Castro e erguido entre 1880 e 1887 com um estilo arquitetônico que evoca o gótico-renascentista.
A fachada, inspirada no Mosteiro dos Jerónimos de Lisboa, foi talhada em Lisboa pelo escultor Germano José Salles e trazida de navio para o Rio de Janeiro. Quatro estátuas na entrada retratam Pedro Álvares Cabral, Luís de Camões, Infante D. Henrique e Vasco da Gama. No salão principal do edifício de estilo neomanuelino, turistas e estudantes erguem os celulares para fotografar as estantes altíssimas e os vitrais.
O estilo neomanuelino do fim do século 19 evoca o gótico tardio —às vezes chamado de “flamejante”, pelos ornamentos intrincados que lembram línguas de fogo— da época das navegações sob D. Manuel, o Venturoso, em cujo reinado (1495-1521) os portugueses descobriram o Brasil.A biblioteca, só para sócios, foi criada em 1837 por um grupo de 43 imigrantes, alguns perseguidos pelo absolutismo português.
Para chegar ao endereço atual, levou 50 anos. O prédio começou a ser erguido em 1880, num esforço da comunidade portuguesa para homenagear os 300 anos da morte de Camões.
Por isso o local da construção, a antiga rua da Lampadosa, no centro do Rio, ganhou o nome do autor de “Os Lusíadas”.Na fachada do número 30, são proeminentes as figuras da epopeia das navegações: Vasco da Gama, o infante D. Henrique e Cabral.
A visitação passou a ser aberta ao público em 1900, e o Real Gabinete abriga, hoje, a maior e mais valiosa biblioteca de autores portugueses fora de Portugal.
O Gabinete tem um centro de estudos, que organiza congressos, conferências e publica uma revista sobre literatura.Com diversos andares repletos de estantes de livros antigos, o local parece um cenário de algum filme da série Harry Potter e é altamente instagramável. A entrada é gratuita para visitação.