A Grupo Especial na Sapucaí inicia a maratona de desfiles neste domingo (15), a partir das 22h, com quatro escolas abrindo a primeira noite de apresentações. Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira entram na Avenida com enredos que prometem repercussão dentro e fora da Passarela do Samba.
Pelo regulamento oficial, cada agremiação terá entre 70 e 80 minutos para apresentar seu desfile. Pelo segundo ano consecutivo, o formato prevê quatro escolas por noite, ampliando o ritmo da competição.
Acadêmicos de Niterói aposta em trajetória de Lula
Estreando no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói leva para a Avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A escola retrata a trajetória do presidente da República, desde a infância em Pernambuco até os mandatos à frente do país.
O carnavalesco Tiago Martins detalha a narrativa do desfile. “Nosso desfile começa contando sua vida em Garanhaus com as lendas que assombravam a família. Depois, dona Lindu parte para São Paulo em um pau de arara por 13 noites e 13 dias. Nosso terceiro setor conta a história de Lula em São Paulo, onde foi engraxate, sindicalista, operário até se tornar presidente. E encerramos o nosso desfile nas cores do Brasil, para ressaltar que o verde, o amarelo, o azul e o branco não representam um partido e sim um país”, explica.
O enredo gerou debates nas redes sociais e no Congresso, com críticas de parlamentares que apontam possível viés político.
Imperatriz celebra Ney Matogrosso
Com o enredo “Camaleônico”, a Imperatriz Leopoldinense presta homenagem a Ney Matogrosso. A proposta destaca as múltiplas facetas do artista e sua postura transgressora durante a Ditadura Militar.
O carnavalesco Leandro Vieira explica que as alegorias e fantasias traduzem a multiplicidade do cantor. “São muitas referências desse personagem que não aceitou o enquadramento único e fez disso o manifesto político. Estamos falando de um artista que explode nacionalmente dentro de um universo político da Ditadura, em que a normatividade é quase como uma imposição. Nesse ambiente, apresentar-se múltiplo, não hegemônico, vestir-se de maneira não normativa, incorporar a androginia como elemento estético, isso é muito transgressor.”
Ney está confirmado em uma das alegorias, com figurino assinado pelo próprio carnavalesco e repleto de cristais e bordados.
Portela exalta resistência negra no Sul
Penúltima da noite, a Portela apresenta “O mistério do Príncipe do Bará – A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”. A escola aborda a religiosidade afro-gaúcha e a resistência da população negra no Rio Grande do Sul.
O carnavalesco André Rodrigues destaca o papel do Príncipe Custódio na formação do Batuque. “A partir desse lugar de uma pessoa importante e influente, ele organiza a vida social da negritude do Rio Grande do Sul e, a partir dessa organização, nós vamos ter a criação de uma das principais religiões afrodescendentes do Brasil, que é o Batuque.”
Mangueira encerra com homenagem a mestre Sacaca
Fechando a noite, a Estação Primeira de Mangueira apresenta “Mestre Sacaca do encanto tucuju – O guardião da Amazônia Negra”. O enredo celebra tradições afro-indígenas do Norte do Brasil e a identidade do povo Tucuju.
O carnavalesco Sidnei França explica a proposta. “Ele mergulhou nos rios, se embrenhou nas matas, aprendeu com os negros e os indígenas, por isso o enredo é afro-indígena. O mestre Sacaca carrega essa herança muito ligada à ideia de cura, proteção através de garrafadas, chás, unguentos e infusões.”
Com temas que passam por política, arte, religiosidade e ancestralidade, a primeira noite do Grupo Especial promete debates, emoção e impacto visual — e o desempenho dessas quatro escolas pode definir o rumo da disputa pelo título deste Carnaval.





