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Serra: Revolta das Garrafadas ou Noite das Garrafadas

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Para melhor compreender a Revolta das Garrafadas é necessário entender a crise política que o país enfrentava, com o governo imperial.

No governo de D. Pedro I as relações entre portugueses e brasileiros continuavam a ser bastante complicadas. Para a elite e as personagens políticas brasileiras, a presença de portugueses na Assembleia e nos quadros ministeriais abria precedentes para a manutenção dos privilégios desfrutados pelos lusitanos desde o período colonial. O chamado “Partido Português” apoiava uma estrutura política centrada na figura de D. Pedro I. Postura que era combatida, com muito vigor, pelos liberais brasileiros que exigiam maior autonomia dos governos provinciais.

Durante o período em que governou o país, D. Pedro I acumulou uma série de acusações políticas que o julgaram alheio à realidade nacional e sofreu duras críticas do seu comprometimento com a influência política dos portugueses.

Através de uma sucessão de fatos, D. Pedro I começou a perder popularidade. O primeiro deles foi a dissolução da Assembleia Constituinte para impor a Constituição do Império de 1824, a fim de concentrar todos os poderes em suas mãos.

A violência empregada na repressão à Confederação do Equador foi, também, um dos fatores de sua impopularidade. A Confederação foi uma revolta republicana, federalista e separatista que teve início  em Pernambuco, no ano de 1824 e estendendo-se às províncias da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte contra o autoritarismo de D. Pedro I que dissolveu a Assembleia Constituinte, impondo a Constituição de 1824 que centralizava o poder e o autoritarismo do império. Um dos líderes da Confederação do Equador, foi Frei Caneca que após ter recebido sua condenação pela sua participação no motim, foi fuzilado em praça pública, após a recusa de todos os carrascos de executarem o enforcamento.

Em 1826, com a morte de D. João VI, D. Pedro I se envolveu em discussões que definiriam o nome daquele que ocuparia o trono português. Episódio que gerou um forte clima de desconfiança sobre suas reais intenções sobre a recém-criada nação brasileira.

A Guerra de Cisplatina contribuiu para a instabilidade do império. A dívida externa brasileira com a Inglaterra, fornecedora de armas e capitais, aumentou e o país ficou preso a uma dívida e corroído por uma crescente inflação, que levou o império  a perda de sua estabilidade econômica.

Mesmo livre da dependência política de Portugal, o Brasil enfrentava a interferência portuguesa nos campo político e econômico, situação que desagradava aos brasileiros que viam nesse gesto uma possível recolonização e desprestígio brasileiro perante o governo.

A imprensa teve um papel importante, no Primeiro Reinado e em várias localidades do Brasil. Jornais e panfletos foram utilizados para atacar o Imperador e divulgar os ideais que não eram aceitos pelo governo autoritário, como a república e as ideias defendidas por revoltosos.

Um desses jornalistas que atuavam na linha de frente como oposicionista de D. Pedro I foi o italiano radicado no Brasil Giovanni Battista Libero Badaró, que escrevia artigos denunciando a imperícia e descaso do governo imperial. Assassinado em novembro de 1830 e cuja morte foi atribuída, por alguns, ao Imperador. Fato que gerou comoção, no país, e aumento da já crescente e instalada insatisfação com o império.

Tentando amenizar e  recuperar sua popularidade, D. Pedro I, com sua esposa e uma numerosa comitiva, realizaram uma série de viagens as províncias brasileiras, na tentativa de reverter o quadro de extrema oposição política dedicada ao seu governo. Ao voltar de Minas Gerais, onde a sua recepção não foi nada calorosa, os portugueses residentes no Rio de Janeiro, visando elevar os ânimos do Imperador, o receberam com homenagens.

Na noite de 13 de março de 1831, D. Pedro I retornava à capital do império e fora recebido, por portugueses, com uma grande festa. A qual foi vista como uma provocação pelo Partido Brasileiro que reunia liberais moderados e exaltados.  Brasileiros descontentes saíram às ruas bradando contra os portugueses e reverenciando a Constituição e a liberdade de imprensa e respondidos por aclamações ao Imperador absoluto.

O conflito a céu aberto, conhecido como a Noite das Garrafadas ou Revolta das Garrafadas, foi protagonizado por um quebra-quebra generalizado. Paus, pedras, garrafas, facas, insultos e agressões partiram de ambos os lados, um rastro de sangue, de gritos, de gemidos e feridos. A ordem só foi instaurada, quatro dias após, em 17 de março com o auxílio de juízes de paz.

Como consequência da revolta, o Imperador nomeou um novo ministério composto, apenas, de brasileiros, o qual não foi o suficiente para acalmar os ânimos do povo. Então, quinze dias após, demitiu todo o ministério e mostrando sua autoridade nomeou o “Ministério dos Marqueses” composto apenas por aristocratas portugueses.

Tal ato causou uma grande reação popular que, desta vez, com apoio das tropas militares se reuniram no Campo de Santana contra o governo do Primeiro Reinado. Não tendo mais o apoio político e militar D. Pedro I renunciou ao trono em favor de seu filho D. Pedro de Alcântara- ainda menor de idade – e retorna a Portugal.

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