O socorro ao Banco Master concedido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) continha uma cláusula de segurança que autorizava a suspensão imediata da ajuda financeira caso a instituição ou seu controlador passassem a ser investigados pela Polícia Federal (PF) ou pelo Ministério Público Federal (MPF). A informação foi revelada inicialmente pela Folha de S. Paulo e confirmada posteriormente.
Em maio de 2025, o FGC emprestou R$ 4 bilhões ao banco para garantir o pagamento de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), em meio a dificuldades de liquidez enfrentadas pela instituição. O Master havia deixado de captar novos recursos desde março daquele ano, o que agravou sua situação financeira.
Especialistas apontam que esse tipo de cláusula é comum em contratos de crédito de alto valor, sobretudo em operações emergenciais. A previsão contratual funciona como mecanismo de proteção ao credor, permitindo a interrupção do fluxo de recursos quando ocorre mudança relevante no perfil de risco da operação.
Na tentativa de reforçar o caixa, o controlador do banco promoveu a venda de ativos pessoais e institucionais, incluindo participações empresariais, imóveis e direitos creditórios negociados com o BTG, o que resultou na entrada de cerca de R$ 1,5 bilhão. Também houve a alienação da seguradora Kvor, posteriormente adquirida pela J&F, controladora da JBS.
Paralelamente, o banco tentou concluir uma operação societária com o Banco Regional de Brasília (BRB), que previa a compra de participação relevante no Master. O negócio, no entanto, foi rejeitado pelo Banco Central, que apontou inconsistências nos documentos apresentados.
Pouco depois da negativa, a Polícia Federal instaurou inquérito para apurar suspeitas de fraude contra o sistema financeiro, falsidade documental e possíveis prejuízos a instituições públicas. Com a investigação em andamento, a cláusula prevista no contrato impediu a liberação de novos recursos pelo FGC.
Sem acesso a novas linhas de socorro e com compromissos financeiros elevados, a situação do banco tornou-se insustentável. O Banco Central decretou a liquidação da instituição em novembro de 2025. No mesmo dia, o controlador do banco foi preso preventivamente ao tentar deixar o país, sendo posteriormente solto e submetido ao uso de tornozeleira eletrônica.
Procurados, o FGC e o Banco Master informaram que não comentam detalhes de contratos ou situações envolvendo associados. Especialistas destacam que a cláusula em questão reflete uma prática consolidada de gestão de risco em operações financeiras de grande porte.



