Categorias
Destaque Diário do Rio Notícias do Jornal Sabrina Campos | A vida como ela é

Mãe caridade

Nascida em Belém do Pará, quando se instalou no Rio de Janeiro, ficou
conhecida pela vizinhança como “a mãe dos 10”. Assim conta D. Esther Marques da Cunha, viúva de Álvaro da Cunha – “o Poeta do Amapá”.

Álvaro da Cunha, (1923 – 1995), renomado escritor brasileiro, autor de
grandes obras reconhecidas, inclusive, internacionalmente, também era
administrador, e, desempenhou diversas funções de alta relevância em serviço à nação, como a presidência da Companhia de Eletricidade do Amapá. Embora tenha tido papel fundamental na criação do Estado do Amapá, tornou-se conhecido e marcou a história do Brasil, com a qual a sua própria se confunde, através de sua atuação em benefício da sociedade ao desenvolvimento da cultura, da arte, da literatura e do jornalismo de informação.

Musa inspiradora de suas obras, companheira, amiga, amante, Esther,
árvore frondosa, de raízes profundas, fortes ramificações e frutos doces, domina ainda hoje, aos 97 anos, a família que criou e cultivou. Mulher de pulso firme e gentis afagos aos seus, fala mansa e também palavras duras, ou cânticos que enfeitiçam os bisnetos a dormir, tal qual acalmava seus filhos.

Esther é a típica mãe: pilar de sua casa, que mantém de pé o lar de todos os que lhes corre nas veias, e dá sobrenome, apenas por sua existência: respeito. Fortaleza que mantém a instituição sagrada – família – unida e avante, independente das dificuldades: esperança.

Engravidou 22 vezes, mas só 10 filhos sobreviveram. Perdeu os irmãos, o marido, e, até um filho já adulto e um neto ainda jovem. Enquanto coleciona dores, alegra-se mesmo no sofrimento, é uma sobrevivente salva pela sua sabedoria e fé: luz.

O filho Haroldo, desde menino, trazia animais de rua para casa e, todos
os dias, uma criança que encontrasse ao relento para almoçar na mesa farta. Já idoso, continua o feito, as filhas cresceram com animais resgatados, até apareceu com uma mãe e bebê na porta de casa porque chovia demais e estavam sem abrigo.

Esther é caridade, na sua mesa sempre há lugar para mais um. No seu
coração, os netos se aconchegam como nos seus braços. É a bisa que canta aos pequeninos da nova geração! Acolhedora, é autoridade. Amável, repreende com retidão. Protetora, porém, justa. Sua voz ecoa, seus ensinamentos se repetem pelos que tanto aprenderam com o seu amor ao próximo, o seu doar, entrega, sacrifício: maternidade. Neste Natal, como Esther, cuja voz perdura e se alastra, faça a sua voz ser ouvida!