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De Minas para o mundo, os Passos de Selton Mello

Selton Mello é um ator, dublador, diretor e produtor brasileiro premiado inúmeras vezes por seus personagens em filmes e séries e por sua direção.

Nascido em Passos, Minas Gerais, ainda criança se mudou para São Paulo com sua família. Devido a sua carreira de ator, passou a residir na cidade do Rio de Janeiro. É filho de Dalton Natal de Melo e Selva Aretuza Figueiredo Melo e irmão do também ator Danton Mello.

Na TV desde os 7 anos, Selton estreou na carreira artística no seriado “Dona Santa”, exibido em 1979 pela TV Bandeirantes. Dali em diante, o ator não parou mais, ganhando a cada trabalho mais sucesso e reconhecimento de seu talento.

Sério, estudioso, organizado, Selton Mello nem parecia uma criança quando começou a atuar na televisão. Sabia de cor os textos dos parceiros em cena na novela, como o de Antonio Fagundes, Débora Duarte e Glória Menezes. “Eu ia fazer a cena, falava o meu texto, eles titubeavam e eu falava: Não, agora você fala isso”.

Em 1990, fez sua estreia no cinema através do filme Uma Escola Atrapalhada no papel de Renan. Mas foi em 2000, sendo protagonista juntamente com Matheus Nachtergaele que teve sua vida marcada pelo filme O Auto da Compadecida, tendo sido o filme brasileiro mais visto no mesmo ano de sua estreia.

Além do Auto da Compadecida, outro filme icônico de sua carreira é o Meu Nome Não É Jhonny. O filme foi premiado seis vezes no Grande Prêmio Cinema Brasil e representou o país na lista para indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Pelo mesmo filme, Selton recebeu o Prêmio Contigo Cinema em 2008.

Tendo mais de 60 prêmios na carreira, Selton Mello está atuando em Hollywood como diretor. O ator e cineasta está dirigindo o filme “Cathedral City”, seu primeiro projeto nos Estados Unidos e tem estreia marcada para 2023. Mello revelou a novidade à revista “Variety” e disse estar muito empolgado com o projeto, com o qual se envolveu após ser contatado pelos produtores Tai Duncan e Paul Schiff.

Sempre muito discreto em sua vida pessoal, Selton não se casou ou teve filhos. O próprio ator não se importa em ser solteiro e solitário, tendo tido poucos relacionamentos duradouros. Entre 1994 e 1997, namorou a atriz Danielle Winits. Entre 2000 e 2002, namorou a atriz Andréa Leal. Teve um breve relacionamento com Luana Piovani durante as filmagens de A Mulher Invisível, em 2009.

Selton Mello está sempre ligado a causas sociais. O ator foi o convidado no ano de 2006 para estrelar o filme e anúncios criados para a Campanha do Agasalho, com foco na conscientização de jovens a ajudar na arrecadação.

No período da pandemia, quando chegou o seu momento de vacinação, o ator foi vacinado em sua faixa etária. Além de mostrar o momento especial em suas redes sociais, o artista aproveitou a deixa para fazer um manifesto que provocou impacto nos internautas. “Precisamos sair desse círculo vicioso. Precisamos inaugurar um círculo virtuoso. Viva a ciência & os profissionais da saúde! Sigo desejando um Brasil mais afetuoso, acolhedor, gentil nos sentimentos, empático, mais justo, elevado intelectual e espiritualmente. Sigo com fé & esperança”.

 

 

 

 

 

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Bom de bola e de samba – Leovegildo, o mestre Júnior

Leovegildo Lins Gama Júnior, também conhecido como Júnior, Maestro Júnior ou Júnior Capacete é um ex-futebolista e ex-treinador brasileiro que atuava como lateral-esquerdo. Atualmente trabalha como comentarista esportivo na Rede Globo.

Como jogador, era ambidestro e polivalente, bom marcador e grande distribuidor de jogadas, independente da posição. A facilidade para jogar bem com as duas pernas o permitiu atuar como lateral-esquerdo, direito, volante e meio-campista. Jogador de extrema técnica e rara habilidade, ele tinha grande visão de jogo, precisão nos passes, e era ótimo cobrador de faltas e escanteios – tendo feito inclusive alguns gols olímpicos.

Fez fama atuando pelo Clube de Regatas do Flamengo, onde jogou 865 partidas, sendo o jogador que mais vezes vestiu a camisa rubro-negra. Pelas contas do site Fla-Estatística, foram 876  jogos entre 6 de novembro de 1974, quando entrou no lugar de Humberto Monteiro em um amistoso contra o Operário, e 19 de agosto de 1993, quando disputou dois amistosos de 45 minutos cada contra Zaragoza e Internazionale. Júnior participou de 508 vitórias, 212 empates e 156 derrotas, marcando 78 gols. Em 2020, em um ranking elaborado por especialistas dos jornais O Globo e Extra, figurou na 2ª posição entre os maiores ídolos de futebol da história do Clube de Regatas do Flamengo, atrás apenas do Zico.

Em 1981, foi eleito o 3º Maior Futebolista sul-americano do ano e, pela Revista Italiana Guerin Sportivo, o 7º Maior Futebolista do Mundo no ano. Em 2020, foi indicado pela FIFA como um dos elegíveis para o Time dos Sonhos da Bola de Ouro.

Apesar de ter largado os gramados aos 39 anos, Júnior jogou na areia até os 47. Parou em 2001, depois de enfileirar títulos com a seleção nacional e pavimentar a estrada para que o esporte fosse reconhecido no país. Hoje, ainda joga futebol, mas as peladas são cada vez mais raras.

Seus primeiros trabalhos como comentarista foram nos canais SporTV e Premiere, onde trabalhou de 1998 a 2003.

Em 2005, ele assinou contrato com a Rede Record de Televisão em 2005. Ficou um ano na emissora da Barra Funda e depois voltou a comentar pela Rede Globo de Televisão. Desde então ele trabalha para a equipe de esportes da Rede Globo, sendo o comentarista titular dos jogos de times do Rio de Janeiro. Como comentarista dos canais da emissora, participou de todas as Copas do Mundo desde 1998.

Além disso, desde 2012 é membro do Conselho Fiscal da AGAP – Associação de Garantia ao Atleta Profissional do Rio de Janeiro.

Em 1982, Júnior foi intérprete de uma música que tocou no Brasil inteiro: “Voa Canarinho, Voa”, que marcou a campanha da seleção na Espanha. O “Maestro” tem uma forte ligação com o samba e com os grandes intérpretes e compositores. Uma das suas canções prediletas é “Missão”, feita por João Nogueira em homenagem ao filho Diogo.

Além de excelente jogador, Maestro Júnior também é responsável pele evento beneficente “Samba dá Sopa”, o propósito do encontro que acontece há 13 anos é solidário e todo valor arrecadado é revertido a instituições beneficentes e costuma acontecer no Renascença Clube, em Andaraí.

O pagode que sempre está ao comando do mesmo, sempre contagia quem se compromete a abraçar a causa com um repertório de samba variados e alegres onde, nos encontros, todos cantam juntos.

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Roberto Dinamite – 29 anos fazendo história no Vasco

Carlos Roberto de Oliveira, mais conhecido como Roberto Dinamite, é um ex-futebolista brasileiro que atuava como atacante. Já foi eleito deputado estadual do Rio de Janeiro pelo PMDB por cinco mandatos consecutivos. Foi jogador do Vasco da Gama durante a década de 70, 80 e 90 e encerrou a carreira no mesmo. Também foi presidente do clube entre 2008 e 2014.

É conhecido como ídolo do Vasco pelos torcedores, onde jogou 21 dos seus 22 anos como profissional, sendo o maior goleador da história do clube, com 708 gols, e o atleta com mais jogos disputados – 1110 bem como o maior artilheiro do Estádio de São Januário, com 184 gols.Foi considerado, numa votação entre 240 personalidades vascaínas pela Revista Placar, como o maior jogador da história do Vasco. É também, junto com Pelé e Rogério Ceni, o único jogador do futebol brasileiro a ter mais de mil jogos por uma equipe. Dinamite destaca-se, ainda, por ser o maior artilheiro da história do Campeonato Brasileiro (190 gols) e do Campeonato Carioca (279 gols). É considerado pela IFFHS o quinto maior goleador do futebol mundial em campeonatos nacionais de primeira divisão, com 470 gols em 758 jogos.

Carlos Roberto de Oliveira nasceu em 13 de abril de 1954, às 4h25, no bairro São Bento, em Duque de Caxias. Logo cedo, Roberto (que naquela época era conhecido pelo apelido de Calu) começou a mostrar intimidade com a bola. Igual a muitas crianças apaixonadas pelo futebol, chegava a dormir com ela nos braços enquanto imaginava as jogadas que faria na próxima partida de várzea.

Aos 12 anos, o pequeno Calu já era titular do principal time do bairro, o Esporte Clube São Bento, onde se destacava como artilheiro. Nessas peladas tinha uma característica marcante: era o mais ‘fominha’ e exigia de seus companheiros que as jogadas de ataque passassem pelos seus pés. Contudo, quando recebia a bola, dificilmente a devolvia.

No ano de 1969, foi convidado a treinar nas categorias de base do Vasco por Gradim, olheiro do clube, responsável por garimpar jovens talentos nos campos de pelada espalhados pelo subúrbio do Rio de Janeiro. Um mês depois, já estava jogando na equipe juvenil dirigida por Célio de Souza. Em pouco mais de um ano no clube, já anotava mais de 46 gols.

No Campeonato Carioca de Juvenis de 1970 foi o artilheiro vascaíno, com 10 gols. Já no mesmo torneio, no ano seguinte, foi mais longe: foi o artilheiro da competição, com 13 gols.

O centroavante atuou pelo time profissional do Vasco de 1971 a 1980, quando se transferiu para o Barcelona, numa negociação que envolveu muito dinheiro. Voltou ao clube três meses depois, onde ficou até 1989, antes de ser negociado com a Portuguesa. Seis meses depois, Dinamite estava novamente no Vasco, para encerrar sua brilhante carreira, em 1993, aos 39 anos de idade.

Dinamite conseguiu a média de 36 gols por temporada nos 22 anos de carreira – disputou 1.108 partidas. Seu melhor ano foi em 1981, quando deixou por 62 vezes a sua marca, superando o recorde de Zico, o maior ídolo da torcida do rival, o Flamengo, que havia feito 60.

Participou da conquista de cinco estaduais – 1977, 1982, 1987, 1988 e 1992. Em 1974, conquistou o título de campeão brasileiro batendo o Cruzeiro na final por 2 a 1. Apesar de não ter marcado na decisão, Roberto Dinamite foi o artilheiro da competição com 16 gols e maior responsável pelo inédito título.

 

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Cacá Diegues: uma vida dedicada ao cinema nacional

Carlos José Fontes Diegues, conhecido como Cacá Diegues, nasceu em 19 de maio de 1940. Alagoano de Maceió, ele mudou-se para o Rio de Janeiro junto de sua família quando tinha seis anos de idade.

Estudou no Colégio Santo Inácio, dirigido por jesuítas, até ingressar na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), onde fez o curso de Direito. Como presidente do Diretório Estudantil, fundou um cineclube, iniciando suas atividades de cineasta amador com David Neves, Arnaldo Jabor, entre outros. Ainda estudante, dirigiu o jornal O Metropolitano, órgão oficial da União Metropolitana de Estudantes e juntou-se ao Centro Popular de Cultura (CPC), ligado à União Nacional dos Estudantes (UNE).

Em 1962, no CPC, Diegues dirige seu primeiro filme profissional, Escola de Samba Alegria de Viver. Em 1969, após a promulgação do AI-5, Diegues deixa o Brasil, vivendo primeiro na Itália e depois na França, com sua esposa, a cantora Nara Leão. De volta ao Brasil, ele realiza mais dois filmes – Quando o Carnaval Chegar (1972) e Joanna Francesa (1973). Em 1976, dirige Xica da Silva, seu maior sucesso popular.

Em 1978, Diegues inventa, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a expressão “patrulhas ideológicas” para denunciar alguns setores da crítica que desqualificavam os produtos culturais não alinhados a certos cânones da esquerda política mais ortodoxa.

Nesse período de início da redemocratização do país e de renovação do cinema brasileiro, realiza Chuvas de Verão (1978) e Bye Bye Brasil (1979), dois de seus maiores sucessos.

Em 1984, realiza o épico Quilombo, uma produção internacional comandada pela Gaumont francesa, um velho sonho de seu realizador.

Numa fase crítica da economia cinematográfica do país, produziu dois filmes de baixo custo, Um Trem para as Estrelas (1987) e Dias Melhores Virão (1989). Na mesma fase, realizou, em parceria com a TV Cultura, Veja esta Canção (1994). Quando a nova Lei do Audiovisual finalmente é promulgada, ele é um dos poucos cineastas veteranos ainda em atividade – trabalhando com comerciais, documentários, videoclipes. Entre seus sucessos que seguiram incluem-se Tieta do Agreste (1996), Orfeu (1999) e Deus É Brasileiro (2003).

A maioria dos 18 filmes de Diegues foi selecionada por grandes festivais internacionais, como: Cannes, Veneza, Berlim, Nova York e Toronto, e exibida comercialmente na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina – o que o torna um dos realizadores brasileiros mais conhecidos no mundo.

É oficial da Ordem das Artes e das Letras (l’Ordre des Arts et des Lettres) da República Francesa e membro da Cinemateca Francesa. O governo brasileiro também lhe concedeu o título de Comendador da Ordem de Mérito Cultural e a Medalha da Ordem de Rio Branco, a mais alta do país.

Tem dois filhos, Isabel e Francisco, do seu casamento com a cantora Nara Leão (se separaram em 1977, 12 anos antes de Nara falecer). Desde 1981, é casado com a produtora de cinema Renata Almeida Magalhães, com quem teve a filha Flora.

Em 30 de agosto de 2018, o cineasta foi eleito novo imortal da Academia Brasileira de Letras, na cadeira de nº 7, que já foi ocupada pelo escritor Euclides da Cunha e pelo fundador da ABL, Valentim Magalhães.

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Chico Buarque de Holanda: O poeta da MPB

Francisco Buarque de Holanda nasceu no dia 19 de junho de 1944, no Rio de Janeiro. Seu pai, Sérgio, era sociólogo e sua mãe, Maria Amélia Cesário Alvim, pianista. O músico é o quarto de sete irmãos. Quando o artista tinha dois anos, sua família mudou-se para São Paulo. Aos cinco anos, Chico Buarque começou a demonstrar interesse pela música. Em 1953, a sua família mudou-se para a Itália. A casa da família era ponto de encontro de artistas e intelectuais, como o poeta Vinícius de Moraes.

Na pré-adolescência, o músico compôs algumas canções no estilo opereta, que eram encenadas por suas irmãs Maria do Carmo, Ana Maria, Cristina e Miúcha. Na adolescência, Chico gostava de ler clássicos da literatura francesa, alemã e russa.

Quando ainda jovem, ele gostava de música internacional. Tudo mudou quando Chico Buarque ouviu o disco “Chega de Saudade” (1959), de João Gilberto. De acordo com o que ele contou em uma entrevista, “aí deu o estalo de que queria fazer MPB”.

Na época de universitário, ele reunia-se com os colegas para fazer marchinhas e tocar violão. A sua primeira composição foi “Canção dos olhos”, em 1959, quando tinha 15 anos. “Marcha para o sol”, de 1964, foi a primeira música de Buarque a ser gravada. Ela foi interpretada por Maricenne Costa, mas o artista disse que a canção “Tem mais samba”, do mesmo ano, foi o seu marco inicial como compositor e cantor. O primeiro compacto em vinil de Chico foi em 1965 e chama-se “Pedro Pedreiro e o sonho de carnaval”.

Chico Buarque participou de diversos festivais. Em 1966, sua canção “A banda”, interpretada por Nara Leão, ficou em primeiro lugar junto com a música “Disparada”, no II Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record.

Em 1968, ele e Tom Jobim venceram o 3º Festival Internacional da Canção com a música “Sabiá”. No entanto, eles foram vaiados pela plateira, que queria que a canção “Para não dizer que falei de flores”, de Geraldo Vandré, ganhasse.

Chico Buarque é um dos artistas que foram perseguidos durante a Ditadura Militar. Ele chegou a ser retirado da sua casa e levado para o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Em 1969, ele participou da “Passeata dos cem mil”, no Rio de Janeiro. O evento contou com milhares de estudantes, artistas e intelectuais que eram contra aquele regime, tais como Caetano Veloso e Gilberto Gil, precursores do Tropicalismo. Ele se auto exilou em Roma, na Itália, onde se manteve até março de 1970, quando resolveu voltar ao Brasil a convite de uma gravadora para produzir um novo disco.

Para conseguir compor suas canções e não ser censurado, em 1974, Chico Buarque criou o pseudônimo Julinho da Adelaide, com o qual compôs as músicas “Milagre brasileiro”, “Acorda amor” e “Jorge maravilha”. Por essas e outras situações, o artista acabou causando revolução por meio das suas canções. Ele é considerado um dos maiores compositores de músicas de protesto brasileiras.

Chico Buarque não dá um conteúdo político às suas canções de forma proposital. Ele abusa mais da criatividade nas suas composições. Uma das características mais marcantes das composições de Chico Buarque são as críticas e denúncias sociais, econômicas e culturais brasileiras. Tem preferência por usar a metáfora. Isso fica claro em canções como “Apesar de você” e “Cálice”, que contêm críticas veladas à ditadura militar no Brasil e que chegaram a ser censuradas.

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Susana Vieira: Senhora do seu próprio destino

Sônia Maria Vieira Gonçalves nasceu em 23 de agosto de 1942. O nome artístico tomou emprestado da irmã mais nova, a também atriz Susana Gonçalves.

Susana se destacou entre as bailarinas e logo começou a participar de teleteatros como TV de Vanguarda, TV de Comédia e Grande Teatro Tupi.

Na própria Tupi, também participou das novelas Estrelas no Chão (1966), de Lauro César Muniz, As Bruxas (1970), de Ivani Ribeiro, entre outras. Ela passou também pela  TV Excelsior, onde atuou em Almas de Pedra (1966), mais uma de Ivani Ribeiro, e em Os Tigres (1968), de Marcos Rey. Na TV Record atuou em A Última Testemunha (1968) e Algemas de Ouro (1969), ambas de Benedito Ruy Barbosa.

Susana chegou a Globo em 1970 para viver a Candinha de Pigmalião 70, de Vicente Sesso. A novela foi dirigida por Régis Cardoso, seu primeiro marido, com quem se casou em 1961.

Em 1975, foi uma das protagonistas de Escalada, de Lauro César Muniz, fazendo par romântico com Tarcísio Meira. O sucesso de público como Cândida lhe garantiu o papel da babá Nice em Anjo Mau, do seu descobridor, Cassiano Gabus Mendes, em 1976.

O encontro com o texto de Manoel Carlos aconteceria pouco depois, quando interpretou Marina na novela A Sucessora (1978). Ela não mede elogios ao autor. A vilã Branca de Por Amor (1997), outra personagem marcante em sua carreira, também de uma novela de Maneco.

Em 1984, trabalhou pela primeira vez com um autor que se tornaria marcante em sua carreira: Aguinaldo Silva. Atuou em Partido Alto.

O reencontro com Aguinaldo Silva aconteceu em Fera Ferida (1993), onde interpretou Rubra Rosa.

Em Senhora do Destino (2004), outra novela de Aguinaldo, viveu a protagonista Maria do Carmo, uma retirante nordestina que tem a filha recém-nascida sequestrada e luta para reencontrá-la.

Os embates entre sua personagem e a vilã Nazaré, interpretada por Renata Sorrah, foram um dos destaques da trama, sucesso de audiência na época em que foi ao ar. Desse trabalho, Susana também gosta de se lembrar do encontro com o elenco – José Wilker, Mirian Pires, Du Moscovis, Renata Sorrah, Marcello Antony, Carolina Dieckman, entre outros. “Eu acho que foi exatamente isso, o elenco precioso, a direção do Wolf Maya, que é muito ágil, e o texto do Aguinaldo. Acho que ali todas as estrelas se juntaram para dar esse presentão na minha carreira que foi Senhora do Destino”, destaca.

Susana Vieira também atuou em Duas Caras (2007), onde viveu outra personagem chamada Branca. Desta vez, ela seria a mãe da personagem Sílvia, interpretada por Alinne Moraes. Em seguida, participou da minissérie Cinquentinha e no seriado Lara com Z (2011), esse último escrito por Aguinaldo Silva, especialmente em homenagem à atriz. Em 2015, Susana voltou à cena com outro papel de destaque, com a ex-prostituta Adisabeba, a mulher que mandava e desmandava no Morro da Macaca, em A Regra do Jogo.

A atriz também fez carreira no teatro, encenando peças como Romeu e Julieta, de William Shakespeare; As Tias, de Doc Comparato; e A Dama do Cerrado, de Mauro Rasi. Seu maior sucesso nos palcos foi A Partilha, de Miguel Falabella, que ficou mais de sete anos em cartaz.

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Ana Maria Machado a imortalidade da literatura infantil

Carioca do bairro de Santa Tereza, a escritora Ana Maria Machado nasceu em 24 de dezembro de 1941. Filha do jornalista e político Mário de Sousa Martins e de Diná de Almeida Souza Martins. Ana Maria é irmã do jornalista Franklin Martins.

Desde pequena era apaixonada por histórias, muitas destas contadas por seus pais e por sua avó, aprender a ler quando tinha cinco anos de idade, tornando-se uma leitora assídua e voraz.

Ana Maria Machado foi aluna do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do MOMA de Nova Iorque, ela iniciou sua carreira como pintora, participando de exposições individuais e coletivas no exterior e dentro do Brasil. No ano de 1964 se formou em Letras Neolatinas pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, pós graduou-se na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Após se formar, a escritora passou a ministrar aulas de Literatura Brasileira e Teoria Literária na mesma universidade que estudou, lecionando também na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Além de ser professora nos colégios Santo Inácio e Princesa Isabel.

Durante o período da ditadura militar, Ana Maria Machado fez parte do movimento de resistência dos professores. Em 1969, depois do AI 5, acabou presa. Em janeiro de 1970 partiu para o exílio na Europa. Trabalhou como jornalista na revista Elle de Paris e no serviço Brasileiro da BBC de Londres. Lecionou Língua Portuguesa na Sorbonne. Nessa época, estudou na École Pratique des Hautes Études, quando defendeu sua tese de doutorado em Linguística e Semiologia sob a orientação de Roland Barthes.

Em 1972, Ana Maria Machado retornou ao país e como jornalista trabalhou no Correio da Manhã, no Globo e no Jornal do Brasil. Entre 1973 e 1980, chefiou o setor de Jornalismo do Sistema Jornal do Brasil de Rádio. Nessa época, escreveu regularmente para a revista Recreio. Em 1976, publicou sua tese “Recado do Nome”, sobre a obra de Guimarães Rosa.

Em 1977, Ana Maria Machado publicou seu primeiro livro infantil “Bento que Bento é o Frade” (nome da brincadeira também conhecida como Boca de Forno). Nesse mesmo ano, recebeu o Prêmio João de Barro com o livro “História Meio ao Contrário”. Com o sucesso das obras, não parou mais de escrever.

Em 1979, junto com Maria Eugênia Silveira, abriu a primeira livraria infantil do Brasil, a “Malasartes”, que dirigiu durante 18 anos. Em 1980, deixou o jornalismo e resolveu se dedicar exclusivamente a seus livros.

Ana Maria Machado tem mais de cem livros publicados, entre eles nove romances, oito ensaios e especialmente literatura infantil e juvenil. São mais de 20 milhões de exemplares vendidos, publicados em vinte idiomas. Recebeu dezenas de prêmios, entre eles, 3 Jabutis, Machado de Assis e o Hans Christian Andersen.

Em 2003, Ana Maria Machado foi eleita para a cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é o poeta Adelino Fontoura. Presidiu a Academia entre 2012 e 2013, sendo a primeira escritora de livros infantis a fazer parte da ABL.

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Wanderléa – A ternurinha: uma vida de música e sucesso

Descendente de libaneses, Wanderléa Charlup Boere Salim nasceu no dia 5 de junho de 1944, na cidade de Governador Valadares, em Minas Gerais. Passou a infância no Munícipio de Lavras. Quando tinha nove anos de idade sua família resolveu se mudar para o Rio de Janeiro.

Aos dez anos de idade, Wanderléa venceu concursos em rádios. Aos quinze, cantava em boates. Como era menor de idade, pedia autorização ao juizado de menores e aos seus pais para assinarem a documentação que permitia a sua apresentação neste tipo de local. Seu pai, no começo, não aceitava a sua carreira, mas com o tempo entendeu que a jovem tinha grandes talentos musicais.

Em 1962, lançou o primeiro compacto. Já no ano seguinte, lançou o seu primeiro LP ‘Wanderléa’, pela Discos CBS, uma subsidiária da Columbia Records. Foi na gravadora que a cantora conheceu os cantores Erasmo Carlos e Roberto Carlos.

Em agosto de 1965, passou a apresentar, nas tardes de domingo, junto da dupla, o programa Jovem Guarda da TV Record. O programa foi sucesso de audiência na época e lançou diversos artistas no cenário musical. Wanderléa e Celly Campello foram pioneiras no estrelato de mulheres no rock brasileiro.

Ternurinha, apelido pelo qual Wanderléa ficara conhecida, também atuou nas telas de cinema. Ela foi a atriz principal do filme ‘Juventude e Ternura’ de 1968 e contracenou ao lados dos amigos Erasmo e Roberto em ‘Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa’, filme mais visto do ano de 1970.

Com o fim da Jovem Guarda, Wanderléa lançou-se como cantora pop. Continua se apresentando, sempre cantando suas músicas de maior sucesso como: “Pare o Casamento”, “Ternura” e “Prova de Foto” – composição de Erasmo Carlos.

De 1963, quando lançou seu primeiro álbum, até hoje foram 17 discos lançados pela cantora. No entanto, só a partir do anos de 1972 com o disco ‘…Maravilhosa’ que passou a interpretar canções autorais.

A ternurinha chegou a ter um romance com Roberto Carlos, que foi o responsável por seu primeiro beijo. Não aceitou as investidas de Erasmo, mas mesmo assim o trio se mantém amigo até os dias atuais.

Um dos namorados da cantora chegou a brigar com Roberto Carlos por ciúme do amigo e companheiro de shows de Wanderléa. Ela encontrou Egberto Gismonti, com quem namorou e mantém até hoje laços de amizade. Com o músico, migrou para a EMI-Odeon e gravou “Vamos que eu já vou” (1977) e “Mais que a paixão” (1978).

A vida da cantora também é marcada por diversas tragédias. Com apenas 10 anos de idade, Wanderléa perdeu uma de suas irmãs, vítima de bala perdida na cidade do Rio de Janeiro.

Aos 22 anos, a tragédia que acometeu a vida da cantora também atingiu a família de Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Wanderléa era namorada José Renato, filho do apresentador, que durante uma viagem à Petrópolis mergulhou na piscina e acabou por se acidentar, ficando tetraplégico. Wanderléa ficou noiva e casou-se com ele, com quem manteve uma relação por sete anos.

Depois de alguns anos, conheceu o musico chileno Lalo. Depois de algum tempo, passaram a viver juntos e aos 35 anos a cantora se tornou mãe. Todavia, Leonardo viveria apenas dois anos, o menino morreu ao cair na piscina da casa recém-comprada pelo casal na Zona Oeste de São Paulo, no dia 1º de fevereiro de 1984.

Wanderléa e Lalo são pais de Yasmim, que nasceu em 1985 e Jadde, que nasceu dois anos depois. Os dois continuam juntos, mas vivem em casas separadas.

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Ronnie Von: o pequeno príncipe de Niterói

Natural de Niterói, Município da Região Metropolitana do Estado do Rio, Ronaldo Nogueira, o Ronnie Von, nasceu no dia 17 de julho de 1944. Nos anos 2000 Ronnie resolveu incorporar outros sobrenomes ao seu registro, passando a se chamar Ronaldo Lindenberg Von Schilgen Cintra Nogueira. Ele é filho do diplomata José Maria Nogueira e de Noely Linfenberg Von Schingen.

Com 15 anos entrou para a Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar) em Barbacena, no Estado de Minas Gerais. Com 17 anos fez seu primeiro vôo sozinho em um Folker T-21. Concluído o curso, ingressou na Faculdade de Economia.

Ronnie Von iniciou sua carreira de cantor se apresentando no bar Beco das Garrafas, em Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro. No ano de 1963, com apenas 19 anos, casou-se com a jornalista Aretusa Nogueira, com quem teve um casal de filhos.

Em 1966, lançou seu primeiro disco Ronnie Von – Meu Bem, que começou a fazer sucesso com a gravação da versão de uma música dos Beatles, intitulada “Meu Bem”. Nessa época, recebeu da apresentadora Hebe Camargo, em seu programa na TV Record, o apelido de “Pequeno Príncipe”, devido à admiração do cantor pelo romance de Antoine Saint-Exupéry.

Roberto Carlos era o grande astro da Jovem Guarda e apresentava um programa, aos domingos, na mesma TV Record. E nesse mesmo ano de 1966, Ronnie Von, que estava começando a carreira e amparado por sua beleza, ganhou um programa na emissora aos sábados, chamado “O Pequeno Mundo de Ronnie Von”.

Em seu programa, ele levava iniciantes na música, entre eles, Gal Costa, Gilberto Gil e Caetano Veloso. A banda de apoio do programa era formada pelos irmãos Batista e por Rita Lee, que posteriormente formariam o grupo Os Mutantes, nome dado pelo próprio Ronnie Von, que na época estava lendo ‘O Império dos Mutantes’.

Em 1967 lançou seu segundo disco que alcançou grande sucesso com a música “A Praça”, de autoria de Carlos Imperial. Já os dois discos seguintes foram um fracasso comercial, por serem radicais e psicodélicos, no qual ele cantava em meio a ruídos e arranjos do maestro vanguardista Damiano Cozzella. No fim dos aos 1970, se agarrou a um repertório convencional e fez grande sucesso com as músicas “Tranquei a Vida” e “Cachoeira”.

No ano de 1975, o casamento com a jornalista termina. Aretusa vai embora e deixa as duas crianças, uma com 5 e outra com 6 anos, para o próprio Ronnie cuidar. Segundo o cantor, o trauma foi tão grande que ele desenvolveu uma doença neurológica que o deixou em cima da cama durante um ano.

Depois de recuperado, dedicou-se a criação dos filhos e da experiência escreveu o livro “Mãe de Gravata” publicado em 1995. Depois de outras experiências amorosas, Ronnie Von está casado com Maria Cristina, a Kika, desde 1986 e com ela teve seu terceiro filho.

No ano de 2004 começou a apresentar o programa “Todo Seu”, na TV Gazeta, em veiculação diária na emissora. Após 15 anos na grade, o programa chegou ao fim em 19 de julho de 2019.

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Maria Rita: o legado vivo de Elis Regina

Maria Rita nasceu em São Paulo no dia 9 de setembro de 1977. Ela é filha caçula de Elis Regina, que também é mãe de Joao Marcello Bôscoli, da relação anterior com Ronaldo Bôscoli, e de Pedro Mariano, que assim como Maria Rita é filho do arranjador e pianista César Camargo Mariano.

A vida de Maria Rita sempre foi muito pública em decorrência da fama e da carreira de seus pais. Aos 4 anos de idade perdeu de forma súbita a mãe. Na adolescência, a cantora foi bombardeada de cobranças para que cantasse, seguindo os mesmos passos de sua mãe. Aos 13 anos a cantora até começou a dar os primeiros passos atuando como backing vocal em uma banda do irmão Pedro Mariano, mas a ideia de ser uma cantora profissional ainda assustava a jovem menina.

Aos 16 anos teve que sair do Brasil. O seu pai precisou viajar aos Estados Unidos para uma turnê. Como ainda era menor de idade, Maria Rita precisou acompanha-lo. A ideia inicial era ficar fora do país até que completasse 18 anos, mas o período de vivencia acabou se estendendo e ela  começou a cursar a faculdade de Comunicação Social na Universidade de Nova York e também se formou em Estudos Latino-Americanos.

Na época de formação, Maria Rita começou a estagiar na gravadora WARNER Music, a mesma que mais tarde seria responsável por gravar metade de sua discografia.

Em sua volta ao Brasil começou a trabalhar com música, todavia ainda não havia assumido os palcos e microfones. Ela atuava como produtora musical do irmão Pedro Mariano. De fato começou a carreira musical só aos 24 anos, o que para muitos era considerado um começo tardio.

O primeiro álbum intitulado ‘Maria Rita’ foi lançado em 2003 e imediatamente emplacou. Vendeu muito mais de 1 milhão de cópias em todo o mundo – foi lançado em mais de 30 países – e foi um dos 5 discos mais vendidos do país. Além disso, a música ‘Encontros e Despedidas’ foi o tema de abertura da novela Senhora do Destino.

Como era de se esperar, já que falamos de Brasil, Maria Rita foi criticado por diversas situações. Algumas criticas a classificavam como oportunista por imitar sua mãe nos palcos, outros a criticavam porque em seu repertório não tinham musicas de Elis Regina, o que foi classificado pelos críticos como gestos de ingratidão, ódio e negação à figura de sua mãe.

Sem se abater pela dureza que as criticas tinham, Maria Rita seguiu sua carreira. Ao todo já lançou oito discos, seis deles com certificado de disco de platina pela ABPD. Também lançou na carreira 7 DVDs. O Primeiro gravado em 2003 recebeu selo diamante, três receberam selo platina e seu DVD de 2015 recebeu o selo ouro da ABPD.

Em 2004 Maria Rita venceu o Gramy Latino na categoria Melhor Artista Revelação, sendo até hoje a única brasileira a vencer nesta categoria. Desde então a cantora venceu outros 7 prêmios de Gramy Latino. 3 vezes como Melhor  Álbum de Música Popular Brasileira (2004, 2006 e 2013), 3 vezes como Melhor Álbum de Samba/Pagode (2008, 2014 e 2018) e como Gravação do Ano com Latinoamérica em parceria com o trio de rap porto-riquenho Calle 13 no ano de 2011.

Em 2012 quando se completou 30 anos da morte de Elis, Maria Rita lançou o álbum Redescobrir em homenagem a sua mãe. Ela cantou diversas músicas que ficaram famosas na voz de Elis, sendo esse álbum um dos premiados pelo Gramy.

Maria Rita é a personificação do legado que Elis Regina, que partiu tão subitamente, deixou para a música brasileira.