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1º cinema instalado em comunidade, CineCarioca Nova Brasília se prepara para reabrir

O CineCarioca Nova Brasília, no Complexo do Alemão, se prepara para voltar à ativa após ficar fechado mais de um ano e meio, informou a prefeitura do Rio. O RioFilme, que integra a Secretaria de Governo e Integridade Pública (Segovi), lança nesta quarta-feira (07) o edital para operação do espaço, que é a primeira sala de cinema popular instalada dentro de uma comunidade no Rio. A expectativa é que o cinema volte a funcionar ainda no segundo semestre deste ano.

A reabertura do CineCarioca Nova Brasília atende a uma  reivindicação da população do seu entorno:  a sala é a única opção de cinema na área do Complexo do Alemão, que, segundo Censo do IBGE de 2010, abrange cerca de 15 comunidades, com mais de 60 mil habitantes.

A reinauguração do espaço vai ao encontro das metas da RioFilme de democratização do acesso à cultura, formação de plateia para o cinema e busca de equidade social e urbana entre os moradores do Rio. O setor de cultura e entretenimento, sobretudo em espaços coletivos, foi um dos mais impactados pela pandemia de Covid-19.

As salas de cinema tiveram sua vida financeira bastante prejudicada pela necessidade de se preservar o distanciamento social.

A reabertura do CineCarioca Nova Brasília, segundo a prefeitura, seguirá todos os critérios sanitários e traz boas expectativas não só para o público fiel do cinema, mas também para a imensa rede de trabalhadores da indústria criativa, que aguarda que as atividades culturais sejam retomadas.

“Ficamos felizes em perceber que há um grande interesse do mercado na reabertura do CineCarioca Nova Brasília. Ainda durante a consulta pública, recebemos propostas além do esperado, um bom sinal que indica que o setor acredita em uma retomada, sobretudo, do cinema de rua. Nós, Riofilme, Segovi e Prefeitura, acreditamos nessa retomada, estamos trabalhando junto ao Sindicato de Exibidores para ajudar a sanar problemas do setor, que foi muito impactado pela pandemia”, revela Eduardo Figueira, diretor-presidente da RioFilme.

Espaço e gestão

O contrato de gestão proposto no edital é de 24 meses, prorrogáveis por até cinco anos.

O CineCarioca Nova Brasília tem uma sala de exibição com 94 lugares, que obedece às regras de acessibilidade motora e equipamentos modernos de som e imagem. O complexo conta também com tecnologia de acessibilidade sensorial (para áudio descrição e legenda descritiva) e uma bomboniere que deverá ser administrada pela nova gestora do espaço.

A empresa vencedora do edital deverá se comprometer a praticar preços sociais nos ingressos, no valor máximo de R$ 10, garantindo-se a meia entrada a R$ 5 para estudantes, idosos, portadores de necessidades especiais e moradores do Complexo do Alemão e adjacências, durante todos os dias do ano.

A RioFilme diz que assegura subsídios para que os preços sociais sejam viáveis. O edital estabelece também que a nova empresa gestora do espaço deverá se comprometer a oferecer ao público pelo menos quatro sessões diárias de filmes.

Público expressivo

Desde a inauguração em 2010 até o fim do ano de 2019, o CineCarioca Nova Brasília sempre apresentou números expressivos de público, com cerca de 700 mil frequentadores em 11.990 sessões.

Durante seus primeiros quatro anos de operação, foram realizadas diversas atividades, como sessões escolares para mais de 10 mil estudantes da rede municipal de ensino.

Sala de cinema

A prefeitura do Rio diz que o município possui uma discrepância relevante quanto à distribuição de salas de cinema em suas distintas regiões.

Embora a Zona Norte concentre cerca de 40% da população da cidade, apenas 28% das salas de cinema da cidade estão localizadas nessa região. A Zona Norte possui, portanto, uma das maiores demandas reprimidas por novas salas de cinema.

A reabertura do CineCarioca Nova Brasília busca preencher parte dessa lacuna, em uma política afirmativa de combate às desigualdades, ampliando o acesso ao cinema, produzindo pensamento e reflexão e estimulando a busca por lazer de aspecto cultural nesta região da cidade, berço de grandes ícones da cultura carioca.

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Bienal do Livro Rio doa 15,5 mil livros aos complexos do Alemão e da Penha

 

Com o propósito de transformar o país por meio do estímulo à leitura, a Bienal do Livro Rio, maior festival de cultura do país, doa aos moradores dos Complexos do Alemão e da Penha com 15,5 mil livros. A Bienal atendeu a um pedido feito por Rene Silva, morador do Complexo do Alemão e fundador do jornal comunitário A Voz da Comunidade, que provocou seus seguidores nas redes sociais a realizar uma ‘invasão literária’ para marcar os dez anos de ocupação da polícia e a falta de mudanças na região. A iniciativa de Rene mobilizou a organização da Bienal e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), que envolveram 22 editoras e autores nesta causa. Os livros serão entregues no Complexo neste sábado, dia 28 de novembro, ao Rene, que vai distribuir entre bibliotecas comunitárias da região.

Rene ficou conhecido por transmitir em tempo real a megaoperação policial e foi reconhecido por sua influência e atuação pela Revista Forbes Brasil e pela organização Mipad (Most Influential People Of African Descente), de Nova York, que premia pessoas afrodescendentes influentes. Segundo ele, os livros vão atualizar os acervos das bibliotecas comunitárias do entorno, colaborando para a formação de novos leitores e a educação de crianças e jovens.

Foto: Reprodução/Rene Silva

Ele lançou a meta de chegar a 10 mil livros na semana passada e tinha dúvidas se era uma quantidade ousada. Em três dias, a Bienal conseguiu reunir 15,5 mil exemplares. Rene ficou extremamente feliz com o contato da Bienal, que se consolidou como uma plataforma de cultura e vem estruturando uma presença permanente, com ações fora dos dias de evento e um hub de conteúdo na internet sobre literatura e mercado literário. Ano passado, por exemplo, a Bienal lançou o Bienal nas Escolas, projeto que leva leitores às escolas públicas do Rio, para conversar com os pequenos e jovens leitores e estimular uma experiência de troca e estímulo à leitura.

“Na verdade essa ação solidária é uma forma de protesto, pois há dez anos o Governo só entrou com a polícia. Não temos o que confraternizar neste marco da ocupação. Por isso, a iniciativa da invasão literária é mais pelo desserviço de promessas de mudança social não cumpridas ao longo desses anos todos”, afirma Rene Silva.

Para diretora da Bienal do Livro Rio, Tatiana Zaccaro, a adesão do SNEL e das editoras à atitude solidária foi entusiasta e imediata, inclusive com um cuidado na escolha do conteúdo direcionado a diferentes faixas etárias.

“A Bienal do Livro Rio acredita no direito à leitura e literatura como um meio para a construção da cidadania e de um país melhor. Em tempos difíceis como estes de pandemia, esta ação chega em boa hora trazendo esperança de um futuro melhor para estas comunidades. Que estes livros contribuam para a construção de novas e belas histórias de aprendizagem”, afirmou Tatiana.

As editoras que formam esta rede de solidariedade em defesa da democratização do acesso ao livro e à leitura nesses territórios de uma juventude tão potente e que por décadas sofre com a escassez de oportunidades são: Astral Cultural, Arole Cultural, Ediouro, Aruanda, Estrela Cultural, Máquina de Livros, Rocco, FGV, Grupo Record, Harpercollins Brasil, Intrínseca, Leya Brasil, Ler Editorial, Pallas, The Gift Box, Saber Ler, Lamparina, Valentina, Globo Livros, Sextante, Arqueiro e Companhia das Letras.