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Brasileiro com muito Orgulho Notícias do Jornal

Glória Menezes: uma grande mulher e atriz

 

Por: Luhan Alves (com supervisão de Claudia Mastrange)

No último dia 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher foi bastante lembrado e contou com muitas campanhas de conscientização em relação ao respeito e valorização de todas as mulheres. E para valorizar essa data tão importante, a brasileira desta edição é a grande atriz, Glória Menezes, 86 anos, que participou por muitos anos de novelas de sucesso na Rede Globo.

Conhecida como Glória Menezes, seu nome de batismo é Nilcedes Soares de Magalhães, que surgiu da junção dos nomes de seus pais, Nilo e Mercedes. A atriz é casada desde 1962 com o ator Tarcísio Meira, com que teve o também ator Tarcísio Filho. Ela também é mãe de João Paulo e Maria Amélia, frutos de um relacionamento anterior de quando tinha 18 anos.

Glória Menezes e Tarcísio Meira se conheceram na extinta TV Tupi, no teleteatro Uma Pires Camargo, em 1961. No ano seguinte, os atores se casaram e logo depois fizeram a primeira novela de muitas, juntos. A trama era chamada “2-5499 Ocupado”, que foi exibida na extinta TV Excelsior. Eles ficaram na emissora até 1967, quando mudaram para Globo e participaram, juntos, da novela Sangue e Areia.

Dentre algumas novelas de sucesso que Glória Menezes participou está “Irmãos Coragem” (1970), “Guerra dos Sexos” (1983), “Torre de Babel” (1998), “O Beijo Do Vampiro” (2002), “Senhora do Destino” (2004), entre outras inúmeras tramas realizadas por essa grande atriz. Só na Globo, já atuou em mais de 40 novelas.

No teatro, Glória participou de peças como “Tudo Bem no Ano Que Vem”, de Bernard Slade, que ficou em cartaz de 1976 a 1981; Navalha na Carne (1981), de Plínio Marcos; e Um Dia Muito Especial (1988), de Ettore Scola. Em 2000, atuou em Jornada de um Poema, na qual interpretou uma paciente terminal de câncer. Impressionado com a atuação da atriz no teatro, o cineasta Anselmo Duarte a convidou para trabalhar em “O Pagador de Promessas”, rodado em 1960. O filme estreou em 1962 no Festival de Cannes, e ganhou a Palma de Ouro.

“O teatro me ensinou o que preciso para fazer televisão e cinema. Ele dá o conhecimento necessário para interpretar qualquer personagem diante das câmeras, porque nos projetamos muito mais. Quem faz teatro, faz qualquer outra modalidade”, garantiu a eterna apaixonada pelos palcos ao site Memória Globo.

Com uma carreira tão brilhante e rica, não poderíamos de deixar de homenagear essa grande mulher e atriz que é a Glória Menezes. Uma brasileira que sempre nos orgulhou muito.

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Notícias do Jornal Saúde

Março Amarelo: endometriose afeta 6,5 milhões de brasileiras

 

Por: Claudia Mastrange

O mês, que é lembrado pelo Dia Internacional da Mulher, também está no calendário de uma das doenças que mais afeta a população feminina no Brasil e no mundo, a endometriose. No país, uma a cada dez mulheres em idade fértil tem a doença. Segundo a Associação Brasileira de Endometriose, mais de 6,5 milhões de mulheres têm a doença no Brasil. O médico Renilton Aires Lima, ginecologista e obstetra da Fundação São Francisco Xavier alerta que quanto antes for diagnosticada melhor a qualidade de vida da paciente.

Estudos apontam que muitas mulheres levam de sete até dez anos para descobrirem a doença. A endometriose é uma doença ginecológica caracterizada pelo crescimento do endométrio, tecido que reveste a parte interna do útero, em outras partes do corpo. Normalmente a patologia acomete mulheres de 25 a 40 anos, mas pode aparecer em qualquer idade do período fértil, pois está associada à menstruação. Ainda não se sabe ao certo quais as causas que provocam a doença.

Entre os sintomas da endometriose estão fortes cólicas menstruais, dor durante as relações sexuais e dificuldades para engravidar. Uma das principais dificuldades do diagnóstico precoce está na aceitação da dor. “A mulher é vítima dela mesma. Muitas acreditam que a cólica menstrual é normal. Não se pode menosprezar os sintomas. Se a paciente começa a ter uma dor que piora com o tempo e que dura cada vez mais, precisa ficar alerta para endometriose”, alerta o medico.

O ginecologista Renilton alerta que cólica menstrual não é normal Foto: Divulgação

Para o ginecologista, o mais importante na busca de um diagnóstico precoce é estimular a qualidade de vida da mulher. Por isso, a necessidade de investigar toda dor persistente, mesmo que seja a tão comum cólica menstrual.

“A mulher precisa valorizar a qualidade de vida. Todo sintoma que causa prejuízo no bem-estar dela, que diminui a produtividade, provoca dificuldades de relacionamento social porque, com dor, a paciente fica mais mal-humorada, passa a estar menos receptiva às coisas – é importante buscar atendimento médico para fazer um diagnóstico adequado”, afirma Renilton.

Diagnóstico e tratamento individualizados

O diagnóstico da endometriose basicamente é clínico, com o histórico da paciente e um exame físico. Em algumas situações são necessários exames complementares, como ultrassom ou a ressonância magnética.

O ginecologista explica que as características podem variar de pessoa para pessoa. “Existem pacientes que apresentam muita dor, pacientes com dificuldades para engravidar, pacientes que têm as duas coisas e as totalmente assintomáticas, que descobrem por acaso em algum procedimento”, explica.

O tratamento, é muito individualizado, pode ser hormonal, cirúrgico, ou até com técnicas de reprodução assistida, mas depende muito de cada pessoa. Para o médico é preciso também deixar claro que nem toda dor menstrual é endometriose. É preciso ficar alerta aos sintomas e buscar avaliação médica.

 

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Brasil Destaque Mulher Rio

Mais de 250 mulheres foram vítimas de violência por dia durante a pandemia

 

Desde a edição do primeiro decreto para combater a propagação do coronavírus no estado do Rio de Janeiro, em 13 de março de 2020, até o dia 31 de dezembro, mais de 73 mil mulheres foram vítimas de algum tipo de violência no Rio de Janeiro. Isso significa que cerca de 251 mulheres foram vitimadas em cada um dos 293 dias em que o estado teve algum nível de isolamento social em 2020. Esses dados fazem parte de um levantamento inédito feito pelo Núcleo de Estudos ISPMulher, do Instituto de Segurança Pública.

O número de casos, no entanto, é 27% menor que o registrado no mesmo período de 2019 (102.344 vítimas) , o que pode indicar uma subnotificação por causa das restrições implementadas durante a pandemia. Para termos de comparação, em janeiro deste ano, o número de mulheres vítimas chegou a 12.924, mais próximo do patamar do mesmo mês de 2020 (10.878) .

Em maio de 2020, um dos meses com maior taxa de isolamento social, as delegacias da Secretaria de Estado de Polícia Civil só registraram 4.903 casos de violência contra a mulher, uma queda de mais de 50% se comparado com janeiro do mesmo ano.

A residência, sinônimo de proteção para muitos principalmente na pandemia, não foi um local seguro para essas mulheres. No período de isolamento em 2020, mais de 61% delas sofreram violência justamente dentro de casa. É importante destacar que, no período completo de isolamento, houve aumento do percentual de ocorrências de crimes mais graves em residência. Para Violência Física, o percentual aumentou de 60,1% em 2019 para 64,1% em 2020. Para Violência Sexual, uma variação ainda maior: de 57,7% em 2019 para 65,6% em 2020.

Violência física aumentou de 60,1% em 2019 para 64,1% em 2020 (Foto: Reprodução TV)

Em mais de metade dos casos, os parceiros ou ex-parceiros foram os autores dos atentados. Se restringirmos a análise aos crimes registrados sob a Lei Maria da Penha, que engloba os tipos de violência que acontecem no âmbito doméstico e familiar, 80,7% das mulheres foram vitimadas por parceiros ou ex-parceiros.

Na lista das localidades com maior número de casos estão: Cidade de Deus (32ª DP), na Zona Oeste do Rio; Austin, em Nova Iguaçu (58ª DP) e Campo Grande (35ª DP), também na Zona Oeste da capital fluminense. O ranking não mudou muito se comparado com o de 2019. A Cidade de Deus, Austin e o Centro de Duque de Caxias (59ª DP) foram os que registraram mais crimes contra mulheres naquele ano.

Feminicídio 

Sessenta e cinco mulheres foram mortas entre 13 de março e 31 de dezembro de 2020 pelo simples fato de serem mulheres, o chamado feminicídio. Na cidade do Rio de Janeiro, Campo Grande ocupa, ao lado do bairro Caonze, em Nova Iguaçu, o primeiro lugar no ranking estadual com maior número de casos de feminicídio. Cada um registrou quatro vítimas ao longo dos dez meses analisados.

Os registros de feminicídio, porém, foram menores que em 2019, quando 73 mulheres foram mortas. No primeiro mês de 2021, nove mulheres foram mortas – o maior número de vítimas para o mês desde o início da série histórica, em 2016.

Desde o início do isolamento social, as analistas do ISP acompanharam de perto a situação das mulheres com o Monitor da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher no Período de Isolamento Social.

A diretora-presidente do ISP, Marcela Ortiz: “precisamos acolher essas mulheres” (Foto Reprodução TV)

“Nossas analistas perceberam que a redução no número de mulheres vítimas pode estar muito mais relacionada à uma subnotificação. Tivemos uma queda importante no número de registros de ocorrências na Polícia Civil na comparação com 2019. No caso do Disque-Denúncia, por exemplo, houve queda de mais de 20% nas ligações sobre violência contra a mulher. Acreditamos que essas mulheres, muitas vezes, por estarem confinadas no mesmo ambiente dos agressores, não puderam procurar os órgãos que tradicionalmente as oferecem ajuda. Isso mostra o tamanho do desafio do Estado no enfrentamento a um tipo de violência que acontece intramuros e que, muitas vezes, é normalizada. Precisamos acolher essas mulheres e mostrar que elas não estão sozinhas. É muito importante que a nossa sociedade entenda a importância da denúncia desses crimes”,  afirmou a diretora-presidente do ISP, Marcela Ortiz.

ISP Mulher: estudo e monitoramento

Com o intuito de subsidiar o Poder Executivo estadual com dados sobre a violência doméstica, que podem ser base de novas políticas públicas, o ISP criou, há um mês, o Núcleo de Estudos ISP Mulher. O grupo tem como função ainda o monitoramento do comportamento dos crimes de violência contra a mulher ao longo do tempo e a elaboração de estudos sobre o tema. Vale lembrar que o ISP foi o primeiro órgão estadual do país a publicar um trabalho sobre violência doméstica: o Dossiê Mulher, em 2006.

Foto: Pixabay

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Mulher Notícias do Jornal

Mulher: muito ainda por conquistar

Por Claudia Mastrange

Celebrado no mundo inteiro, o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, ganha comemorações ao longo de todo o mês e acaba se tornando um bom momento para debater os avanços e o que ainda falta conquistar em termos de direitos, igualdade de oportunidades de trabalho, sociais e políticas para as mulheres. Muito se avançou, mas muito ainda há a ser feito na sociedade e no campo profissional para que haja mais equidade e respeito em todos os níveis.

A violência contra a mulher é um dos pontos que tem sido alvo de constante discussão. Todos os dias 13 mulheres morrem no Brasil em consequência da violência doméstica e, a cada hora, 536 mulheres são agredidas no país. De acordo com o Atlas da Violência 2019, que traz dados até 2017, os casos de feminicídio aumentaram 30,7% entre 2007 e 2017 e 6,3% em relação ao ano de 2016. Ao longo de 2017 um total de 4.936 mulheres foram mortas, o maior número contabilizado desde 2007.

Esses números alarmantes fazem parte de estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem a quinta maior taxa de feminicídios no mundo: 4,8 para 100 mil mulheres.

Por toda sua complexidade, a questão feminina é o foco do quinto dos 17 Objetivos Para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU): alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. A meta faz parte do compromisso assumido por 193 países durante a cúpula das Nações Unidas, realizada em 2015. Nela foram definidas, além dos objetivos, 169 metas para se alcançar o desenvolvimento sustentável do mundo até 2030.

Relatório recente do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), a ONU Mulheres e a Plan Internacional apontam que mulheres e meninas representavam 70% das vítimas de tráfico de pessoas detectadas em todo o mundo em 2016. A maioria para exploração sexual. Cerca de 13 milhões, ou seja, uma em cada 20 meninas de 15 a 19 anos, foram vítimas de estupro naquele ano. O relatório fala ainda de práticas nocivas, como o casamento infantil − a cada ano, 12 milhões de meninas casam-se na infância e quatro milhões estão em risco de sofrer mutilação genital feminina.

“Vinte e cinco anos atrás, os governos do mundo se comprometeram com mulheres e meninas, mas apenas cumpriram parcialmente aquela promessa. Embora o mundo tenha reunido a vontade política para enviar muitas meninas para a escola, falhou de forma lamentável ao não lhes fornecer as habilidades e a ajuda de que precisam para não só decidir seu próprio futuro, mas também para viver em segurança e com dignidade”, disse a diretora-executiva do UNICEF, Henrietta Fore.

Laura Astrolabio, articuladora política do movimento Mulheres Negras Decidem, concorda que há muito ainda por conquistar. “Em que pese termos alguns avanços, como vivemos numa sociedade fundada no patriarcalismo, ainda precisamos avançar na direção de outras conquistas tantas”, afirma. E qual seria o melhor presente para as mulheres de hoje? “A descriminalização do aborto seria uma grande presente, principalmente para as negras e pobres, que são as mais afetadas com essa criminalização absurda, que empurra essas mulheres para a morte”, defende.

Em todos os campos, são muitas as questões e inúmeras as possibilidades em busca de soluções e uma vida mais justa, segura e equilibrada para a mulher de hoje.

Participação política longe do ideal
Por Laura Astrolábio, articuladora política do movimento Mulheres Negras Decidem

Vou falar aqui sobre o avanço no campo político, onde temos, por exemplo, as cotas de gênero nas candidaturas. No entanto, isso ainda não foi o suficiente para eleger mulheres, já que os partidos atendem às cotas colocando candidaturas de mulheres sem, no entanto, apoiar essas candidaturas, além dos casos envolvendo laranjas, conforme foi noticiado sobre as últimas eleições.

Não à toa, mesmo com as cotas de gênero nas candidaturas, das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, apenas 77 são ocupadas por mulheres. E se consideramos a questão da raça combinada com gênero, dessas 77 cadeiras apenas 13 são ocupadas por mulheres negras.

Nesse aspecto, a luta tem sido para garantir não apenas que mulheres possam se candidatar, mas que existam reservas de cadeiras para mulheres nos parlamentos. Já existem movimentos de mulheres na luta por essa conquista, como é o caso do Mulheres Negras Decidem e o Mais Mulheres na Política, que escreveram um projeto de lei juntamente com o Ministério Público de São Paulo e estão trabalhando na articulação para que ele seja encaminhado e colocado para votação no Congresso.