Categorias
Notícias do Jornal Saúde

Março Amarelo: endometriose afeta 6,5 milhões de brasileiras

 

Por: Claudia Mastrange

O mês, que é lembrado pelo Dia Internacional da Mulher, também está no calendário de uma das doenças que mais afeta a população feminina no Brasil e no mundo, a endometriose. No país, uma a cada dez mulheres em idade fértil tem a doença. Segundo a Associação Brasileira de Endometriose, mais de 6,5 milhões de mulheres têm a doença no Brasil. O médico Renilton Aires Lima, ginecologista e obstetra da Fundação São Francisco Xavier alerta que quanto antes for diagnosticada melhor a qualidade de vida da paciente.

Estudos apontam que muitas mulheres levam de sete até dez anos para descobrirem a doença. A endometriose é uma doença ginecológica caracterizada pelo crescimento do endométrio, tecido que reveste a parte interna do útero, em outras partes do corpo. Normalmente a patologia acomete mulheres de 25 a 40 anos, mas pode aparecer em qualquer idade do período fértil, pois está associada à menstruação. Ainda não se sabe ao certo quais as causas que provocam a doença.

Entre os sintomas da endometriose estão fortes cólicas menstruais, dor durante as relações sexuais e dificuldades para engravidar. Uma das principais dificuldades do diagnóstico precoce está na aceitação da dor. “A mulher é vítima dela mesma. Muitas acreditam que a cólica menstrual é normal. Não se pode menosprezar os sintomas. Se a paciente começa a ter uma dor que piora com o tempo e que dura cada vez mais, precisa ficar alerta para endometriose”, alerta o medico.

O ginecologista Renilton alerta que cólica menstrual não é normal Foto: Divulgação

Para o ginecologista, o mais importante na busca de um diagnóstico precoce é estimular a qualidade de vida da mulher. Por isso, a necessidade de investigar toda dor persistente, mesmo que seja a tão comum cólica menstrual.

“A mulher precisa valorizar a qualidade de vida. Todo sintoma que causa prejuízo no bem-estar dela, que diminui a produtividade, provoca dificuldades de relacionamento social porque, com dor, a paciente fica mais mal-humorada, passa a estar menos receptiva às coisas – é importante buscar atendimento médico para fazer um diagnóstico adequado”, afirma Renilton.

Diagnóstico e tratamento individualizados

O diagnóstico da endometriose basicamente é clínico, com o histórico da paciente e um exame físico. Em algumas situações são necessários exames complementares, como ultrassom ou a ressonância magnética.

O ginecologista explica que as características podem variar de pessoa para pessoa. “Existem pacientes que apresentam muita dor, pacientes com dificuldades para engravidar, pacientes que têm as duas coisas e as totalmente assintomáticas, que descobrem por acaso em algum procedimento”, explica.

O tratamento, é muito individualizado, pode ser hormonal, cirúrgico, ou até com técnicas de reprodução assistida, mas depende muito de cada pessoa. Para o médico é preciso também deixar claro que nem toda dor menstrual é endometriose. É preciso ficar alerta aos sintomas e buscar avaliação médica.