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Beatmaker Andrews Assunção fala da atividade indispensável para riqueza sonora do Hip Hop

No âmbito de criação e produção musical dentro do Hip Hop, ritmo nascido nos bairros periféricos dos Estados Unidos, surge a figura do beatmaker, que é o profissional responsável pela fabricação da parte instrumental da música. A profissão não é novidade, mas com o avanço do acesso às tecnologias foi possível dinamizar e difundir essa atividade.

Nascido e criado na Baixada Fluminense, mais precisamente em Comendador Soares, no município de Nova Iguaçu, o jovem Andrews Lucas Assunção, de 19 anos, ou apenas Dr3w, é uma das pessoas hoje que criam batidas numa função tão indispensável para a riqueza sonora do rap.

Seu primeiro contato com a música foi bem cedo, logo aos 10 anos de idade quando começou a aprender a tocar violão. Em 2017, começou a se aventurar pelo mundo dos beats e foi aprendendo todas as técnicas por conta própria. Não parou mais!

Entre os trabalhos já feitos que considera os mais importantes estão “Rei Lacoste”, do MD Chefe com o Domlaike, “Segundo Andar”, do Kiaz com colaboração do BK’, “Toda Minha”, do Pryce com o NVN, e “Kylie Jenner”, do Thoney e o Rare G.

Foto: Jonathan Oliveira

Dr3w deu uma entrevista ao Jornal DR1 e falou sobre o seu trabalho como beatmaker, detalhou o processo de criação dos beats (batidas), falou sobre as suas referências na música e também como como vê a cena e do Hip Hop atualmente. Ele ainda deu conselhos para quem quer seguir na mesma profissão. Confira:

Jornal DR1 – Como começou a fazer beats? O que te motivou?

Dr3w – Eu comecei a fazer beats no final de 2017, baixei o FL Studio 11 em um notebook que meu pai tinha e fui aprendendo tudo por conta própria. Acho que o fato de eu sempre prestar bastante atenção nas batidas e melodias das músicas contribuiu muito para me interessar em ver como funcionava a criação dos instrumentais (principalmente de trap) e tentar fazer algo parecido com as referências musicais que eu tinha na época. Mas esse não foi o meu primeiro contato com a música. Com 10 anos, eu comecei a tentar aprender a tocar violão e isso me ajuda até hoje na criação dos beats.

Jornal DR1 – Quais softwares ou equipamentos você usa e quais os tipos de beats?

Dr3w – Eu comecei usando só um notebook e um headphone, e esse foi meu equipamento por um bom tempo. Hoje, eu faço alguns trabalhos em um estúdio que tem um computador, controladora midi, headphone, monitores de áudio, microfone e alguns outros equipamentos. Os tipos de beats que costumo produzir são: Trap, Plug,UK Drill, Slime e Club, são os tipos de beats que mais consumo também.

Jornal DR1 – Quais suas maiores referências na música?

Dr3w – Como produtor, me inspiro muito no Metroboomin, Wheezy, Mike Dean, Pi’erre Bourne, Murda Beatz, London on the Track, 808 Melo, no duo Take a Day Trip e na WondaGurl. A grande maioria são nomes que ganharam notoriedade na época em que comecei a acompanhar com mais gosto a cena americana e que me fizeram criar maior interesse pelo Trap.

Jornal DR1 – Como está sendo o trabalho na pandemia?

Dr3w – Comecei a fazer muitas colaborações com outros produtores, recebi vários loops (melodias) de outros beatmakers e enviei loops também. Agora que a maioria das pessoas com quem costumava a trabalhar de perto também se vacinaram as sessões tem voltado ao “normal”, tomando todos os cuidados devidos, logicamente.

Foto: Jonathan Oliveira

Jornal DR1 – Como vê a cena do Rap e do Hip Hop atualmente?

Dr3w – Fico muito feliz pelo crescimento da cena do Rap, muito gratificante ver a proporção que artistas do gênero estão ganhando, o aumento da auto estima que isso está trazendo pro povo preto. Mas como nem tudo são flores, certas coisas têm que melhorar bastante, como o “boicote” de mulheres e da comunidade LGBTQIA+ dentro do Rap e a marginalização do gênero por grande parte da mídia.

Jornal DR1 – Quais conselhos daria para quem quer seguir na mesma profissão?

Dr3w – Ter bons equipamentos é importante, mas não adianta ter a melhor chuteira se você não sabe jogar bola. Então, a qualidade do seu trabalho depende do seu empenho, estudo e criatividade. E algo muito importante que serve para qualquer trabalho: você deve conhecer todos os seus direitos e exigir eles. Saiba o seu valor e estude o estilo de som que deseja fazer, ouça todo tipo de música para poder ter o máximo de referências possíveis e ideias novas.

Jornal DR1 – Quais são os próximos planos para a sua carreira?

Dr3w – Pretendo conseguir trabalhar com artistas da cena que gosto e acompanho, fazer o máximo de trampos possíveis e pretendo voltar a lançar músicas cantando. Quem me conhece há algum tempo sabe que eu fazia algumas músicas, mas sem tanta pretensão. Então, tirei a maioria delas da internet. Agora, pretendo lançar minhas músicas com mais “seriedade” e profissionalismo, se é que posso dizer assim.

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Caster do Rainbow Six Siege, “Retalha” fala da carreira de comentarista e da função de contextualizar público

Por Jonathan Oliveira

Por trás da energia dos esportes eletrônicos, há os que trazem emoção: os narradores. Mas, assim como Batman, eles têm também o seu Robin: os comentaristas, responsáveis por introduzir quem está assistindo e ouvindo a narração no contexto do jogo, para entender acontecimentos espontâneos ou calculados no game. Para saber mais um pouco sobre os comentaristas, trouxemos nesta edição o Otávio “Retalha” Rodrigues Ceschi, Caster do Rainbow Six Siege no Brasil pela Ubisoft.

Ele nasceu em São Paulo, tem 29 anos, fez curso técnico em radialismo e é formado em Jornalismo. Começou a vida gamer desde pequeno. Seu primeiro console foi um Super Nintendo, e jogava bastante Donkey Kong e Mario. Na adolescência, frequentava muito lan houses, que eram fenômeno, e deixava até de ir em compromissos como aula e terapia para jogar. Jogava bastante CS, que devia ser a versão 1.4 na época. Retalha também pratica esporte, intercalando o game com as atividades do bom e velho esporte tradicional.

Preparamos algumas perguntas para conhecermos o Otávio melhor.

Foto: Ubisoft

Jornal DR1 – Você foi um dos pioneiros para a narração e o entretenimento do Rainbow Six no Brasil desde o beta do jogo. Conte um pouco sobre essa trajetória e como chegou na Ubisoft?

Otávio – Jamais achei que estaria por aqui hoje. Meu começo foi ao lado do Meligeni, ainda no BF4. Eu tinha “largado” a vida de competidor (naquela época, não tinha nem salário) para fazer lives, porque me rendiam 100 dólares no mês. Em sequência, o Meli me chamou para virar comentarista com ele. Vi como uma oportunidade para uma área que eu já queria e buscava durante a faculdade, apresentar algo, trabalhar com comunicação. Detalhe: era totalmente “0800”. O Meli recebia dinheiro só do AD da Twitch. Depois de um ano, vimos que o BF competitivo não ia ter continuidade. e ouvimos falar de um tal de Rainbow Six, que seria lançado pela Ubi, e que a Ubi queria fazer competitivo. Nisso, ele e o Gabriel “winners” começaram a elaborar um projeto de campeonatos para a Ubi BR. A Ubi recebeu esse projeto, e nosso atual chefe nos chamou para uma reunião na BGS 2015 para explicar que eles tinham vontade de fazer o competitivo acontecer.

Jornal DR1 – Como um bom gamer, todo mundo tem seu apelido. Nos conte, de onde veio o “Retalha”?

Otávio – O primeiro nick era Retalhador. Usei até os tempos de BF e surgiu como indicação de um amigo, quando eu tinha 12 anos. Basicamente foi o seguinte:

– Oh, mano, qual nick que eu uso na LAN?? Não tenho ideia.

– Ah, bota Retalhador!

Depois quando comecei a fazer as lives, em 2014, resolvi deixar menos pesado. E, como só me chamavam de Retalha nos times pelos quais eu tinha passado, deixei só Retalha, e ficou.

Jornal DR1 – A narração é o principal elemento para levar ao público o que está acontecendo. E na função de comentarista, como é trabalhar no Rainbow Six Siege no Brasil?

Otávio – Meu trabalho, junto com o Meli, sempre foi de duas polaridades: ele sempre foi a emoção e eu sempre foquei na razão. No último ano, venho mudando isso do meu lado, principalmente quando temos algum time brasileiro contra outro time de fora. Poder fazer parte desse cenário desde o começo é sensacional. Tem muito carinho envolvido. Sinto bastante sempre que algum jogador veterano se aposenta e, ao mesmo tempo, é muito bom ver garotos que tinham 15 anos quando começaram a acompanhar o R6 e hoje conseguiram chegar no Tier 1 do competitivo. Às vezes, me sinto até um velho assim (risos).

Foto: Ubisoft

Jornal DR1 – Quais suas maiores motivações, tanto no cenário tradicional quanto no eletrônico, e a sua principal inspiração?

Otávio – Nunca fui de ter ídolos ou me espelhar em pessoas. Sempre tentei ser eu mesmo. Como profissional, meu pai sempre foi um exemplo. Gosto muito de escutar o Everaldo Marques narrando, Milton Leite. Em questão de motivação, é o pensamento de que eu posso sempre ser melhor do que ontem. Ou seja, todo dia é dia para aprendermos algo.

Jornal DR1 – Ubisoft é uma grande empresa de jogos, com títulos famosos no mundo dos gamers. Como é trabalhar nela?

Otávio – Nós prestamos serviço para eles, mas, para a comunidade, a gente representa a imagem da Ubi. Tanto que procuram a gente como suporte às vezes (risos). Quando olho pra trás, vejo que são 5 anos assumindo essa linha de frente e, ao mesmo tempo, não parece que passou todo esse tempo.

Jornal DR1 – Retalha e Meligeni são os casters pioneiros que estão ativos até hoje. Conte, olhando o cenário do Brasil de quando você começou até esse momento, vendo que o cenário está dominando de uma forma bem positiva e satisfatória, o que você está achando e qual sensação está sentindo?

Otávio – Desde o começo, eu sabia do potencial que nós brasileiros tínhamos, como comunidade e com skill dos jogadores. Não era atoa que em 2016 botávamos 2 mil pessoas nos eventos presenciais. Esses dois últimos anos eram para ter sido gigantes, mas a pandemia atrapalhou. O que importa é que a gente continua com a cabeça levantada e, mesmo com essas limitações, damos o melhor de nós para o público ter um show no final. Esse é nosso trabalho e a gente ama o que faz.

Foto: Ubisoft
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Entrevista com Gardênia Cavalcanti: “Tudo que é espontâneo é verdadeiro. Sou muito natural, às vezes me perguntava se era legal ser assim”

Por Guilherme Abrahão

Apresentadora do Vem Com a Gente na TV Band Rio, madrinha das ações sociais do Cristo Redentor, colunista do Jornal O Dia e empresária. É assim que a Gardênia Cavalcanti se descreve em seu perfil na sua principal rede social. E a  apresentadora da emissora carioca é muito mais do que isso. Gardênia é um exemplo de superação e de que quem batalha chega longe na vida. E nesta semana, a apresentadora aceitou o convite do Jornal DR e bateu um papo exclusivo. Ela falou da carreira, de futuros projetos e tudo o que passou para ser hoje um dos principais nomes da Band Rio. e a batalha não foi fácil para a nordestina de Pernambuco.

Em sua terra natal, ela trabalhou com cosméticos em grandes empresas, até chegar à Rádio Clube AM, de Recife. Lá ganhou destaque e partiu rumo ao estrelato na televisão, até chegar ao Rio de Janeiro. Mas como esperado, nunca foi fácil para a apresentadora.

“Não foi fácil porque sempre fui ativa demais, sair, prover, trabalhar com resultados, mas foi importante a fase para que eu pudesse viver o meu sonho, ser mãe.Aos poucos, me acostumei com a cidade maravilhosa, essa gente feliz! Retomei minha vida profissional, já são onze anos. Me sinto carioca (risos)”, contou.

Madrinha dos eventos beneficentes no Cristo Redentor, Gardênia apresentou no último dia 30 ao lado do ator Bruno de Lucca e Padre Omar Raposo, a live solidária do O Arraiá do Redentor. O primeiro arraiá foi realizado pelo Santuário Cristo Redentor, em benefício da campanha social “Cristo Redentor, Eu Quero Doar”, que está ajudando milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade social. 

“Não poderia perder a oportunidade de homenagear a minha terra, a minha gente do nordeste nesta ocasião, por isso escolhi me caracterizar de Maria Bonita. É uma alegria muito grande ter sido escolhida para ser madrinha dos projetos sociais do Cristo Redentor”, comentou Gardênia.

Confira agora, o bate-papo exclusivo da apresentadora com o Jornal DR1.

Jornal DR1: Como foi essa mudança na carreira de executiva para apresentadora de TV?
Gardênia Cavalcanti: Sempre participava de programas de TV dando entrevistas como executiva de cosméticos. Tinha alguns negócios no setor de beleza, por ser muito jovem, chamava a atenção por ocupar um cargo tão alto em uma multinacional,quando uma emissora de Pernambuco idealizou um programa de beleza, pensaram no meu nome para apresentar. Fomos pioneiros no estado de Pernambuco, ali nasceu a apresentadora. Seis meses depois fui convidada pela Band local. Aos poucos, a apresentadora foi tomando o espaço da executiva.

JDR1: Quais os grandes desafios que ser apresentadora oferece?
GC: Somos humanos, tem dias que não estamos bem, somos sentimentos. Apresentar um programa diário requer equilíbrio. No ar temos que apresentar com maestria, passar informação ou no meu caso, entretenimento e leveza, a proposta do vem com a gente!  A força de vontade tem que ser diariamente, coragem ! Estamos vivendo um momento de mudanças na comunicação, precisamos acreditar e inovar! 

JDR1: Como foi a mudança do nordeste para o Rio de Janeiro?
GC: Casei com um “Mineiroca” e mudei para cuidar da minha família. Foi uma escolha difícil, minha vida estava no Recife, meu trabalho, amigos. Fiquei quase cinco anos dona de casa, priorizei o cuidar do meu menino, Miguel.  Não foi fácil porque sempre fui ativa demais, sair, prover, trabalhar com resultados, mas foi importante a fase para que eu pudesse viver o meu sonho, ser mãe.Aos poucos, me acostumei com a cidade maravilhosa, essa gente feliz! Retomei minha vida profissional, já são onze anos. Me sinto carioca (risos). 

JDR1: Tem algum projeto em andamento?
GC: Vários! Na televisão temos algumas novidades que estão vindo por aí … Entre outras que andam paralelamente, que ainda não podemos divulgar. 

JDR1: O que a Gardênia evoluiu do início na televisão para hoje em dia ?
GC: Mais tranquila, menos preocupada com o sotaque que vem naturalmente e faz parte de mim. Tudo que é espontâneo é verdadeiro. Sou muito natural, às vezes me perguntava se era legal ser assim. Hoje vejo que preciso cada vez mais ser eu mesma! Mãe, madura, mulher… Da menina de outrora só os sonhos e a alegria de viver continuam . 

JDR1: Qual conselho dá pra quem sonha seguir esse ramo da televisão?
GC: Perseverança, estudar, saber o foco . Tem gente que vai para vários lados, se não soubermos onde queremos chegar nunca conseguiremos o nosso destino, certo? Você deseja ser apresentador ? Se preparem! E de verdade, não escute os nãos da vida. Quando cheguei aqui ouvi de uma xenofóbica: ‘Onde essa Nordestina pensa que vai chegar no Rio de Janeiro?’ Ouvi e não respondi na época. Minha resposta veio com o tempo, dedicação e trabalho. Cheguei até aqui e chegarei onde eu quiser. Já disse o poeta, “ a vida se dá pra quem se deu”.

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“Pimenta, com participação da Gloria Groove, será o primeiro single do álbum”, anuncia Bivolt

*Por Fabiana Santoro

Indicada ao Grammy Latino de 2020, a rapper Bivolt se prepara para lançar uma parceria com Gloria Groove e um novo álbum. A artista anunciou o feat em primeira mão ao JornalDR1 e também conversou sobre carreira, espaço musical e novidades sobre o novo disco.

Nascida e criada na região de Boqueirão, em São Paulo, a rapper Bivolt iniciou sua carreira em batalhas de MC ‘s na capital paulista. Misturando rap com R&B e soul, a versatilidade em rimas e a inovação musical se tornam uma marca da artista. Sendo a primeira mulher a fazer parte do elenco de rappers da Som Livre e a primeira rapper a cantar no Rock In Rio, Bivolt entende seu espaço e sua importância no cenário do Hip-Hop.

DR1 – Você iniciou sua carreira na começou sua carreira em batalhas de MC na capital paulista e já trabalha 10 anos nesse meio. Porém só lançou seu álbum de estreia em 2020, como foi lançar o “Bivolt” em plena pandemia? Você pensou em adiar?

Bivolt – Eu nunca nem cogitei pensar que ficaria quase dois anos vivendo uma pandemia. Então, eu não pensei em cancelar. Não sabíamos nada sobre o Coronavírus, era uma incógnita. Talvez tenha sido bom ter saído nesse tempo, porque foi um tempo que as pessoas ficaram em casa e eu consegui conectar a música com muita gente. Olhando para o lado business e olhando para o lado de carreira, foi um mal momento, mas olhando para o lado ser humano, da missão da música, foi bom estar com essas pessoas nesse momento delicado de acolhimento. Isso acabou servindo até para mim. 

DR1 – Você lançou as músicas 110v e 220v que, quando tocadas simultaneamente, formam uma terceira faixa. Nunca tinham feito isso antes. De onde surgiu essa ideia?

Bivolt – Eu busquei ver se alguém já tinha feito isso e não achei nada parecido. Isso veio da ideia de querer traduzir a Bivolt, mostrar dois lados da mesma pessoa. O mood do álbum são músicas 110/220 que foram os nomes que eu dei para essas voltagens mais cantadas e as outras mais rap, mais rima. Eu não queria parecer dividida em duas coisas, se eu sou uma coisa só. Isso faz parte de mim. Eu sou cantora, mas também sou MC.  Sou rapper. Então como fazer isso? Como juntar isso tudo? Foi nessa busca de juntar esse conceito, traduzir a Bivolt. O melhor jeito é com música, então são duas músicas que representam meus dois moods que tocadas juntas dá a música Bivolt, que é o nome do álbum. Digamos que esse álbum é conceitual, tem um conceito por trás, tudo pensado dentro desse conceito de dualidade.

DR1 – Você já se mostrou pioneira em vários espaços, tanto que se tornou a primeira mulher a fazer parte do elenco de rappers da Som Livre. Como você enxerga a luta das mulheres dentro do mundo do hip-hop?

Bivolt –  Desde que eu comecei, entendo porque eu to aqui e qual a minha missão. Durante toda a minha trajetória, desde o início, não tinha mulheres fazendo, eram muito poucas. Eu falo de mais ou menos 10 anos atrás. Hoje eu olho e vejo que tenho vários colegas de profissão, várias colegas rappers arrebentando. Onde eu me vejo eu existo. É sobre representatividade. Se você está vendo uma mulher ali, andando de skate por exemplo, você pensa: Ok, perai acho que eu também posso andar de skate. Você se sente mais confiante na representatividade, no coletivo. A minha necessidade de querer ocupar espaço vem disso. Eu preciso que outras pessoas me vejam nesses espaços para elas saberem que também conseguem, também podem. Então, eu deixo o machismo e todas essas agressões que a gente sofre, quando tem a nossa arte reduzida por causa do nosso gênero. Eu desprezo isso e foco em tudo de bom que estamos construindo, e em todo esse movimento que está gerando mais movimento. Se em 10 anos já conseguimos mudar isso tudo, eu espero que em mais 10 ou 30 anos de carreira eu consiga mudar cada vez mais coisas.

DR1 – Teremos novidades da Bivolt esse ano? O que podemos esperar?

Bivolt – Vamos ter músicas novas. Estou trabalhando no meu próximo álbum, é diferente da ultima vez que eu lancei os clipes depois do álbum, eu vou lançar alguns antes. O primeiro será dia 6 de agosto, ‘Pimenta’ com participação da Gloria Groove. Será o primeiro single do álbum! Inclusive terá menos músicas que o primeiro. Estou pensando em lançar ele em outubro quando as pessoas já estiverem mais vacinadas, para conseguirmos trabalhar melhor junto com o Bivolt. Vamos chamar de ‘’Bivolt2.0’’. O clipe com a Gloria Groove já está gravado e está lindo demais! E mais um spoiler: Serão 3 clipes antes de lançar o álbum.

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Fernando Pennafort fala da carreira e de canção escrita antes da pandemia que retrata atualidade

“Vem pra ficar, a certeza de uma nova era. Já vamos crer nesse novo mundo à nossa espera. É, somos nós que seguimos sempre em frente. É porque nós vamos ter um mundo diferente”. A música “Mundo Diferente”, escrita e cantada pelo cantor carioca Fernando Pennafort, começou a ser escrita há alguns anos e finalizada uma semana antes da pandemia do Coronavírus.

A canção tem muito a ver com o momento atual e difícil que estamos passando, mas se engana quem pensa que a letra foi escrita pelo artista agora durante a quarentena. Ele colocou as letras no papel antes da pandemia, como se já previsse o que estava por vir.

“Já estava com a letra toda pronta quando vi que era uma mensagem positiva e perfeita para o momento”, explicou o artista. A música está disponível nas principais plataformas de streaming e tem videoclipe lançado no canal oficial do carioca no Youtube.

Nascido no Rio de Janeiro, Fernando Pennafort de destaca pela voz marcante. O carioca carrega em sua essência o rock dos anos 60 e 70 e tem perfil multifuncional. “Compor é meu forte”, relata o cantor, que também toca guitarra e violão e já conta com 7 lançamentos em sua carreira, que variam entre álbuns e um EP, lançado no ano de 2016.

“São projetos que me fortalecem como pessoa e artista, cada um com um significado e importância diferente na minha trajetória. Começamos em 2001 e não paramos mais”, diz.

Fernando Pennafort bateu um papo com o Jornal DR1 para falar um pouco sobre a carreira artística, sobre sua relação com a música e também sobre seus projetos futuros. Confira.

JORNAL DR1 – Como nasceu a paixão pela música?

PENNAFORT – Acho que foi ouvindo os Beatles, aos 6 anos.

JORNAL DR1 – Mesmo nascido no Rio, foi em Brasília que desenvolveu sua carreira artística como músico e compositor, não é? Quando e por que se mudou pra Brasília?

PENNAFORT – Foi em Brasília que eu comecei mesmo. Me mudei aos 19 anos, depois que uma Faculdade não deu certo e os meus pais moravam aqui.

JORNAL DR1 – Você carrega em sua essência o rock dos anos 60 e 70. Tem ídolos na música? Quem são suas inspirações?

PENNAFORT – Tinha ídolos quando era bem novo. Hoje, tenho artistas que gosto (risos). Minhas inspirações variam. Nem sei bem o que pego na minha bagagem para tocar ou compor.

JORNAL DR1 – Além de cantor, você também é compositor e toca guitarra e violão?

PENNAFORT – Sim, vou botar nessa ordem…Compositor que toca e canta.

JORNAL DR1 – A sua música “Mundo Diferente” retrata bem o momento difícil que todos estamos passando, mas a letra foi escrita antes da pandemia. Você já estava prevendo o que viria?

PENNAFORT – Deve ter sido premonição (risos). Essa letra se encaixa perfeitamente como um alento para essa situação do mundo.

JORNAL DR1 – Como tem sido o trabalho agora na pandemia?

PENNAFORT – Um tanto produtivo. A gente sai menos e foca mais no trabalho.

JORNAL DR1 – Já são quantos trabalhos feitos na carreira?

PENNAFORT – Não sei a conta certa, mas acho que são uns 10.

JORNAL DR1 – E quais os próximos planos? Já tem algum projeto em mente para depois da pandemia?

PENNAFORT – Os próximos planos são lançar novas músicas e um clipe. Acho que é melhor ninguém contar com o fim da pandemia para realizar um projeto.

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Duda Beat lança seu novo clipe “Nem Um Pouquinho” e conversa com o JornalDR1 sobre a produção, mulheres na indústria e novo álbum

*Por Fabiana Santoro

Duda Beat lançou nesta quarta-feira (30) o clipe “Nem Um Pouquinho”, novo single do seu segundo álbum de estúdio que conta com um visual futurista e produção artística impecável. A artista conversou com o JornalDR1 sobre seu mais novo videoclipe, desafios das mulheres na indústria e seu novo álbum “Te Amo Lá Fora”

Nascida no nordeste no Brasil, a cantora Duda Beat tem se mostrado cada vez mais uma revelação na música brasileira. Com apenas 33 anos, a pernambucana conquistou o Troféu APCA de revelação de 2018 e teve o seu álbum de estreia incluído na lista dos dez melhores discos nacionais do ano da revista Rolling Stone.

A cantora ficou conhecida como “musa da sofrência” com seu repertório versátil misturando batidas e ritmos diferentes. Duda Beat retrata suas desilusões amorosas e a importância do amor próprio. Em 2021 a artista embarcou na experiência de lançar um álbum em plena pandemia, mantendo a raiz brasileira e o resgate aos ritmos nordestinos, “Te Amo Lá Fora” seu segundo álbum de estúdio é carregado de histórias transparentes sobre a vida e o amor. 

JDR1 –  As composições de seu primeiro álbum de estúdio “Sinto Muito”, gravado em 2018, representam um amor que não deu certo, uma mulher apaixonada e magoada. Em “Te amo Lá Fora”, vemos uma história parecida, porém, de um outro modo. Quais foram suas inspirações para as músicas e como você acredita que elas contam uma história diferente do seu primeiro álbum?

Duda Beat – O amor é uma grande inspiração para mim. Acho que esse é um assunto com o qual todo mundo consegue se relacionar, né?! Quem nunca sofreu por um não correspondido que atire a primeira pedra (risos). Dessa vez, porém, eu não estou na emoção do momento, como estava em “Sinto Muito”. Em “Te Amo Lá Fora”, há uma distância entre mim e esse coração partido. Isso faz tudo entrar em perspectiva. Nesse álbum trago outras nuances, exploro outros sentimentos: estou mais rancorosa, mais dark, mas também mais em paz, superando o coração partido e dando a volta por cima. Tem até música de amor correspondido, a “Decisão de Te Amar”, que eu fiz justamente para o Tomás. Então, apesar de o tema ser o mesmo, a maneira como eu trato dele é completamente diferente.

Clipe “Nem Um Pouquinho” Crédito: Fernando Tomaz

JDR1 – Você lançou o clipe de “Nem Um Pouquinho” nesta quarta-feira e já dá para ver que é mais um clipe incrível. Em “Meu Pisêro”, já tínhamos nos deparamos com uma incrível direção de arte e um novo conceito. Como você acha que a capa do disco e os visuais dos vídeos refletem nas composições do álbum?

Duda Beat – Para mim, o visual é muito importante. Quando penso em contar a história das minhas músicas, já gosto de imaginar o que poderia trazer naquele clipe. Acho que a internet ressaltou ainda mais esse apelo visual das coisas. Por exemplo, estamos ali no Instagram consumindo imagens, vídeos… Marcelo Jarosz, que é meu diretor de arte, traz muitas ideias e também é muito aberto a ouvir e trocar. Isso para mim é muito importante. Eu sou uma pessoa que acredito 100% no trabalho colaborativo. Em “Meu Pisêro”, ele e a Cris Streciwik, que dirigiu o clipe, pensaram naquelas referências de cinema noir e cinema de terror, que eu achei que tinha tudo a ver com a proposta da música. Dessa vez, em “Nem Um Pouquinho”, eu e a dupla Alaska estávamos trocando desde agosto do ano passado sobre ele. A ideia é que o vídeo saísse junto com o álbum, mas com o agravamento da pandemia, tivemos que adiar. Dessa vez, continuamos com uma pegada darkzinha, só que mais futurista, a história se passa em um universo alternativo e os habitantes deles têm poderes. O da minha personagem é se transformar em várias outras pessoas, e ela faz isso para ficar com a pessoa que ela ama. Mas calma que no final o jogo vira drasticamente (risos). Não é uma história só sobre sofrer por amor, é também sobre dar a volta por cima e, em um certo ponto, entender que você precisa se amar primeiro. Acho que o final do clipe mostra muito isso.

Crédito: Fernando Tomaz

JDR1 – Muitas mulheres artistas comentam sobre o processo de precisar se reinventar mais que os homens para se manter na indústria. É visível que no novo álbum você mostrou uma estética diferente do primeiro, você acredita que seu processo de reinvenção foi natural ou uma pressão da indústria?

Duda Beat – Meu processo foi natural e muito meu. A roupagem de “Sinto Muito” já não cabe nessa era “Te Amo Lá Fora”. Então, foi natural para mim e para meu stylist, Leandro Porto, trazer uma outra estética para esse momento, falando da parte visual. Na parte das letras também foi muito natural por aquilo que falei lá em cima: houve um amadurecimento entre um álbum e outro e isso faz com a maneira de falar sobre o assunto seja diferente. Além de tudo isso, ainda tivemos uma pandemia no meio. Eu não falo sobre ela nas letras, mas é inegável que a pandemia atravessa meu trabalho. Esse mergulho muito profundo em mim, esse confronto tão cru comigo e com meus demônios, com o que me assombra, está em “Te Amo Lá Fora”. E acredito que este foi um efeito da pandemia. Se fosse um álbum produzido em outra circunstância, acredito que ele seria de outra maneira. Mas isso sobre as mulheres no mundo da música é um ponto muito importante. Como em outros campo da vida, vejo que as mulheres são mais cobradas para sempre inovarem e trazerem coisas diferentes, mas ao mesmo tempo parecem que não torcem ou não nos dão apoio para continuarmos e seguirmos em frente. Sem contar que ainda querem jogar uma artista contra a outra, em pleno 2021. Acho isso um absurdo. Há espaço para todo mundo brilhar, para todo mundo fazer música e digo mais para colaborar também. Em um ambiente de apoio e respeito, todo mundo cresce e a música e os fãs saem ganhando porque podemos ver mais mulheres compondo e cantando, tendo cada vez mais espaço e liberdade.

JDR1 – Por conta da pandemia, como foi trabalhar com Trevo, Cila do Coco, Lux Ferreira e Tomás Tróia a distância? Como ocorreu essa troca?

Duda Beat – Foi diferente. Com Lux e Troia foi o mais próximo do normal porque trabalhamos sempre juntos, moramos na mesma cidade. Por exemplo, eles estavam comigo na imersão em que eu estava para fazer o segundo disco quando a pandemia foi anunciada, em março de 2020. Com Dona Cila, entramos em contato com a empresária dela, falei do meu desejo de tê-la no álbum e ela adorou a ideia. Foi muito especial. Usamos dois samples dela em “Tu e Eu”. Depois, quando estava em Recife, fui conhecê-la pessoalmente respeitando todos os protocolos. Foi massa demais, muito especial. Ela é uma referência muito grande para mim. E com Trevo, nós entramos em estúdio para gravar, respeitando todos os protocolos também. Antes desse momento, nosso contato tinha sido todo virtual. Agora, gravamos o clipe de “Nem Um Pouquinho”, mas também em um set com equipe reduzida, respeitando os protocolos. Foi muito especial ter todas essas pessoas ao meu lado nesse trabalho.

JDR1 – Seu trabalho artístico tem conquistado cada vez mais fãs e admiradores não só da sua música mas, também da pessoa que você é. Como artista, imagino que você deve estar sentindo falta do palco. Qual música você está mais animada para cantar ao vivo? Podemos esperar participações especiais caso ocorra uma tour?

Duda Beat – Ah, muito obrigada! Que feliz de ler isso. Eu busco me comunicar de uma maneira muito aberta e verdadeira com meus fãs. Uso mesmo minhas redes como um espaço de diálogo com as pessoas que me seguem. E o show é o momento maior de comunhão para mim com o público, é uma troca inexplicável. Eu estou morrendo de saudade do palco. Eu sou uma artista de show, de palco, então, não tem como ser diferente. Está sendo muito diferente para mim por exemplo lançar um disco sem poder apresentar ele em um show. Mas tudo bem, o momento requer cuidados e quando estivermos todos vacinados, poderemos cantar juntos e estaremos todos em segurança. Estamos aproveitando esse momento para já pensar no show que vem aí com o disco novo. Não tem como escolher uma música só. Quero muito cantar todas. Acho que vai ser massa demais. Ainda vou manter no repertório algumas músicas de “Sinto Muito” também. Então, podem aguardar que teremos um show lindo para quando tudo isso passar.

O disco “Te Amo Lá Fora” está disponível em todas as plataformas digitais e seu mais novo clipe “Nem Um Pouquinho” pode ser assistido no YouTube pelo canal da cantora. 

 

 

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Kiria Malheiros se divide entre as gravações e as aulas on-line

Aos 16 anos, a atriz e estudante Kiria Malheiros se desdobra para conciliar as duas rotinas. De manhã, ela assiste às aulas on-line do CEL Intercultural School. E, à tarde, interpreta a personagem Zilpa, da novela Gênesis, da Record TV, da qual tem o maior carinho.

Crédito das fotos: Arquivo pessoal

Zilpa ganhou um lugar especial no meu coração. Está sendo uma

experiência totalmente nova trabalhar em uma novela de época e bíblica. O figurino, os cenários, tudo diferente! Uma experiência única e maravilhosa – conta a atriz, que vive a filha de Yarin (Cacau Melo) e Jasper (Thiago Amaral).

Kiria se orgulha ao enumerar as características de sua personagem atual:

Ela é madura e tem um comportamento bem maternal, sabe ser dura quando necessário. Ela é séria e responsável, um tanto quanto brava também. Mas carrega um coração nobre.

A estreia de Kiria em novelas foi em ‘Salve Jorge’, quando conquistou o público como Raíssa, em 2012, na TV Globo. Mesmo ainda tão nova (7 anos) naquela época, a atriz se lembra do sentimento quando fez o teste:

Eu estava muito nervosa e ansiosa. O resultado demorou quase 2 meses pra sair. A ansiedade estava a mil! Mas, no fim, deu tudo certo. Foi muito emocionante para mim, estava muito feliz!!

Até hoje, a filha dos vendedores Carla e Dolsenir Malheiros já contracenou com grandes nomes da dramaturgia brasileira. Entre eles,

Crédito das fotos: Arquivo pessoal

Lilia Cabral e Giovana Antonelli. Como atriz, uma grande inspiração para Kiria é a americana Scarlett Johansson.

E com quem a jovem atriz gostaria de contracenar?

Fernanda Montenegro. Acho ela uma pessoa muito humilde e talentosa, além de vivida! Acredito que poderia aprender bastante com ela.

Na sala de aula, Kiria é aluna do segundo ano do Ensino Médio. E ela é grata ao colégio por ajudá-la a conciliar com as gravações.

Estou há quatro anos no CEL, que sempre foi muito flexível e compreensível com minha rotina de trabalho. Sempre me ajudou e me deu o suporte necessário para que não houvesse problemas nessa conciliação. Quando saio do colégio, vou direto gravar. E nos intervalos consigo arrumar um tempo para realizar as tarefas e estudar.

Filme na Netflix

Em 2020, aliás, Kiria apresentou, ao lado do ator Xande Valois, também aluno da escola, a live dos 50 anos do CEL:

Foi incrível e muito emocionante, me senti honrada e pude aprender um pouco mais da história do CEL.

Atualmente, além de Gênesis, Kiria está nas telinhas na reprise de Império, na Globo. Ainda neste ano, acontece a estreia de seu mais novo filme, original Netflix, chamado ‘Confissões de uma garota’.

E quais os maiores sonhos dessa jovem e talentosa atriz?

Continuar fazendo o que eu amo, participar de projetos marcantes e inesquecíveis e, quem sabe um dia, ganhar um Oscar.

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No mês que marca a Abolição da Escravatura artistas do Coletivo Pé na Porta refletem sobre a “falsa abolição no Brasil”

 

 

Atores do Coletivo Pé na Porta refletem sobre o dia 13 de maio, marco da Abolição da Escravatura. Os artistas avaliam a vida da população negra e o que mudou 134 anos após a assinatura da Lei Áurea em 1888.

A data marca oficialmente o fim da escravidão no Brasil, último país a abolir a prática. A população negra foi liberta, mas não recebeu nenhum amparo do Estado e da sociedade. A herança escravagista reflete até hoje na desigualdade entre brancos e negros.

“Invisíveis” espetáculo do Coletivo Pé na Porta aborda essas e outras questões sofridas por trabalhadores pretos da atualidade. Além do espetáculo, exibido de forma online, o grupo prepara um documentário, que estreia em breve, sobre o assunto.

Cridemar Aquino – Crédito: Reprodução

Resposta Cridemar Aquino

13 de maio é um dia de comemoração?

“Não! Definitivamente é um dia para olharmos com muita inteligência e entendermos todo o processo violento a que nossos corpos foram submetidos. Todo esse processo vergonhoso para o Brasil que foi o último a “ abolir “ a escravidão, só denota os reflexos dessa sociedade, baseada na exploração de corpos pretos , na discriminação, e na diminuição do valor da humanidade de nossos corpos.”

Como a pandemia afetou os artistas pretos e o que podemos fazer para diminuir as sequelas da Covid-19 na vida profissional e social da população preta?

“A pandemia mata muito mais pessoas pretas. No caso dos artistas, esse é um fator muito importante, uma vez que artistas pretos são preteridos de um modo geral em trabalhos artísticos. Sendo assim, a vida artística que já sofre sistematicamente, para artistas pretos é uma grande catástrofe. Mesmo nesse processo da Lei Aldir Blanc , em que alguns projetos foram contemplados, artistas pretos foram e estão sendo lesados por contratantes e ganhadores dos fomentos. É uma prática ainda mais cruel , mas que reproduz toda a lógica racista de exploração.”

 

Raphael Rodrigues – Credito: Reprodução

Resposta Raphael Rodrigues

Como avalia a vida da população negra após a abolição ?

“Uma vida cheia de mazelas sociais que não foram dissipadas. E com passos fortes , que apesar de muita luta e grandes representantes , ainda é sufocada e aniquilada no tocante às suas potências e sonhos . Ainda pessoas pretas estão presas, e amordaçadas por um sistema cruel e cínico da sociedade brasileira elitista.”

Milton Filho – Crédito: Reprodução

Resposta Milton Filho

Qual o reflexo da abolição para artistas pretos no teatro, audiovisual e artes em geral?

O mercado áudio visual tem avanços que ainda não nos colocam num patamar equitativo. Ainda somos uma parcela ínfima em produções e com dramaturgias que não nos favorecem. Ainda há muito estigma. E é urgente uma revolução global nesse sistema e em todas as áreas em que o áudio visual emprega. É preciso que tenhamos diretores, cineastas, autores, produtores de elenco, diretores de arte … pretos conscientes do papel da representatividade! Nesse sentido, somente pessoas que já viveram essas situações seriam capazes de realmente provocar uma revolução.

 

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Destaque do surfe brasileiro Andrea Lopes afirma: “Posso ajudar o surfe feminino por ser pioneira”

Por Guilherme Abrahão

Um dos maiores nomes do surfe mundial. A primeira mulher empreendedora da modalidade a gerir uma escola de surfe. Essa é a carioca da gema, Andrea Lopes. Nascida e criada na cidade maravilhosa, aos 47 anos, Andréa tem muita história para contar. E muito título também na sua longa carreira de 32 anos na modalidade.

Em 1988 conquistou seu primeiro título com apenas 14 anos. Em 1991, já competia na Austrália de forma profissional. Em seguida passou por problemas de anorexia nervosa, chegando a pesar 38kg, e superou com muita força de vontade, como em tudo que pautou sua vida no surfe. Voltou às competições em 1999 e se tornou a primeira mulher brasileira a vencer uma etapa do WCT e a primeira wildcard do mundo – sendo até hoje a única – a vencer na primeira divisão mundial. Chegou ao tetracampeonato em 2006 encerrando sua carreira profissional em 2010, com o vice-campeonato sênior (o único ainda não conquistado por ela até hoje)

Andrea é um orgulho para o esporte. Criou projetos e além de sua escola, ministra a Palestra M.A.R. (Meta, Atitude e Resultado) para auxiliar pessoas com conhecimento técnico, oferecer uma abordagem interpessoal e motivacional ao público. 

Jornal DR1: Como é ser considerada um dos maiores nomes do surfe feminino mundial?
Andrea Lopes: É uma honra, afinal de contas mais da metade da minha vida é dedicada ao surfe e competindo. São 27 anos de competição, 32 de surfe e tenho 47. A competição está no sangue e sendo a pioneira no circuito mundial e em títulos no Brasil, acho que ser referência acaba sendo um lugar de muita batalha e uma grande honra. De certa forma hoje posso ajudar o surfe feminino e em geral, com várias ações e tomando lugar de pioneira em vários movimentos que o surfe tem feito. A palavra só pode ser essa: uma honra.

JDR1: Qual a grande saudade dos tempos de competição?
AL: Saudade que tenho é de viajar. Viajava muito mais. Passava oito a nove meses fora do país. Três ou quatro no país só e de forma picotada. Saudades dos amigos que fiz ao redor do mundo. Na Austrália, Japão, Indonésia. A questão de perder ou ganhar é algo que ficou para trás de uma forma bacana na minha história de vida. Então a maior saúde é viajar e os amigos.

JDR1: Que aprendizado você traz da sua vitoriosa carreira?
AL: Trago é que ninguém é melhor ou pior do que ninguém .Cada um tem seu momento de vitórias e derrotas. Isso faz parte da vida da competição. É saber lidar com o lugar mais alto ou que os holofotes não estão virados para você. É um aprendizado de vida. O tempo todo estamos ganhando e perdendo, não pode se sentir melhor ou pior do mundo. Sempre firme, com humildade e caminhando para frente. Esse é o meu grande aprendizado. 


JDR1: Sua escola de surf é uma das principais do Brasil, quais os pilares desse trabalho?
AL: A escola já existe há sete anos. Tudo foi uma construção até hoje. Agora somos referências, principalmente por coisas que acredito muito, que é o respeito pelo aluno, pelas demandas, encarar o medo de uma forma muito tranquila. Trazem muito esse discurso do medo do mar e precisamos respeitar. Além dos clientes, minha equipe também. Criamos uma família, tem professores que estão comigo desde o início. A equipe só cresce, não diminui. Raramente um sai fora. Coragem é um fato, porque tem que ter muita para empreender no Brasil. Estou falando de respeito, coragem e união. Essa é a nossa bandeira.

JDR1: Por que a escolha pela Barra da Tijuca para montar sua escola?
AL: Sou moradora da Barra desde 1979, desde que tenho seis anos. Sou barrense desde criança. Mas as condições do mar são bem bacanas para se ter uma escola de surfe.

JDR1: Quais os pré-requisitos para iniciar a prática do surfe?
AL: Para começar no surfe é preciso vontade. Não é aquela coisa de um dia ou outro que falta porque venta ou está frio. O surfe  é muito único e requer muita vontade. Coragem também, mas isso a gente constrói junto. Vontade não. É algo intrínseco. É algo único da pessoa.

JDR1:  Hoje você enxerga quem como os grandes nomes do surf, tanto masculino como feminino?
AL: Vejo no masculino nossos brasileiros, Ítalo e Medina, são dois que estão em outro patamar de surfe. No feminino, a australiana Sierra Kerr. Uma garota nova, que está vindo com tudo.

JDR1:  Falta atingir alguma meta na sua carreira?
AL: Tenho quase todos os títulos. ùnico que não ganhei fui campeã mundial master,. Sempre fui segunda ou terceira das etapas. É o único que ainda posso participar e se for convidado pela ISA, posso participar. Nesses últimos de carreira e que possa competir, é o único que falta. E quem sabe. Na vontade estou sim.

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Andrea Avancini fala de novo curso e protocolos contra Covid-19 em Gênesis: “Testes de seis em seis dias”

Por Alan Alves

Atriz, diretora e produtora, com 38 anos de carreira, Andrea Avancini, no ar como Yarin da novela Gênesis, da TV Record, também tem uma trajetória de sucesso de 25 anos como mentora de atores. Ela lançou agora em 2021 seu método de atuação “O Salto do Ator”, em uma plataforma digital on-line.

Uma das profissionais mais respeitadas do mercado e professora da CAL e da Agência Cintra, duas das escolas de atores mais importantes do país, Andrea desenvolveu sua metodologia ao longo de quase quatro décadas de trabalho nas maiores emissoras de televisão do país. E já são mais de 13 mil alunos formados.

Consagrada por performances marcantes e conhecida por sua habilidade técnica na construção de personagens complexas e conflituosas, já soma mais de 30 novelas e minisséries, mais de 100 produções teatrais, curtas-metragens e festivais promovidos e possui ainda no currículo diversos prêmios, entre eles dois Troféus Nelson Rodrigues.

Andrea conversou com o Jornal DR1 esta semana em uma live, e você confere a seguir alguns trechos da entrevista:

JORNAL DR1 – Já são mais de 30 novelas e minisséries. Qual foi o trabalho mais desafiador?

ANDREA – Cada novo trabalho é um desafio. Mas trabalhos que me desafiaram de uma forma potente foram Xica da Silva, do Walcyr, que eu fazia uma mulher selvagem, completamente fora da curva, fora da linha, do normal. Foi um grande presente do Walcyr, porque é uma personagem que surge uma vez na vida. Outro presente do Walcyr foi Delfina, na Padroeira. Era uma portuguesa e eu tive que aprender a falar o sotaque português perfeito, porque quem ia contracenar comigo na primeira cena era o Antônio Marques, grande ator português, nível Fernanda Montenegro lá em Portugal.

JORNAL DR1 – Como tem sido o trabalho na pandemia?

ANDREA – A gente estava gravando Amor Sem Igual e paramos, acho que seis meses, de março a setembro, alguma coisa assim. E voltamos com todos os protocolos. Quarenta e duas páginas de protocolos. Mudou a quantidade de cenas que a gente grava por dia: eram 25 a 30 cenas e passaram para 15, 10, para pode ter todo esse cuidado. Eu gravo nas quintas-feiras e, agora, com o novo protocolo da Record, a gente vai fazer testes de seis em seis dias, um dia antes de gravar, para poder garantir que os atores estão seguros. As cenas são sem muita aproximação, que foi o que a gente fez em Amor Sem Igual também, nada de comida em cena, e cada um leva seu copo.

JORNAL DR1 – Antes da Yarin, você fez a Zenaide em ‘Amor Sem Igual’. Como incorporar personagens assim tão diferentes?

ANDREA – O meu curso está exatamente explicado como buscar as diversas camadas da personagem. Eu vejo atores que estão começando que acham que é só pegar o texto, decorar e foi. O autor traz para a gente no texto, o primeiro nível de informações, e é através da palavra que a personagem diz. Mas ele traz muito mais informações através do subtexto, daquilo que a personagem não diz, mas que a personagem pensa. Não sou eu, a Andrea Avancini, em cena; é sempre a personagem em cena. E, para a gente entender essa personagem, é muito estudo, muitas referências, muita pesquisa. O mundo é visto através do olhar da personagem, sentindo, vendo, se relacionando com o mundo, com os outros personagens. É assim que a gente consegue criar personagens profundas.

JORNAL DR1 – Como concilia o trabalho como atriz e como professora?

ANDREA – Uma coisa complementa a outra. Eu trago tudo que aprendo no set até hoje para a sala de aula. No meu curso, eu consegui colocar dez fundamentos, numa didática mesmo, para o ator poder entender como construir a personagem, como encontrar o DNA da personagem, como trabalhar a emoção, como se comportar no set, como ser um ator dirigível. É um orgulho poder dividir, partilhar essa experiência com tantos alunos, muitos deles fazendo sucesso aí, como Rodrigo Andrade, Marcela Barroso, Ricky Tavares, Juliana Xavier, DJ Amorim, que tá fazendo “Bom Dia Verônica”, Rafael Zulu, Daniel Torres.

JORNAL DR1 – Qualquer um pode se tornar bom ator ou atriz ou é preciso dom também?

ANDREA – Eu tenho visto as duas coisas. Tem atores que nascem com o dom, tem facilidade como ator, várias virtudes, mas não tem aquela força de vontade. E a nossa profissão é 90% esforço, 90% estudo. Claro que quando você tem o dom, tem um talento, junto com o estudo, você consegue se destacar de uma forma extraordinária. Mas eu vejo, por experiência, que tem muitos atores por aí que começam, pezinho por pezinho, e chegam lá, e chegam muito longe, surpreendentemente, por força de vontade, por estudo, por ter o entendimento de que é preciso estudar, por entender o que precisa melhorar.

JORNAL DR1 – Quais os próximos projetos?

ANDREA – Estou ainda gravando a novela e, logo, logo, tem mais um outro projeto vindo, que eu ainda não posso falar. Tem projeto de cinema também, que a gente deu uma parada porque, com a pandemia, não tem como a gente fazer, mas estou lançado um próximo curta, que gravei em Marrocos, quando a gente foi fazer Jezabel. Está em fase de finalização, com a Juliana Xavier, com a Brendha Haddad, Fabinho Scalon e o Victor Sparapane. Devo lançar ano que vem. E estou muito focada nessa preparação de atores, agora mais em internet também, e abrir novas frentes.

Você pode conferir a entrevista completa com a atriz Andrea Avancini no Instagram e no Youtube do Jornal DR1.