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Entrevista com Lisete Bertotto: “Importante lembrar que este é um alerta aos meninos para que quando se tornarem pais sejam pessoas presentes. E que a figura paterna não é dispensável.”

A escritora gaúcha Lisete Bertotto, lança sua mais nova obra no Rio de Janeiro. “Guardiãs do Arco-Íris” aborda de maneira lúdica a ausência da figura paterna na família. O lançamento acontece no próximo domingo, 22 de maio em Niterói.

Antes do evento, a escritora separou um tempo para falar um pouco mais sobre sua obra mais atual, projetos futuros e o porquê de lançar o livro no Rio de Janeiro.

Jornal DR1: Como surgiu a ideia de escrever de forma lúdica um tema tão “pesado”, como a ausência de uma figura paterna?

Lisete Bertotto: Nos anos 90 eu fazia parte de um grupo teatral chamado Agenda, escrevia e algumas vezes até dirigia as peças. Tive contato com um número grande de educadoras e elas me traziam a demanda da ausência da figura paterna e como era difícil, principalmente para os meninos entenderem que o pai não os queria. Assim foi nascendo a ideia de trabalhar com essa temática tão delicada.  Seria um desafio e numa manhã eu saía apressada para trabalhar e ao sair de casa enxerguei o arco-íris, a beleza das cores, a perfeição da perfeição. Comecei a imaginar uma família  a gerir a apresentação do arco-íris bem como vários seres mitológicos a ajudar para a apresentação do arco-íris. No livro está mais explicito o papel dos Duendes na história. A Senhora de Todos os Tempos foi baseada na personalidade de minha mãe: uma mulher forte, dinâmica, que praticava a compostagem desde sua infância. Com ela não tinha tempo ruim ou justificativa para não agir. Ela sempre dizia aos filhos: Deus disse te ajude que eu te ajudarei. Essa visão do auto-estorço para conseguir a realização de nossos desejos me impactou profundamente. As Guardiãs do Arco-Íris ou Mamaíria como era chamada a montagem teatral mostra a força feminina personificada em Mamaíria. Importante lembrar que este é um alerta aos meninos para que quando se tornarem pais sejam pessoas presentes. E que a figura paterna não é dispensável. Tenho uma lembrança clara da vez que nos apresentamos numa escola da zona norte de Porto Alegre, os pais tinham sido convidados e era nítido o desconforto dos mesmos com a temática da peça. Um deles chegou a conversar comigo, ele era uma pessoa simples e estava com lágrimas nos olhos. Agradeceu-me por ter escrito a peça. Acho que ele perguntou a diretora, não sei direito, mas ele sabia que eu era a autora da peça. Ele se tornou para mim Arcão, o pai ausente da família do arco-íris.  Nunca vou esquecer suas palavras: eu não sabia que era tão importante assim estar dentro de casa. Só por essa pessoa já valeu a pena ter feito tanto Mamaíria como Guardiãs do Arco-Íris. Há pessoas más que gostam de enganar os outros, tive um companheiro que era o próprio Vilão Bofetão, sempre iludindo e enganando. Minha irmã quando viu Mamairia percebeu na hora quem era o vilão que eu havia me baseado.

Escrevi Mamairia quando já tinha uma experiência de mais de 10 anos em escrever roteiros teatrais, já sabia o que funcionava ou não para crianças. Então junto ao texto veio mais mensagens sublimares para os adultos entenderem. Contei com o talento dos atores que me ajudaram a tornar lúdico a dureza do abandono. E assim, Mamaíria foi crescendo e na terceira montagem estava forte e pronta para dialogar com crianças de todas as idades.

Jornal DR1: Além da ausência do pai, você também trabalhou o bullying dessa mesma forma, qual dos dois te trouxe mais desafio?

Lisete Bertotto: Apesar de não falar especificamente de bullying, trabalho com o preconceito como linha narrativa o tempo todo.  Meu livro anterior fala de uma Ovelhinha rejeitada pelo rebanho apenas por causa do seu nome, como eu era mais jovem e naquele momento envolvida com a criação de filhos pequenos foi mais tranquilo escrever o roteiro teatral. Até porque o preconceito contra o que for desviante do “padrão” de normalidade é forte.  A Ovelhinha Fedorenta foi baseada num caso real onde uma menina de 7 anos dá adeus a sua mascote querida para ela ser feliz no campo. Livre e correndo. A mãe de Aline, uma artista plástica e visual fez os desenhos para a Fedorenta. Há vários contadores de história contando a Fedorenta em vários estados do Brasil. Inclusive uma professora de Resende no RJ usa a Fedorenta com suas alunas na disciplina de contação de histórias.

Jornal DR1: Guardiãs do arco-íris é baseado em uma peça de sua autoria. Com o passar do tempo, tem se tornado recorrente a abordagem desses assuntos mais “sensíveis”, você já tem alguma ideia/projeto para o próximo trabalho?

Lisete Bertotto: Já presenciei cenas de absurdos preconceitos por absolutamente nada.  Como de um homem de cerca de 50 anos que ficou visivelmente ofendido pela presença de uma senhora, de cerca de 80 anos num bar dançante. Ele não se conformou com a presença dela ali, depois de reclamar com o garçom, o gerente e acredito que iria se queixar ao Papa se pudesse e foi embora esbravejando. Em quê a presença daquela senhora incomodou tanto o homem só pode ser explicada pelo preconceito. Esse sentimento é insano, suja e corrói as relações entre as pessoas; coloca um véu entre o a realidade e o que é filtrado por sua mente. Nas Guardiãs do Arco-Íris o trabalho de transformar Mamaíria nas Guardiãs do Arco-íris foi um pouco mais complicado. Evandro Rhoden, editor da Kazuá, meu parceiro de jornada intelectual, irmão camarada, me ajudou a superar certas incompletudes da obra. Como tive um pai hiper presente na minha vida, alguns elementos de abandono não estão presentes na minha subjetividade então em Mamaíria identifiquei como maldade pura o abandono paterno e quem se aproveitou disso. Já na obra as Guardiãs os vilões tem uma possibilidade mais concreta de remissão. Sob a direção de arte de Evandro os estúdios Kazuá fizeram uma releitura do meu texto, com uma homenagem ao teatro de bonecos e com ilustrações da talentosa Tarcila do Amaral.

Estou escrevendo mais duas obras: Irmã Dulce, uma Menina diante de Deus (titulo provisório) e Quimera, livros infanto juvenis. Acredito que Irmã Dulce ainda sai em 2022. Os personagens dessa obra são, em sua maioria, pessoas que se encontram nos abrigos e albergues para a população em jornada de rua. Quimera conta a história de um pequeno povoado na África onde mercadores sem escrúpulos envenenam as águas com roupas contaminadas de doentes terminais. Esta ideia surgiu da fala de uma amiga poeta e professora de História. Quando ela me falou disse fiquei horrorizada e comecei a pesquisar sobre esses fatos. Daí nasceu a História de Quimera.

Jornal DR1: Por que sempre lançar os livros no Rio de Janeiro?

Lisete Bertotto: No Rio de Janeiro, em Niterói tenho uma grande amiga, a Escritora Márcia Martins. Ela me convidou para lançar a Fedorenta no Rio. Foi um lançamento lindo no Saguão da UFF, Márcia agora aposentada, junto com o Celso Costa estava lançando seus livros naquele dia. Para minha surpresa tive tantas vendas como no lançamento em Porto Alegre.  E continuei vendendo no curto período que estive no Rio.  Ao passear tanto no Rio como em Niterói vi vários lançamentos ao entardecer. O Rio tem esse caldo de cultura, sempre em movimento. Já em Porto Alegre, os lançamentos de livros não despertam tanta curiosidade. Enfim, é uma realidade diferente, nem pior, ou melhor. O livro sobre a Irmã Dulce tem a intenção de falar sobre um fato especifico ocorrido lá.  Tenho uma amiga e escritora que mora em Salvador e está me ajudando a organizar os textos. Desejo ser uma autora nacional por isso sempre que puder vou me aventurar a lançar meus livros em outros estados. Sem falar que é sempre bom sentir a brisa marinha com o cheiro da mata que existe no Rio de Janeiro. Um lugar perfeito de encontro entre a natureza e o mundo Gray da Urbanidade.

Jornal DR1: O que você espera que sua obra possa contribuir para as gerações futuras?

Lisete Bertotto: Já consigo ver algumas reações quando uma criança ou adulto vê a peça, espero que minhas obras sejam lidas e se a mensagem subliminar for aceita, melhor. Um dia um rapaz mandou seus originais para a Kazuá e ao ligar para ele foi uma sessão de horror. O irmão gritava ao fundo que ele não servia para nada e que o valor que contribuía em casa não dava para nada. Realmente estagiários ganham pouco, no entanto, estão fazendo a faculdade para buscar um espaço profissional que lhe de mais realizações. O mais estranho é que o irmão agressor nem trabalhava e achava que a vida seria mais farta de o rapaz decidisse largar dos seus poemas e trabalhar “seriamente em algo útil”. Sem condições de continuar a conversa liguei em outro dia e tal irmão me atendeu e antes que começasse com a ladainha contra seu irmão já entrei lascando. Disse que ele devia ter orgulho do irmão, pois ele era um escritor de talento. Ele não soube o que me responder. Veio a mãe e entendi que todos naquela casa atendiam o celular do rapaz. Ignorei suas ofensas com o filho e comecei a trazer aspectos significativos de sua obra. Cansada de não ter público para suas ofensas ela finalmente deu seu celular para o filho. Foi uma das famílias mais abusivas que já encontrei. O rapaz era muito triste se perguntando o que teria feito para sofrer assim

Dei um exemplo para pensar esta situação de abuso contra o Ser humano. Se minhas obras servirem para as pessoas que estão em mãos perversas se libertarem já é o suficiente. Temos que ter autocrítica para tentar ser uma pessoa melhor, mas nunca joguete de quem destila ódio e preconceito.  Tenho uma amiga que me diz que diálogo é com as crianças e as crianças internas de cada um.  Procuro fazer o melhor de mim, mas quem vai dizer se a obra influiu em suas vidas serão meus leitores. Muito obrigada pela oportunidade de falar sobre meu trabalho.

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Entrevista com Phellipe Patrizi: “Tem um trecho do samba-enredo de 2007 que diz “Eu me chamo Grande Rio e qualquer dia eu chego lá”. Esse “lá” é o agora, ele finalmente chegou.”

Morador de São Gonçalo, Phellipe Patrizi é apaixonado pelas escolas de samba desde os 12 anos de idade, quando se encantou com o desfile da Acadêmicos do Grande Rio no carnaval de 2006, cujo enredo se intitulava “Amazonas, o eldorado é aqui”. Tornou-se integrante fiel da agremiação em 2014, quando desfilou pela primeira vez.

Depois de oito anos, finalmente soltou o grito de campeão do carnaval carioca, junto com a agremiação caxiense.

Phellipe conversou com o Jornal DR1 e nos contou um pouco de sua história e sua trajetória.

Jornal DR1: Como foi sua entrada no mundo do carnaval?

Pellipe Patrizi: Durante a minha infância, eu não compreendia ao certo do que se tratava o carnaval, principalmente o das escolas de samba. Certa vez, em alguma data próxima ao carnaval de 2006, ouvi na rádio que a Acadêmicos do Grande Rio teria como enredo o estado do Amazonas. De acordo com a sinopse do enredo, a proposta da agremiação era promover  uma verdadeira aula em plena Avenida pela defesa da Amazônia contra as ações de invasores e atos de desmatamentos sofridos pela floresta. Este tema era grande relevância para mim, devido ao meu interesse pela disciplina escolar de Ciências, na época o meu desejo profissional girava em torno da área de Ciências da Natureza, bem diferente dos caminhos que trilhei. Embora não fosse um hábito familiar assistir aos desfiles, tentei ver para justamente compreender como a escola faria a carnavalização daquele assunto. Desde o momento em que vi o desfile da Grande Rio pela primeira vez, uma emoção bateu forte em meu peito como se eu encontrasse finalmente aquilo que tanto procurava por anos. Ver pela televisão uma temática, estudada nas aulas de Ciências, passar pela Avenida, traduzidas em versos e poesia, coberta de plumas e paetês, conjugada por uma liberdade corporal me despertaram para uma identificação espontânea e rápida com aquele conjunto alegórico.

Um dos setores centrais nessa caminhada pela “avenida da vida” foi o encantamento pela História, ocorrido durante o 8° ano do Ensino Fundamental II, no decorrer dos últimos meses do ano de 2007. Solicitado pela professora de História, elaborei um seminário para ser avaliado nessa disciplina sobre a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil. Após essa atividade, encontrei nos sambas de enredo, um caminho para me dedicar à leitura e aos estudos da temática abordada naquele trabalho escolar. Em uma data próxima ao carnaval de 2008 (ocorrido no dia 5 de fevereiro), ao ouvir pela rádio os sambas de enredos das escolas de samba cariocas, a letra do samba da G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense, encantou-me especialmente. O enredo intitulado João e Maria, desenvolvido pela carnavalesca Rosa Magalhães, celebrava a efeméride do bicentenário da chegada da Corte Portuguesa ao Brasil (1808-2008), justamente o conteúdo escolar do trabalho que eu fiquei encarregado de pesquisar. O interesse e as curiosidades mobilizadas pelo enredo da escola de samba, bem como sua articulação com o seminário apresentado na escola, ainda naquele ano de escolaridade, foram decisivos para a opção, que faria mais tarde pelo curso de História.

O primeiro desfile pela escola, no entanto, só aconteceu em 2014, quando a escola homenageou o município fluminense de Maricá. Na época eu já era maior de idade e já freqüentava a quadra de ensaio sozinho, o que facilitou a minha primeira apresentação com a escola.

Jornal DR1: De que forma você enxerga os enredos “educativos” como foi o da Grande Rio em 2022?

Pellipe Patrizi: Percebê-lo, enquanto professor-pesquisador-carnavalesco, que os enredos das escolas de samba são expressão de uma História Pública, bem como instrumentos de luta e consciência política, sobretudo, quando se fazem presentes nas práticas pedagógicas nos cotidianos escolares. A minha formação no samba contribuiu para conhecerem, primeiramente pela Avenida, heróis e heroínas negros/as ausentes das páginas dos livros de História, me estimulou a escutar as vozes historicamente silenciadas, a se interessar por debater o porquê os/as negras são vistos/as apenas como reis/rainhas do samba e do futebol e, principalmente, a nunca esquecer as consequências do sistema escravista que ceifou vidas e vigorou oficialmente no Brasil até 1888. Cada alegoria de navio negreiro que passa pelo Sambódromo carioca é um grito contra a discriminação, é uma lembrança dos horrores que aconteceu, é a esperança de um novo amanhã com menos opressão, racismo e desigualdade social. Por isso, levar para uma grande audiência a mensagem de que Exu não é diabo é o mais puro sentido de História Pública, entendendo que o desfile pode nos fazer refletir sobre a demonização das religiões de matriz africana e desmitificar esse orixá tão mal visto e oculto de nossa história. Os festejos carnavalescos evidenciam as angústias, questionamentos e projetos de país que nos cercam. É o público dizendo o pensam, o que espera e o deseja, é o canto popular da história de um Brasil negro, pobre, LGBTQUIA+ que não será jamais esquecido e calado outra vez.

Jornal DR1: Houve uma profusão de enredos falando da negritude e Orixás, no Grupo Especial e na Série Ouro. Como você enxerga esse movimento das escolas?

Phellipe Patrizi: As escolas de samba nada mais são do que reflexo da sociedade, o que pensam, o que as incomoda, suas lutas, dores e traumas. Cantar a negritude na Sapucaí é acompanhar os debates públicos atuais após os assassinatos de Marielle Franco, George Floyd, João Pedro, Miguel e tantas outras personalidades negras que tiveram suas vidas ceifadas pelo racismo que rege a nossa nação. As agremiações são espelhos dos pensamentos contemporâneos, configuram como lócus de saber, resistência e sociabilidade para diversos grupos empobrecidos da nossa sociedade brasileira. Cantar para não esquecer o que passou, dançar para mostrar que ainda estão de pé e vivos, após toda opressão e batucar para evocar e saudar os que já não estão mais entre nós.

Jornal DR1: Você desfila há 8 anos na escola, qual foi a maior emoção até hoje?

Phellipe Patrizi: A minha maior emoção nesses 8 anos desfilando pela Grande Rio, seguramente, posso afirmar que foi o carnaval de 2022. Não somente por ter sido campeão pela primeira vez, mas por ter percebido que não faltava nada para realizarmos um desfile inesquecível. Finalmente, possuíamos um dos melhores sambas do carnaval, um enredo que falava de um personagem emblemático da história da Cidade, a Estamira, éramos mais aceitos pelo grande público, que desde o nosso vice-campeonato de 2020, passaram a nos olhar com mais carinho e respeito. Não nos faltava nada. Detínhamos todos os pré-requisitos para o campeonato inédito e foi o que aconteceu.

Jornal DR1: Foram 4 vice campeonatos, e 14 vezes no desfile das campeãs, como é finalmente soltar o grito de campeão do carnaval?

Phelippe Patrizi: A sensação é de que não é real e de que, a qualquer momento, irão me acordar dizendo que a Grande Rio perdeu para ela mesma mais um ano. Foram tantos anos sofrendo com enredos que não possuíam quaisquer vínculos de identificação com a comunidade, fantasias entregues no dia do desfiles, sambas com gosto duvidosos e erros de evolução na Avenida, que parecia ser impossível a Grande Rio conseguir agitar as arquibancadas e ser melhor de as demais 11 escolas do Grupo Especial. Gritar é campeã depois de dois anos de espera é bom demais. A vitória veio após de um longo histórico de derrotas, chacotas e severas críticas. Penso que sair vitorioso dessa disputa é coroar a mensagem que depois da tempestade vem a bonança. Acreditem que, em meio ao caos, mesmo após tantos problemas, o dia vai chegar. Tem um trecho do samba-enredo de 2007 que diz “Eu me chamo Grande Rio e qualquer dia eu chego lá”. Esse “lá” é o agora, ele finalmente chegou.


Jornal DR1: A Grande Rio é tido por muitos adeptos de outras agremiações como uma escola de artista e antipática, como é essa visão dentro da comunidade?

Pellipe Patrizi: A escola, de fato, ostenta a fama de ser a preferida dos artistas, mas reduzi-la a este rótulo é chega a ser um tanto simplório. Embora que, em certos momentos, o brilho dos componentes da comunidade parecia ter sido ofuscado pelos holofotes dados as celebridades, a Grande Rio resistiu às ofensivas e mostrava a cada ano quem realmente eram os artistas da escola. Muitos julgam a agremiação pelos clicks que repercutem em revistas e na internet com as fotos dos famosos, mas poucos, dos que atrelaram esta fama a escola, já pisaram em Duque de Caxias para acompanhar um ensaio da escola, se contentam com a cobertura superficial dada pelos grandes veículos de imprensa ao carnaval da Grande Rio. A comunidade entendia, em certa medida, a presença das figuras públicas no desfile poderia ser revertida na entrada de verbas de patrocinadores, a partir do marketing espontâneo gerado em torno delas. Se nos anos 90, a escola não conseguia almejar as primeiras colocações da tabela por não conseguir por na Avenida um desfile competitivo, a aposta na visibilidade das celebridades fez com que a agremiação angariasse fundos para tentar disputar pelo título. É a partir de um enredo patrocinado O nosso Brasil que vale (2003), que a Grande Rio voltou pela primeira vez nos Desfiles das Campeãs, com o um honroso terceiro lugar. Conquista a estruturação que desejava, faltava agora uma proposta cultural mais fundamentava e os grandes sambas apresentados por ela na década 1990. Somente após o rebaixamento no carnaval de 2018, que não aconteceu devido à virada de mesa, que a escola passou a olhar mais para dentro e encontrar a própria história a receita para vencer o carnaval.

Jornal DR1: Muita gente critica o carnaval, achando que é só uma festa, não enxerga o trabalho das comunidades e a geração de empregos, sobre esse ponto, o que nós que não estamos nas comunidades não enxergamos?

Pellipe Patrizi: Costumam reduzir a imagem do carnaval e todo o seu entendimento, aos atos de festejar, o que por si só já é válido, legítimo e muito mais complexo do que imaginam, mas também se esquecem de que as agremiações geram milhares de empregos diretos e indiretos, educam por meio de seus enredos e sambas, desenvolvem projetos sociais, prestam assistência aos membros da comunidade, fazem doações de alimentos, formam profissionais dos esportes, por meio das vilas olímpicas, bem como, realizam oficinas de dança, percussão, bailado de mestre-sala e porta-bandeira, entre outras. Há uma gama de pessoas que aprenderam os passos iniciais de suas carreiras dentro nas quadras das escolas de samba. Para além de cultura, carnaval é educação, é ancestralidade, coletividade, geração de emprego e renda, profissionalização, rede de sociabilidade, memória coletiva e um complexo de artes em apenas um espetáculo, na verdade, o maior espetáculo a céu aberto do mundo.

Jornal DR1: Além da Grande Rio, você é integrante de alguma outra agremiação?

Pellipe Patrizi: Sim, desfilo há quatro na Lins Imperial e este ano estreei na Império da Tijuca, ambas integrantes da Série Ouro do carnaval carioca. A Lins é a segunda escola por quem meu coração bate mais forte, espero continuar desfilando por ela por mais alguns anos. Desde quando iniciei na a escola, em 2018, ela tem homenageados grandes personalidades negras e espaços de cultura afro-brasileira, tais como: o bar  ZiCartola, o cantor e compositor Bezerra da Silva, a passista Pinah e em 2022, o músico e humorista Mussum. Já o Império da Tijuca que fascina por carregar em seu nome o termo educativa e por esta proposta versar as suas práticas comunitárias e escolha dos enredos, como por exemplo, o deste ano em referência ao Grêmio Recreativa Arte Negra e  Escola de Samba Quilombo, cujo um dos fundadores foi o cantor e compositor Candeia.

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“Nossa missão é melhorar e promover as relações entre Noruega e Brasil.” O embaixador da Noruega no Brasil Odd Magne Ruud conta um pouco sobre os serviços oferecidos e as ações da Noruega no Brasil

Na última segunda-feira (11), o Jornal DR1 realizou uma entrevista com o embaixador da Noruega no Brasil, Odd Magne Ruud, no Real Consulado Geral da Noruega, localizado em Botafogo. Odd Magne Ruud é formado em Ciências Políticas pela Universidade de Oslo, fez mestrado em Estudos Internacionais na London School of Economics and Political Science.

Entre os diversos cargos que assumiu em seu país natal, foi vice-diretor do Ministério das Relações Exteriores, e Diretor-geral no Gabinete do Primeiro-ministro. Antes de iniciar sua trajetória como embaixador no Brasil, ocupava a função de Conselheiro Sênior no Ministério das Relações Exteriores.

A Noruega moderna é caracterizada por um nível elevado de bem-estar, igualdade de gênero e estabilidade econômica. Como nação, as raízes da Noruega remontam ao século IX. O país conquistou a independência da Suécia em 1905 e desde então tem sido uma monarquia constitucional. A Constituição Norueguesa de 1814 é a segunda constituição escrita mais antiga do mundo que ainda está em uso.

A Noruega tem atualmente uma população de pouco mais de cinco milhões de pessoas. Cerca de 14% são consideradas imigrantes. A Noruega também tem várias minorias nacionais e, como resultado da globalização, tornou-se um país mais multicultural. Os Sami são o povo indígena da Noruega e o Sami é uma língua oficial na Noruega.

A Noruega foi, em várias ocasiões, classificada como o melhor país para se viver, por exemplo, pelo Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. É um dos países do mundo com maior esperança de vida, 80,6 anos para homens e 84,2 anos para mulheres. Segundo o Banco Mundial e o FMI, a Noruega tem um dos maiores níveis de rendimento per capita do mundo.

Na sociedade norueguesa existe uma estreita cooperação entre as autoridades, os empregadores, os empregados e a sociedade civil. Isto é muitas vezes referido como o “modelo nórdico”. A Noruega tem um grande sector público e, consequentemente, taxas de impostos relativamente altas. Por outro lado, os serviços de saúde e bem-estar e educação são financiados publicamente. 32,9% da população tem uma educação universitária ou politécnica.

Em entrevista, o embaixador declarou sobre os serviços oferecidos aos noruegueses no Brasil, assim como a relação entre a Noruega e o Brasil.

 

Jornal DR1: Quando veio para o Brasil? E quando iniciou o trabalho na Embaixada?

Odd Magne Ruud: Cheguei ao Brasil em setembro de 2021, mas comecei a trabalhar como Embaixador em outubro do ano passado, quando apresentei as minhas credenciais ao presidente do Brasil.

 

Jornal DR1: Qual é a importância da Embaixada da vida dos noruegueses que residem no Brasil?

Odd Magne Ruud: No dia a dia, a embaixada em Brasília e o consulado geral no Rio de Janeiro, servem para ajudar os cidadãos noruegueses a conseguirem documentos oficiais noruegueses como passaportes, certidões de nascimento e casamento. Além disso, servimos como um elo entre eles e a Noruega. Por exemplo, nas nossas eleições, recebemos os votos dos noruegueses aqui e os enviamos para as autoridades na Noruega. E em datas importantes ou festivais, como nosso dia nacional organizamos celebrações ou encontros.

Em situações especiais, como crises ou catástrofes naturais, nossa importância fica ainda maior. Nessas situações, viramos centros de acolhimento, de ajuda ou de assistência. Por exemplo, no início da pandemia da covid-19, a embaixada e o consulado geral organizaram uma evacuação dos noruegueses que estavam no Brasil, para que pudessem voltar para a Noruega, já que todos os voos comerciais foram cancelados.

 

Jornal DR1: Quais são os serviços realizados na Embaixada?

Odd Magne Ruud: A embaixada tem uma equipe de seis diplomatas e 12 funcionários locais. O consulado geral no Rio tem três diplomatas e oito funcionários locais. A nossa missão é melhorar e promover as relações entre a Noruega e o Brasil.

Cobrimos uma ampla gama de atividades, incluindo serviços consulares, visitas oficiais e empresariais e principalmente, cooperação bilateral no âmbito de proteção ambiental, por meio do Fundo Amazônia, além do programa de apoio aos povos indígenas, cooperação para desenvolvimento e promoção cultural.

Em fevereiro, tivemos a visita do nosso grande veleiro Statsraad Lehmkul aqui no Rio. A visita fez parte de um evento para promover a década de sustentabilidade dos oceanos, e o nosso esforço bilateral no âmbito do mar. Há quatro anos, a Noruega iniciou um Painel de Alto Nível para uma economia oceânica sustentável. Esse painel é uma iniciativa para criar uma maior compreensão internacional sobre a importância econômica dos oceanos e o seu estado ambiental.

Nós queremos contribuir para a conscientização e o engajamento do Brasil, nas áreas de combate à pesca excessiva e à poluição marinha. Nós queremos motivar o Brasil a se tornar um membro deste painel. A Noruega é um parceiro relevante para o Brasil na área do mar e na transição verde, principalmente no setor de energia.

Jornal DR1: Qual é o posicionamento em relação à guerra entre a Rússia e Ucrânia?

Odd Magne Ruud: Não poderia deixar de mencionar que, no momento, a Europa atravessa sua maior crise de segurança desde a Segunda Guerra Mundial, com a agressão da Rússia em um ataque aos valores democráticos e a liberdade. Nessa situação, o nosso papel como diplomatas também é comunicar a posição da Noruega sobre o tema e mostrar o nosso apoio às sanções, e à medida que o governo norueguês está tomando, perante o país em que servimos.

A guerra é uma violação dos direitos internacionais e dos próprios princípios da carta da ONU. As atrocidades devem ser investigadas e os responsáveis devem ser levados à justiça. Felizmente, a Noruega e o Brasil estão no mesmo lado neste conflito.

Jornal DR1: Quais são os investimentos da Noruega no Brasil?

Odd Magne Ruud: Existe um interesse grande de investimentos das empresas norueguesas no Brasil. Do novo relatório de investimentos de 2019/2020 vimos um aumento de 64%, comparado com 2017/2018. E, todas empresas que fizeram parte da pesquisa vão manter ou aumentar seus investimentos no futuro.

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Entrevista com Matheus Henrique “O Empreendedorismo está nas minhas veias, eu trabalho desde os 5 anos de idade”

Formado em engenharia de produção, Matheus Henrique sempre foi um apaixonado pela cozinha e pelos doces, oriundo de família do ramo da padaria no Pará, ele não negou suas raízes. Aliou elementos de sua profissão com a confeitaria.

Com seu amor pela cozinha e com seu dom já salvou até um casamento quando a pessoa responsável pelos doces, simplesmente desapareceu. O casório não teve bem casado, mas teve brownie.

Brownies que mudaram a vida do jovem Matheus Henrique, paraense morador do Rio de Janeiro há mais de uma década, ele resolveu investir no seu sonho e talento que tem para os doces e abrir seu próprio negócio.

Paixão, empreendedorismo e luta essa é a tônica da vida de Matheus Henrique que hoje mora em São Gonçalo e atende pedidos nas cidades da Região Metropolitana do estado do Rio de Janeiro.

Criador da Engenharia do Brownie, Matheus Henrique conversou com o Jornal DR1 e nos contou um pouco de sua história e sua trajetória.

Jornal DR1: Primeiro o Jornal gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores.

Matheus Henrique: Meu nome é Matheus Henrique Rodrigues Amorim, tenho 29 anos sou formado em Engenharia de Produção, nasci na cidade de Ourém no estado do Pará, mas já faz quase 14 anos que moro aqui no estado do Rio de Janeiro, hoje mais precisamente na cidade de São Gonçalo

Jornal DR1: Como que foi o processo da sua vida profissional até chegar ao brownies?

Matheus Henrique: O empreendedorismo está nas minhas veias, eu trabalho desde os 5 anos de idade, sempre fiz doces para família e amigos, e sempre fui motivado por essas pessoas para começar a comercializar os meus doces, mas foi só em 2019, após salvar o casamento de uma amiga que a ideia saiu do papel. Eu sou Engenheiro de Produção por formação, então tive a brilhante ideia de usar elementos da Engenharia e combinar com os brownies, e assim nasceu a ‘Engenharia do Brownie’.

Jornal DR1: Conte um pouco mais sobre o salvamento do casamento da sua amiga?

Matheus Henrique: Sempre fiz doce para amigos e familiares, em 2019 uma amiga que ia casar teve problemas com a fornecedora de doces e a irmã dela veio me pedir ajuda. Claro que ajudei, o único problema era que eu não sei fazer bem casados, então investi nos brownies, mini-brownies, tipos diferentes e isso também acabou me impulsionando a ir para um lado mais profissional da coisa.

Jornal DR1: Você se inspirou em alguém para começar essa empreitada ou já era algo que você desejava fazer?

Matheus Henrique: Inspirei-me em um perfil de Brownie, mas também já era algo que eu sempre tive vontade de fazer que era ter o meu próprio negócio.

Jornal DR1: Qual o maior desafio que você enfrentou até hoje nessa empreitada de ser empreendedor?

Matheus Henrique: O maior desafio sem dúvidas foi o momento da pandemia, foram quase dois meses sem conseguir realizar alguma venda quase que enlouqueci com a seca de vendas (risos).

Jornal DR1: Com essa dificuldade pensou em algum momento em desistir?

Matheus Henrique: Não! A única coisa que não pensei foi em desistir, com a dificuldade da pandemia me reinventei, com isso comecei a vender o brownie de pote, e aí comecei a me reerguer nesse meio.

Jornal DR1: Você ainda não tem uma loja física, como que funciona a questão de encomendas e seu trabalho?

Matheus Henrique: Como ainda não tenho uma loja física, a pessoa interessada pode encomendar através do instagram ou do whatsapp, costumo fazer uma entrega rápida, normalmente no dia seguinte, mas também faço alguns brownies para pronta entrega, casos seja necessário.

Jornal DR1: Existe algum objetivo, como lojas físicas ou uma produção em maior escala?

Matheus Henrique: A princípio meu objetivo é ter algo maior para produzir mais. Loja física nunca foi meu objetivo, mas só Deus sabe o dia de amanhã. Se por acaso ele achar que eu devo abri uma, eu irei abrir.

Jornal DR1: Você é do Pará e atualmente reside no Rio de Janeiro, existe a intenção de que a Engenharia do Brownie seja uma marca em mais de um local?

Matheus Henrique: Sim sou Paraense com muito orgulho, e moro nesse estado que amo de Paixão, pois me acolheu de braços abertos, com toda certeza quero que seja uma marca bem conhecida, se possível no Brasil inteiro!

Jornal DR1: Como que faz para conhecer o trabalho da engenharia do brownie?

Matheus Henrique: O principal meio de contato e de divulgação é através do Instagram da Engenharia do Brownie que é o @brownie.eng

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Entrevista com Marcelo Bossois: ‘Ao longo desses 15 anos, transformamos a realidade de muita gente, particularmente a população mais carente do país’

O entrevistado dessa semana foi Marcelo Bossois, médico alergista que criou o projeto Brasil sem Alergia. A iniciativa oferece tratamento médico gratuito em Caxias, Realengo, Nova Iguaçu e Iguaba Grande. O Projeto Brasil Sem Alergia é uma organização com fins de inclusão social que tem o objetivo de agregar, ao tratamento de alergia, classes sociais que não possuem condições de tratar com procedimentos específicos, sua condição clínica de alérgico (www.brasilsemalergia.com.br). Confira o bate-papo!

JDR1 – Como nasce a ideia do Brasil Sem Alergia? Quando o projeto foi criado?
MB – Há cerca de 15 anos, nascia o sonho de criarmos um projeto social que pudesse oferecer tratamento gratuito e de qualidade em alergias para moradores carentes da Baixada Fluminense, em uma região cercada de indústrias, com grande prevalência de alergias dermatológicas e respiratórias. Em 2007, minha esposa Patricia Schlinkert e eu tirávamos essa ideia do papel. Ali surgia o Brasil Sem Alergia, um motivo de muito orgulho para nós. Em um primeiro momento, com um posto no Parque Fluminense, em Duque de Caxias. Era um projeto pequeno, ainda com tímidos atendimentos. Com o passar dos anos, ganhou relevância e abrimos novas unidades. Fechamos parcerias com a Cruz Vermelha, parceiro fundamental para o Brasil Sem Alergia. Atualmente, temos cinco postos espalhados pelo Estado do Rio, sendo três na Baixada (Duque de Caxias, Xerém e Nova Iguaçu), um em Realengo, na Zona Oeste do Rio, e outro em Iguaba Grande, na Região dos Lagos, em parceria com a Cruz Vermelha de lá. O projeto realmente ganhou uma grande capilaridade, hoje presente na vida de muita gente, em particular a população da Baixada Fluminense, onde está boa parte da nossa presença. Além das unidades fixas, levamos atendimento gratuito a regiões remotas Brasil afora por meio de um ônibus ambulatório.

JDR1 – Quais serviços vocês oferecem?
MB – No Brasil Sem Alergia, oferecemos uma gama de serviços de prevenção, identificação e controle de todos os tipos de alergias, alimentar, dermatológica, respiratória. Sem qualquer custo, realizamos atendimentos médicos com especialistas, testes alérgicos variados para avaliação do quadro clínico, além de orientação multidisciplinar, para um diagnóstico diferencial. Temos também a espirometria (ou prova de função pulmonar), exame fundamental para o diagnóstico de doenças respiratórias, a preço popular. A partir da avaliação clínica, oferecemos também a imunoterapia (vacinas contra as alergias) a custo de fabricação, e fisioterapia respiratória. Adicionalmente, temos um centro de nebulização e estudamos inaugurar um centro de reabilitação pós-Covid. No projeto, temos o compromisso de tratar o paciente realmente do início ao fim.

JDR1 – Os atendimentos ocorrem só nas unidades do Brasil Sem Alergia?
MB – A gente realiza também ações itinerantes, dentro e fora do Rio, por meio de um ônibus ambulatório. Durante a pandemia, levamos atendimento gratuito a diversas localidades no interior dos Estado do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, sempre com foco na prevenção e conscientização da população. No período, oferecemos tratamento gratuito para milhares de pacientes fora das nossas unidades, a convite de prefeituras locais. Estamos abertos a novas ações itinerantes.

JDR1 – Quantas pessoas já foram atendidas?
MB – Ao longo desses 15 anos, transformamos a realidade de muita gente, particularmente a população mais carente do país, levando saúde e qualidade de vida para centenas de milhares de pessoas que não poderiam arcar com um tratamento na rede particular. São mais de 500 mil pacientes. É muita gente. Muitas histórias, muitos relatos, milhares de pessoas que realmente tiveram suas vidas transformadas. Gente que vivia internada por conta de asma. Paciente que não conseguia dormir com tosse, chiado no peito, respiração ofegante. Gente que não sabia mais o que fazer de tanta dermatite espalhada pelo corpo. São centenas e centenas de pacientes todas as semanas. A gente fica muito feliz quando consegue fazer a diferença na vida do paciente, isso não tem preço. Eu tenho muito orgulho do trabalho que desenvolvemos até aqui, e espero que possamos fazer ainda mais pela população do Rio e do país como um todo, seja em nossas unidades, seja através de ações itinerantes em outros estados.

JDR1 – Quem pode ser atendido?
MB – O Brasil Sem Alergia está à disposição de toda a população nas regiões onde atuamos. A gente dá prioridade para pacientes mais carentes, mas atendemos todas as pessoas, sem qualquer restrição.

JDR1 – Como as pessoas podem agendar uma consulta?
MB – Em virtude da alta procura, a gente atende com hora marcada. Para agendar um horário, o paciente deverá fazer a marcação através do www.brasilsemalergia.com.br.

JDR1 – Como ficaram os atendimentos durante a pandemia?
MB – Por estarmos em uma categoria de serviço essencial, nossas atividades não pararam durante a pandemia. Muito pelo contrário, na verdade. Tivemos que aumentar nosso efetivo, seja com atendimentos presenciais, seja com telemedicina, implementada no projeto após a chegada da Covid.

JDR1 – Como é composta a equipe do projeto?
MB – Temos mais de 30 profissionais na equipe médica. São alergistas, imunologistas, fisioterapeutas, enfermeiros, técnicos, clínicos. O projeto é robusto, com um time multidisciplinar e muito experiente.

JDR1 – Onde estão localizados os postos?
MB – São três na Baixada. Em Duque de Caxias, na Rua Conde de Porto Alegre, 155, no bairro 25 de Agosto; em Nova Iguaçu, na Rua Iracema Soares Pereira Junqueira, sem número, na Cruz Vermelha Nova Iguaçu; e em Xerém, na Praça da Mantiqueira, 18, no Centro Médico Estrela de Davi. Tem uma unidade em Realengo, na Zona Oeste do Rio, na Av. Santa Cruz, 1896. E em Iguaba Grande, na Região dos Lagos, na Rua Paulino Pinto Pinheiro, 133, no Centro, na Cruz Vermelha Iguaba Grande.

JDR1 – E tem muita gente com alergia?
MB – Devido a diversos fatores, os casos de alergia crescem ano após ano no Brasil e no mundo. Atualmente, estima-se que mais de 30% dos brasileiros tenham algum tipo de alergia, de acordo com dados do Ministério da Saúde. São dezenas de milhões de pessoas país afora. É uma questão realmente de saúde pública. E se não tratada, uma alergia grave pode sim levar a sérias complicações.

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Alexandre Thai: “Fiz faculdade de música e de Produção Fonográfica. O estudo é fundamental para o desenvolvimento de qualquer músico”

Desde criança, o cantor de axé Alexandre Thai carrega consigo o ritmo pulsante dos tambores e atabaques. A mistura de sons, de cores e do canto do povo contribuíram por sua paixão pela música, principalmente o axé. Percorrendo a Avenida Soares Lopes, em Ilhéus (BA), o menino buscava sempre um jeito de subir no trio-elétrico. No ano de 2019, Thai é convidado para escrever uma coluna em um dos sites de micaretas mais respeitados do Brasil: Micaretando (micaretando.com.br). No mesmo mês, abre um canal no YouTube e inicia o programa Encontros Musicais. Nos ‘Encontros’, o cantor e compositor convida artistas de diversos estilos para duetos de versões acústicas de clássicos do axé e autorais. A partir desses momentos, muitas amizades se criaram, inclusive com o The Voice Heverton Castro. No verão de 2020, Alexandre Thai e ele lançam o single “Vamos Falar de Amor”, um sucesso no carnaval do Rio de Janeiro.

 

No ano de 2019, Thai é convidado para escrever uma coluna em um dos sites de micaretas mais respeitados do Brasil: Micaretando (micaretando.com.br). No mesmo mês, abre um canal no YouTube e inicia o programa Encontros Musicais. Nos ‘Encontros’, o cantor e compositor convida artistas de diversos estilos para duetos de versões acústicas de clássicos do axé e autorais. A partir desses momentos, muitas amizades se criaram, inclusive com o The Voice Heverton Castro. No verão de 2020, Alexandre Thai e ele lançam o single “Vamos Falar de Amor”, um sucesso no carnaval do Rio de Janeiro. E ele conversou com o Jornal DR1. Confere aí.

Jornal DR1 – Como estão os projetos?
Alexandre Thai – Depois de um 2020 e 2021 intensos, com muitos shows (no início de 2020 e final de 2021), sete singles com seus respectivos clipes, conseguir a marca de meio milhão de plays no Spotify, ser finalista de um reality show brasileiro de axé, gravar um single e clipe com o cantor Tuca Fernandes, fazer vários programas de TV e cantar no trio-elétrico com a Banda Eva no Bloco Eva no Carnatal 2021, a intenção é manter o ritmo em 2022. Muitas surpresas estão sendo preparadas!

JDR1 – Como você começou na música?
AT – Comecei a tocar violão e a compor com 12 anos. Aos 13 já estava tocando guitarra. E com 17 já era líder de uma big band e tocando em emissoras de TV e em diversas casas de show do Rio de Janeiro. Sou autodidata, mas estudei muito música. Fiz faculdade de música e de Produção Fonográfica. O estudo é fundamental para o desenvolvimento de qualquer músico.

JDR1 –  Quem é sua grande inspiração?
AT – Tenho muitas referências musicais, mas posso citar Tuca Fernandes, Bell Marques,  Durval Lellys, Banda Eva, Olodum e Carlinhos Brown. Fora do universo do axé, sou muito fã de Tom Jobim, Pixinguinha, Gilberto Gil, Luiz Gonzaga e Alceu Valença. Como guitarrista, me inspiro muito no Mark Knopler (Direstraits), Bob Marley e Bob Mac Ferry. São muitos artistas maravilhosos. Sou inspirado pela Natureza! Pela energia do bem! Amo o mar, a praia e todo esse clima praiano e ensolarado! Sou impulsionado pela alegria!

JDR1 –  Como foi viver de música na pandemia?
AT – Na verdade, ainda está sendo. Ainda estamos na pandemia! Sempre vivi de música e viver de música é bem desafiador. Principalmente durante a pandemia. Mas em momentos difíceis sempre existem oportunidades. Acho que estou aproveitando bem todas elas. E sou muito grato ao Universo por tudo! Procuro espalhar esperança e alegria através da minha música!

JDR1 – Ainda tem algum objetivo a atingir na música?
AT – Claro que sim. Iniciei minha carreira solo em 2019 e tenho muitos planos e sonhos! Mas vou vivendo um dia após o outro e sempre comemorando cada conquista!

JDR1 –  Como você define o cantor e o estilo de Alexandre Thai?AT – Sou cantor, compositor e multi-instrumentista apaixonado pela música! Gosto de trabalhar em equipe e compartilhar ideias. E é claro, fazer shows! Meu estilo é axé! Está no meu sangue, no meu DNA. Minha família é da Bahia. O som dos tambores arrepiam a minha pele. Essa é a minha verdade!

JDR1 –  Qual o próximo passo na carreira?
AT – Tenho muitos planos. Muitos mesmo! E gosto muito de rodar enquetes nos meus stories (@alexandrethaioficial) para saber a opinião das pessoas. Acho fundamental  meu público! Também ouço muito a minha produção!

 

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Leandro Apolinário: “Quando a gente se prontifica a defender determinada categoria a gente tem que entender profundamente a sistemática do funcionamento dela”

A entrevista desta semana é com o advogado Leandro Apolinário, que trabalha em diversas ações envolvendo jornalistas, inclusive participou do processo com o Jornal do Brasil. Leandro contou para a gente como é estar envolvido com tantos casos como esse. Confira como foi o bate-papo exclusivo com o Jornal DR1.

JDR1 – Conta como foi a experiência no ramo?
LA – A Regina Zappa que abriu as portas do meu escritório para os seus colegas que também haviam sido dispensados. No meio do jornalismo há uma expressão chamada “passáralho” quando há uma demissão em massa na redação. Vale ressaltar que o jornalista é formador de opinião é graças ao trabalho honesto e dedicado praticado, tive grande aceitação na classe.

JDR1 – Trabalhar com tantos jornalistas, te despertou o interesse no meio?
LA – Claro. Quando a gente se prontifica a defender determinada categoria a gente tem que entender profundamente a sistemática do funcionamento daquela categoria. O que sempre me chamou muita atenção no ramo do jornalismo é o número de horas trabalhadas por dia. Isso se justifica facilmente pois a notícia não tem hora nem lugar para acontecer.

JDR1 – Quais são os grandes projetos de trabalho?
LA – A reforma trabalhista de 2017, no meu entendimento foi um grande retrocesso nas relações de trabalho. É claro que tinha que haver uma reforma pois a CLT é de 1943, entretanto, a “dose foi exagerada” Muitas garantias da classe operária foram expurgadas, sendo criados vários obstáculos ao acesso à justiça e até mesmo na execução das ações já transitadas em julgado.

JDR1 – Como foi o caso do Jornal do Brasil?
LA – O JB sempre teve a fama de mau pagador. Os processos em face do JB quando chegavam na fase de execução não se conseguia receber pois não havia recursos ou patrimônio para adimpli-los. Através de diligências e pesquisas eu descobri um crédito milionário que uma das empresas (Indústrias Verolme) do Sr. Nelson Tanure tinha a receber da Petrobras e que já se encontrava depositado perante a 32 Vara Cível do Rio de Janeiro. A partir daí requerer a inclusão das Indústrias Verolme como devedora solidária nos processos sob seu patrocínio, com pedido de liminar para expedição de penhora sobre aquele valor que se encontrava depositado na 32ª Vara Cível. Isso ocorreu em centenas de processos com as mais diversas decisões.

JDR1 – Como seguiu o caso?
LA – Enfim, após as penhoras realizadas veio a grande dificuldade. Trazer o dinheiro para a Justiça do Trabalho. A grande dificuldade não foi só apenas por se tratarem de centenas de processos e milhares de reais. A grande dificuldade se instalou pois havia uma penhora de centenas de milhões de reais anterior às penhoras dos meus clientes. É cediço que o crédito trabalhista prefere aos demais credores, entretanto, esta regra teórica não é de simples aplicabilidade quando a disputa é contra um banco multinacional assistido pelo maior escritório de advocacia do país. Após dezenas de recursos, liminares, mandado de segurança, correcionais, cautelares, agravos e mais agravos, várias idas e vindas a Brasília, o dinheiro foi finalmente transferido para Justiça do Trabalho e, com isso além dos meus clientes dezenas de outros ex empregados do JB assistidos o outros advogado conseguiram receber o que lhes era devido.

JDR1 – O que você acha da classe jornalística no Rio de Janeiro?
LA – Como dito anteriormente, na minha opinião é a classe que mais trabalha relativamente aos jornalistas do RJ me parece uma classe bem unida, onde há um grande respeito recíproco.

JDR1 – Qual o caso que você mais se orgulha?
LA – Com certeza foi conseguir fazer com que TODOS os meus clientes do JB recebessem as indenizações reconhecidas pela Justiça do Trabalho.

JDR1 – Sempre teve o sonho de ser advogoda?
LA – Sinceramente não. Sempre fui melhor nas matérias exatas. Mas os caminhos da vida me levaram para o Direito.

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Entrevista: William Coelho tem a missão de gerir o protagonismo estratégico da Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro

Desde janeiro deste ano, o secretário municipal de Ciência e Tecnologia, Willian Coelho, tem a missão de gerir o protagonismo estratégico da Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro. Promover políticas públicas de fomento, estímulo, difusão e capacitação da utilização dos métodos, técnicas e ferramentas tecnológicas.

Jornal DR1 – Quais os maiores impactos que a pandemia de COVID-19 gerou para os jovens e o mercado de trabalho?
William Coelho – Ela impactou de forma colossal a vida social, cultural e econômica de todos nós. A pandemia evidenciou problemas como a dificuldade que a população de baixa renda tem para ter acesso às ferramentas digitais.

Jornal DR1 – Qual a relevância das ferramentas tecnológicas nos tempos de pandemia?
WC –  Atualmente, a sociedade vive um momento no qual o desenvolvimento tecnológico é fundamental e a informação tem um papel essencial no crescimento profissional e na propulsão de várias áreas profissionais. O isolamento social por conta da pandemia nos colocou em um caminho irreversível na questão tecnológica. A adoção de medidas de distanciamento social obrigou profissionais de vários setores e muitos jovens a elevarem seu conhecimento se adaptando às novas ferramentas tecnológicas.  

Jornal DR1 –  Diante desse cenário, o que fazer para estimular os jovens a incorporarem a tecnologia na sua vida?
WC – A missão da SMCT é gerir o protagonismo estratégico da Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro. Promover políticas públicas de fomento, estímulo, difusão, e principalmente a capacitação dos jovens na utilização dos métodos, técnicas e ferramentas tecnológicas e a aplicação prática do conhecimento científico, instrumentos essenciais para impulsionar o desenvolvimento e o crescimento econômico do Município.

Jornal DR1 –  Qual o panorama atual com relação à mão de obra especializada em profissionais de TI e o que a SMCT tem feito para ajudar os jovens para que eles ingressem mais preparados no mercado de trabalho?
WC – Existe uma enorme demanda no mercado em busca de profissionais nessa área. A nossa secretaria está atenta a este fato, tanto que já em parceria com a Cisco Networking Academy, promovemos, desde o início deste ano, 12 cursos de tecnologia gratuitos online com cerca de 17 mil inscritos para capacitação de pessoas na área de TI.

Jornal DR1 – Atualmente, o excesso de conectividade e de acessos de dados colocam os usuários e suas redes às ameaças virtuais. A sua pasta desenvolve programas para conscientizar as pessoas a protegerem sua privacidade?
WC – Com certeza. Nossa secretaria já promoveu vários cursos de Cibersegurança (Fundamentos e Introdução). É fundamental. Não adianta fomentar a utilização da tecnologia e o uso das redes sem saber como se proteger das principais ameaças cibernéticas.  

Jornal DR1 – De que forma a realização da Olimpíada Municipal Estudantil de Ciência e Tecnologia, realizada em novembro deste ano, pode contribuir  para o nosso futuro?
WC – Essa primeira Olimpíada foi uma iniciativa inovadora e empreendedora que ajuda a descobrirmos novos talentos. Ela teve o objetivo de estimular e despertar nos jovens o interesse pela tecnologia. Além disso, foi um convite para que, diante de demandas reais, as ações e ideias dos alunos fizessem a diferença na vida de sua comunidade.

Jornal DR1 – Planos futuros para as Naves do Conhecimento?
WC – Assim que reabertas, nossa ideia é transformar as Naves em pólos de capacitação profissional para todos na área de tecnologia.

 

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Raimundo Lima, o Ralie fala um pouco do seu trabalho dentro e fora da música

Jornalista, empresário, professor e consultor de comunicação, o baiano Rallie vem se dedicando de corpo e alma à sua grande paixão: a música.
Depois de realizar o sonho de gravar em parceria com Gilberto Gil, a música “Um Sonho”, Rallie lançou recentemente o álbum Imersão 32D, que tem uma tecnologia pioneira. Ao ouvir cada uma das 13 faixas, o ouvinte é conduzido à sensação de uma apresentação
ao vivo, como se estivesse em frente ao palco. Nessa entrevista,
ele fala do repertório de Imersão 32D, que mescla inéditas, releituras do cancioneiro angolano, composições de sua autoria e de grandes autores da MPB, como Tim Maia e Carlos Imperial, de como é viver entre Salvador e Angola, entre outras curiosidades.

Jornal DR1 – Você é jornalista, empresário, professor e consultor de comunicação. Como a música entrou na sua vida?
Rallie – Gosto de música desde criancinha, minhas atividades profissionais não impediram que eu desse vazão à minha paixão pela
música, mas como ouvinte apenas, não como intérprete. Minha primeira composição, chamada “Quando eu crescer“, fiz aos dez anos
de idade. Aliás, foi nessa época que comprei o primeiro dos meus mais de oito mil álbuns musicais, entre LPs e CDs.

JDR1 – Você fez um excelente trabalho em Angola, inclusive sendo reconhecido como um dos brasileiros que mais promoveu a integração do Brasil com Angola. Fale um pouco desse trabalho.
Rallie – Moro na África há duas décadas, vivendo em Luanda e em Salvador. Lá, como Presidente da Assembleia Geral da Associação dos
Empresários Brasileiros em Angola (Aebran) reeleito em cinco mandatos, como Raimundo Lima (Rallie é nome artístico) apostei no empreendedorismo com ênfase na responsabilidade social e se notabilizou pelas ações de integração dos povos do Brasil e de Angola.
Meu trabalho foi reconhecido inclusive através de prêmios nacionais e internacionais recebidos em Nova Iorque, São Paulo e Luanda, por exemplo. Por isso, sou considerado um dos brasileiros que mais promoveram a integração do Brasil com Angolanas últimas décadas, por minhas diversas ações empresarias, profissionais, culturais e sociais.

JDR1 – Em que você se inspira para compor suas canções?
Rallie – Várias músicas do meu repertório são releituras de canções que estão no meu imaginário desde a infância. São composições ou interpretações de ídolos nacionais como Tim Maia, Paulo Diniz, Altay Veloso, Waldick Soriano e Benito de Paula, por exemplo, ou estrangeiros como Filipe Mukenga, Adélia, Amália Rodrigues, e Michel Jackson, entre outros, que, na minha intimidade eu cantava ao meu modo. Então, nas minhas versões procurei dar interpretação própria, algumas delas muito influenciadas pelo meu background adquirido nas minhas vivências no Brasil e na África, principalmente.

JDR1 – O que você acredita que seja fundamental para um excelente trabalho?
Rallie – Creio que seja fundamental buscar sempre apresentar um trabalho musical que seja atraente e inovador, mas sem perder a
minha identidade pessoal e a coerência desses anos todos de vida, tanto como profissional de comunicação quanto como humanista ou como empresário que atua com responsabilidade social. Na minha carreira artística, esta preocupação é evidente, por exemplo, quando nós lançamos o primeiro álbum em 32D do país. Em “Imersão 32D”,
além de um repertório variado e e bom gosto, a pessoa que usar fone
nos dois ouvidos vai encontrar músicas imersivas, cujos efeitos causam a sensação de que os sons estão sendo reproduzidos em diversas direções. Ao ouvir os áudios mixados com essa tecnologia, é possível sentir também o eco e a distância dos sons como se você estivesse em uma apresentação ao vivo.

JDR1 – Durante à pandemia, você mergulhou em sua essência musical. Quais foram as descobertas nesse período?
Rallie – Estou vibrando com o uso de elementos avançados da tecnologia aliados à boa música. Vamos dar vivas à tecnologia
e à alma que tem sede de flutuar, aquela que que não está presa ao empo nem ao espaço. Descobri que a privação de certas produções
previstas é incrementador da criatividade e impulsionador da busca de novos desafios, propiciando assim uma produtividade impensada.
Com a suspensão das atividades externas, houve a suspensão de shows programados para Portugal, Espanha e Angola nesses dois anos, mas em compensação montei um estúdio em casa, onde passei a gravar
meus álbuns e buscamos novas soluções de produção musical atentos ao cuidado de não haver perda de qualidade, o que nos levou a ir além do que conhecíamos, como foi o caso da utilização pioneira da tecnologia 32D.

JDR1 – Como foi gravar a música Um Sonho, ao lado de Gilberto Gil, que é considerado um dos maiores artistas do Brasil?
Rallie – Para o artista, não há dinheiro que pague o prazer de criar essa possibilidade de provocar alegria, felicidade e emoção nas pessoas. É um sonho em movimento. O próprio encontro no estúdio Ampera, em Salvador, foi um momento único e muito intenso. Foi um feito maravilhoso, pois é realmente um sonho concretizado registrar em disco uma parceria fonográfica com Gilberto Gil, o mais eclético de todos os cantores brasileiros

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Responsável pelo campeonato feminino de Rainbow Six, Dani Biase fala sobre a Copa Girls On Six

Girls On Six, projeto criado para abraçar o cenário feminino do jogo Rainbow Six, trazendo informações e conteúdos em relação as meninas que estão incluídas no mundo do game. A entrevistada desta edição é a dona de todo esse projeto e que toca o rumo para melhorar o cenário.
Daniele Biase, mais conhecida como Dani, tem 31 anos, mora em São Paulo e é formada em Comunicação na área de Rádio e TV. Dani se diz uma pessoa de sonhos e gosta de ver as pessoas felizes. O que ela mais admira nas pessoas são as risadas. Seu amor pelos animais rendeu inclusive uma tatuagem, na qual ela faz uma homenagem aos cachorros que estiveram presentes em sua adolescência. Ela os considerava como irmãos. No ano de 2020, ela perdeu seus dois dos três companheiros
da juventude e agora esse espaço são dos gatos, atuais companheiros.
Grande fã de músicas, escuta de tudo, sendo uma pessoa bem eclética. Independente do estilo, ela está curtindo de todas as formas e acredita que a musica tem o poder de transmitir mensagens e emoções, bem mais do que a fala.
Seu maior hobbie não é nenhuma surpresa e não poderia ser outro… Os games.
Dani joga desde que soube da existência do videogame, influenciada desde os 5 anos de idade pelos irmãos. Sendo uma apaixonada por jogos de campanha, tendo seus principais jogos favoritos Resident Evil, que joga desde os 7anos de idade, e mais recentemente The Last Of Us 2.
Em 2017, ela conheceu o Rainbow Six, onde tudo começou.
Para conhecermos melhor sobre a Girls On Six, Dani concedeu entrevista ao Jornal DR1, que acompanhamos a seguir.

Jornal DR1 – Como você conheceu o Rainbow Six Siege?
Dani – Conheci no ps4 em 2017. Meu namorado me apresentou e eu odiei. Justamente por eu ser da vibe de jogos de campanha, achava um absurdo um jogo só online sem uma gameplay solo. Cheguei a ir à Pro League daquele ano mesmo sem entender muita coisa. Foi no final que comecei a pegar gosto pelo game e entrei nesse mundo sem volta.
Jogava literalmente todos os dias com meus primos e amigos. Joguei alguns campeonatos amadores também por lá. No começo de 2020, migrei pro PC e comecei a conhecer o competitivo feminino. Na época, quase não achava informações. Era sempre muito difícil.
Cheguei a fazer testes em alguns times, mas nunca me senti confortável então resolvia não seguir.

Jornal DR1 – O que te motivou a criar a Girls On Six?
Dani – Justamente pelo motivo da pergunta anterior. Eu não via, não achava informações com facilidade sobre o competitivo feminino, nem a própria página oficial compartilhava o que estava rolando. Então, decidi eu mesma criar esse canal de comunicação porque sabia que possivelmente o que era um problema pra mim, era para outras pessoas também.

Jornal DR1 – Sabemos que a comunidade ainda tem muito preconceito. Quais os maiores desafios para você atualmente?
Dani – Acho que o maior desafio não só para as Girls, mas pro cenário em si, é justamente a aceitação pela comunidade, em grande parte machista.
O mais importante e principal é que as próprias meninas se unam se respeitem e se apoiem. O que infelizmente não tem sido fácil, mas já tem melhorado muito. Se isso acontecer o resto vira detalhe. Como diz a frase clichê, porém muito real “A união faz a força”.

Jornal DR1 – Como você se sente, ao fazer parte de um projeto que está incentivando o cenário feminino?
Dani – Às vezes penso a ficha não caiu ainda (risos). A grandeza de tudo e o que a GirlsOn-Six representa hoje para o cenário feminino, além do que tem conquistado é inenarrável.
Só gratidão por tudo a Deus e quem realmente apoia o projeto.

Jornal DR1 – A Copa Girls On Six é atualmente um campeonato que está abraçando o cenário feminino de Rainbow Six e chamando atenção justamente de meninas que não tiveram oportunidades de participar de um campeonato principal como o Circuito Feminino e poder ter o espírito de serem jogadoras profissionais. Você acredita que a copa pode entrar em outros jogos?
Dani – Não! A copa é para o Rainbow Six. Nunca pensei nem em criar página para outros jogos.

Jornal DR1 – Já tivemos a primeira semana da 2ª Edição da Copa Girls On Six. O que você está achando do campeonato para essa edição, e como está se sentindo diante a essa etapa?
Dani – Estou bem feliz com os resultados, tanto em dados quanto em repercussão e feedbacks positivos.
Começou superando minha expectativa. Chegamos a quase 400 espectadores na transmissão. O dobro da estreia da edição anterior
e sem ganks (envio de público para outra transmissão).
Outro ponto é que agora com o patrocínio importantíssimo da Intel, a minha responsabilidade com a copa triplicou. É um misto de ansiedade para tudo dar certo, com felicidade que tudo está dando certo.