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Com pandemia, entregadores de app têm mais trabalho, menos renda e maior risco à saúde

Por Sandro Barros

Ao reivindicarem melhores condições de trabalho nos serviços de entrega por aplicativos no dia 1º de julho, os trabalhadores que atuam no setor representaram as demandas de uma categoria que tem crescido em número e perdido qualidade de vida nos últimos anos. Realizando manifestações, os entregadores prometiam “parar” o serviço de entregas em boa parte do país, setor comandado principalmente por três empresas: iFood, Rappi e Uber Eats.

Tomando como base os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pode se confirmar a realidade das demandas da categoria: remuneração menor, jornadas longas e aumento de entregadores, principalmente pela migração de profissionais qualificados de outras áreas durante a pandemia. Junte-se a isso o alto risco de contágio pela covid-19 que os trabalhadores enfrentam durante as entregas.

Pesquisa realizada pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com outras instituições, aponta que, durante a pandemia os entregadores continuaram a enfrentar longas jornadas de trabalho, mas em condições que se tornaram piores: passaram a enfrentar um alto risco de contágio e adotarem medidas de precaução na maioria custeadas por eles mesmos, além de registrarem queda na remuneração pelos serviços.

Outro dado importante: levantamento feito pela plataforma de estudos e vagas no ensino superior Quero Bolsa, com base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), aponta que, em maio desse ano, 42 mil brasileiros com ensino superior (graduação e pós-graduação) se declararam como “entregador de mercadorias (de restaurante, de farmácia, de loja, aplicativo, etc.)”, o que representa 0,15% dos 27 milhões de brasileiros com ensino superior.

“Diversos profissionais foram afastados de seus respectivos empregos e tiveram que procurar outras fontes de renda para se sustentar. Uma delas foi a de entregador, seja diretamente com o estabelecimento ou através de aplicativos de delivery”, indica o levantamento.

Aumenta número de entregadores

O grande aumento de novos entregadores trouxe, como consequência, a redução das chamadas individuais para entregas. Então, para manter a remuneração, os entregadores passaram a trabalhar mais horas. Associado a isso, houve redução de períodos com tarifas dinâmicas e redução de oferta de prêmios.

Segundo os cálculos da Análise Econômica Consultoria, o percentual de pessoas que trabalharam para aplicativos de entrega ou transporte de passageiros representa 15% de todos os informais ─ aproximadamente 4,7 milhões de pessoas ─ até maio de 2020. Em 2019, os números eram de, aproximadamente, 26,2 milhões e 3,6 milhões.

Já quando se trata especificamente dos ciclistas e motoboys que fazem entregas, embora não haja dado preciso na Pnad, a estimativa é de que os trabalhadores de aplicativos de entregas de refeições eram 250 mil em 2019, mas até junho de 2020 já somam mais de 645 mil. Portanto, uma taxa de crescimento de aproximadamente 158% só até o primeiro semestre de 2020.

Foto: Reprodução

Perfil dos entregadores

Segundo pesquisa da BBC News Brasil, os homens se revelaram a maioria dos trabalhadores (94,6%); 83,9% se reconhecem como brancos ou pardos, com idades entre 25 e 44 anos (78,2%). Já 70,5% dos entrevistados disseram que trabalhavam para duas ou mais plataformas e, entre estes, 5,7% afirmaram estarem inscritos em quatro delas ─ iFood, Rappi, Uber Eats e Loggi.

A pesquisa apontou que mais de 57% dos respondentes afirmaram já trabalhar normalmente mais de nove horas diárias, percentual que subiu para 62% durante a pandemia. Durante a pandemia, 51,9% dos entrevistados afirmaram trabalhar os sete dias da semana, enquanto 26,3% deles, seis dias.

A maioria dos entrevistados (58,9%) relatou queda na remuneração durante a pandemia, quando comparado com o momento anterior. No universo de 270 respondentes, 47,4% declararam rendimento semanal de até R$ 520 ─ o que corresponderia a, aproximadamente, R$ 2.080 mensais. Destes, 17,8% declararam remuneração de até R$ 260 por semana, aproximadamente R$ 1.040 mensais. E, durante a pandemia, a parcela de entregadores que tem remuneração inferior a R$ 260 semanais praticamente dobrou, passando a compor 34,4% dos entrevistados.

57,7% dos entrevistados afirmaram não ter recebido nenhum apoio das empresas para diminuir os riscos de contaminação existente durante a realização do seu trabalho. A utilização de álcool em gel durante o trabalho foi a forma preventiva mais apontada pelos entregadores para evitar a contaminação, sendo adotada por 889% dos entrevistados; 74,8% indicou fazer uso de máscaras e 54,4% fazer entrega sem contato direto com os clientes.

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Bolsonaro sanciona MP da renda básica emergencial

O presidente Jair Bolsonaro sancionou, na tarde desta quarta-feira (1º), a Medida Provisória (MP) que cria uma renda básica emergencial de R$ 600 aos trabalhadores informais, autônomos e sem renda fixa, durante a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

A informação foi confirmada pelo ministro da Secretaria Geral da Presidência, Jorge Oliveira, em uma postagem no Twitter. A medida teve a votação concluída no Senado na segunda-feira (30) e agora será regulamentada por meio de um decreto.

O líder do governo no Senado Federal, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), informou que o texto sancionado por Bolsonaro contém três vetos, que ainda não foram publicizados pela Presidência da República.

A liberação dos recursos também depende da abertura de um crédito extraordinário no Orçamento federal. O pagamento será efetuado ao longo de três meses, com operacionalização pelas redes dos bancos públicos federais: Caixa Econômica Federal, casas lotéricas, Banco do Brasil (BB), Banco da Amazônia (Basa) e Banco do Nordeste (BNB), após o cruzamento de dados para definir quem tem direito ao benefício.

Pelas regras contidas no projeto de auxílio emergencial aprovado pelo Congresso, os trabalhadores deverão cumprir alguns critérios, em conjunto, para ter direito benefício, como não ter emprego formal; não receber benefício previdenciário ou assistencial, seguro-desemprego ou de outro programa de transferência de renda federal, com exceção do Bolsa Família; ter renda familiar mensal per capita (por pessoa) de até meio salário mínimo (R$ 522,50) ou renda familiar mensal total (tudo o que a família recebe) de até três salários mínimos (R$ 3.135,00); e não ter recebido rendimentos tributáveis, no ano de 2018, acima de R$ 28.559,70.

Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro anunciou novas medidas para enfrentar a crise gerada pela pandemia do covid-19, incluindo uma MP para ajudar as empresas na manutenção dos empregos. Serão liberados R$ 51 bilhões para complementação salarial, em caso de redução de salário e de jornada de trabalho de funcionários, e R$ 40 bilhões (R$ 34 bilhões do Tesouro e R$ 6 bilhões dos bancos privados) de crédito para financiamento da folha de pagamento. Os detalhes da medida serão informados pelo Ministério da Economia.

Com informações e foto da Agência Brasil