Categorias
Cultura Destaque

GRUPO AWURÊ FAZ CROWNDFUNDING PARA LANÇAR EP E CLIPE

O grupo Awurê lança entre o dia 16 de Outubro e 08 de Dezembro uma vaquinha virtual (https://benfeitoria.com/awure)  para arrecadar fundos e preparar o seu primeiro EP com seis músicas inéditas e videoclipe. Tocando ritmos africanos e brasileiros, o grupo formado por Fabíola MachadoArifran Jr., Anderson Quack e Pedro Oliveira resgata a ancestralidade e combate a intolerância com arte. Homônima ao nome do grupo e do EP, a música de trabalho é composição da cantora e compositora Teresa Cristina em parceria com Raul di Caprio. A estreia do grupo na indústria fonográfica conta ainda com uma canção inédita de Altay Veloso.

“Este EP será a consolidação de todo o nosso trabalho, desenvolvido ao longo desses quase três anos. É a convergência de toda forma de amor, emoção e a alegria gerada em nossos encontros, e um canto de luta e autoafirmação”, adianta Arifran. “Pretendemos levar para o nosso público a festa, os tambores, a celebração da beleza e da importante influência africana na construção da identidade cultural do nosso país”, pontua.

Contando com nomes de peso já no primeiro EP, o grupo entende essa sinergia como algo ancestral. “O reconhecimento pelo nosso trabalho nasce do alinhamento das energias ancestrais que nos trouxeram até aqui, resultando nesta linda arte do encontro e identificação. O grande Altay Veloso tem sido uma bússola pra gente. Um grande mestre que, além de apostar, acredita no nosso som e com isso nos têm dado o carinho necessário e todo o suporte profissional. Um padrinho!”, celebra.

O termo ioruba Àwúré faz menção e desejo de boa sorte, bênçãos e prosperidade. Constituído na pluralização oriunda por diversos estilos musicais como Samba, Ijexá, Jongo, samba de roda e toques de candomblé, o Awurê nasceu em janeiro de 2017, em Madureira, de um encontro despretensioso entre amigos músicos de diferentes influências, cuja trajetória se estabelece forjada na importância e na beleza de todo legado africano, onde o povo negro se sente pertencente a todo o processo. Desde então, além de uma roda de samba mensal no Quintal de Madureira, o grupo já se apresentou em espaços como Teatro Oi Casagrande, Teatro Rival, Teatro da UFF, Solar dos Abacaxis, Museu Capixaba do Negro, Prêmio Atabaque de Ouro, entre outros.

Categorias
Notícias do Jornal

Martin Luther King protagoniza vídeo do ‘História e Tu’

“I have a dream” (que na tradução significa, ‘Eu tenho um sonho’). A frase virou símbolo do movimento liderado por Martin Luther King 57 anos atrás, em Washington, capital dos Estados Unidos. A marcha pela igualdade ganhou proporção mundial e um vídeo especial no canal “História e Tu”, no YouTube, que aborda a vida de diferentes personalidades que marcaram o mundo.

Tudo começou quando a trabalhadora negra Rosa Parks retornava de casa para o trabalho no transporte público, num fim de tarde de 1955. Cansada e sem lugar disponível nos assentos dos fundos, que eram destinados aos negros, ela decidiu ocupar uma das vagas exclusivas para pessoas de pele branca. Foi presa, mas causou uma revolução.

O professor de História Danilo da Silva, fundador do canal “História e Tu” com a também professora do Ensino Fundamental Zilmar Nascimento, explica que foi Martin Luther King quem iniciou o movimento em favor de Rosa Parks. “Começou com um boicote à empresa de ônibus”. Ele esperava uma adesão de 60% dos negros, mas se surpreendeu, já que o apoio chegou a 100%.

Os 57 anos da marcha são contados no quadro de biografias no Canal “História e Tu”, no YouTube. Quem acessa o vídeo, conhece a vida do homem que defendeu os direitos do negro e do trabalhador.

Exemplo disso é o movimento mundial “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam, em tradução livre). O protesto contra a violência policial sobre os negros teve início após o caso George Floyd em maio deste ano. O homem foi asfixiado e morto durante uma abordagem policial em Minnesota, nos Estados Unidos

O Canal “História e Tu” já produziu mais de cinco mil horas de conteúdo retirados de pesquisas em livros, e roteirizados pela dupla de professores de História do Ensino Fundamental em Porto Velho – RO, Zilmar Nascimento e Danilo da Silva, que trabalham em uma escola Estadual.

Categorias
Alessandro Monteiro | Circuito Carioca

Sérgio Marone convida coletivo Resenha das Pretas para ocupar seu perfil no Instagram

Sérgio Marone decidiu abrir sua rede social para dar visibilidade ao movimento negro e periférico. O ator convidou o movimento formado por 12 mulheres periféricas, com trabalho dedicado à periferia e suas necessidades, o Resenha das Pretas.

Uma corrente virtual vem se avolumando nas redes sociais, artistas e figuras públicas, como parte de seu processo de aprendizado e compartilhamento com sua audiência se unem a personalidades negras que já vem fazendo trabalhos on e offline.

Quando?

Todas as quartas-feiras, no perfil @sergiomarone no Instagram

Categorias
Brasileiro com muito Orgulho Destaque

Conceição Evaristo

Por Alessandro Monteiro

 

Nascida em 1946 numa favela de Minas Gerais, hoje Conceição é um dos principais nomes da literatura afro-brasileira. Graduada em Letras pela UFRJ, trabalhou como professora da rede pública de ensino na capital fluminense.

Mestre em Literatura Brasileira pela PUC do Rio de Janeiro, com a dissertação ‘Literatura Negra: uma poética de nossa afro-brasilidade’ (1996).

Através de sua participação ativa nos movimentos de valorização da cultura negra do país, teve sua estreia na literatura em 1990, quando passou a publicar seus contos e poemas na série de Cadernos Negros.

De forma peculiar, é considerada uma escritora versátil, que cultiva a poesia, ficção e ensaios. Sua narrativa não-linear marcada por seguidos cortes entre passado e presente, seu livro ‘Ponciá Vicêncio’ teve ótima acolhida por intelectuais brasileiros.

Incluído nas listas de diversos vestibulares de universidades do país, o livro também vem sendo objeto de artigos e dissertações acadêmicas. Em 2006, Conceição Evaristo traz à luz seu segundo romance, ‘Becos da Memória, em que trata, com o mesmo realismo poético presente no livro anterior, do drama de uma comunidade favelada em processo de remoção.

Em 2011 lançou o volume de contos ‘Insubmissas Lágrimas de Mulheres’, em que, mais uma vez, trabalha o universo das relações de gênero num contexto social marcado pelo racismo e pelo sexismo.

Em 2013, a obra antes citada ‘Becos da Memória’ ganha nova edição, pela Editora Mulheres, de Florianópolis, e volta a ser inserida nos catálogos editoriais literários. No ano seguinte, a escritora publica ‘Olhos D’água’, livro finalista do Prêmio Jabuti na categoria Contos e Crônicas. Já em 2016, lança mais um volume de ficção: ‘Histórias de Leves Enganos e Parecenças’.

 

Foto: Reprodução

Doutora em Literatura Comparada na Universidade Federal Fluminense (UFF), com a tese ‘Poemas Malungos, Cânticos Irmãos’ (2011), na qual estuda as obras poéticas dos afro-brasileiros Nei Lopes e Edimilson de Almeida Pereira em confronto com a do angolano Agostinho Neto.

Nos últimos anos, três de seus livros, que continuam recebendo novas edições no Brasil, também foram traduzidos para o francês e publicados em Paris pela editora Anacaona.

Em 2017, o Itaú Cultural de São Paulo realizou a Ocupação Conceição Evaristo, contemplando aspectos da vida e da literatura da escritora. No contexto da exposição, foram produzidas as’ Cartas Negras’, retomando um projeto de troca de correspondências entre escritoras negras iniciado nos anos noventa.

Em 2018, a escritora recebeu o Prêmio de Literatura do Governo de Minas Gerais pelo conjunto de sua obra e iniciou uma campanha em favor da escolha de uma autora para ocupar a cadeira de número sete na Academia Brasileira de Letras (ABL). Mas, não era qualquer autora. Tratava-se de Maria da Conceição Evaristo de Brito, nossa Conceição Evaristo, a mais pura representação da voz negra feminina na Literatura Brasileira.

A campanha não obteve o esperado, perdendo a eleição para o cineasta Cacá Diegues. Porém, a escritora mineira de 71 anos segue na sua luta pelo reconhecimento das mulheres negras como produtoras de conhecimento. Afinal, ninguém melhor que ela para defender a literatura como um ato político!