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Ana Cristina Campelo | Seus Direitos Colunas Destaque Diário do Rio Notícias do Jornal

Os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável da ONU (Parte 2)

A gente continua falando dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Eles estão incluídos na Agenda 2030, proposta aos países membros como forma de pautar o desenvolvimento sustentável para os próximos 15 anos. Na última edição, listamos os seis primeiros objetivos e, agora, vamos listar os seis próximos.

07 – Energia acessível e limpa

Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia, para todos. Para a Agenda 2030, é importante não apenas que todas as pessoas tenham acesso à energia (atualmente, mais de 15% da população mundial não tem acesso à eletricidade), mas que a energia fornecida também seja limpa e barata, para não que não haja prejuízos ao meio ambiente durante a sua produção e também não haja dificuldades de acesso pelas pessoas de baixa renda e em situação de vulnerabilidade.

08 – Trabalho decente e crescimento econômico

Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos. Apesar de estarmos no século 21, violações aos direitos trabalhistas como o trabalho escravo ainda são uma realidade. Além disso, o desemprego é crescente, afetando principalmente os jovens sem formação. Para mudar esse cenário, a Agenda 2030 tem entre suas metas apoiar “o empreendedorismo, criatividade e inovação, e incentivar a formalização e o crescimento das micro, pequenas e médias empresas, inclusive por meio do acesso a serviços financeiros”.

09 – Indústria, inovação e infraestrutura

Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação. Para que esse objetivo seja alcançado, a Agenda 2030 prevê entre suas metas que os países aumentem os incentivos para as pesquisas científicas, o acesso à internet e também promovam uma maior democratização no acesso às novidades tecnológicas de produção, para que os países de menor desenvolvimento possam ter um crescimento na sua capacidade produtiva.

10 – Redução das desigualdades

Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles. Quando se fala em reduzir desigualdades, não se trata apenas de promover uma melhor distribuição de renda dentro das nações ou de romper com os privilégios comerciais de nações ricas em relação às mais pobres. Quando se fala em reduzir desigualdades, se fala, também, em estreitar os laços entre as pessoas que ocupam os territórios do planeta, sejam elas nativas ou imigrantes. A xenofobia é um problema grave, causador de diversas violências, e que faz com que várias pessoas se vejam marginalizadas e com menos oportunidades somente por serem de um território ou etnia diferente.

11 – Cidades e comunidades sustentáveis

Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Segundo a ONU, até 2030, haverá em todo mundo 41 megalópoles com mais de 10 milhões de habitantes. Porém, o ritmo atual de ocupação urbana, além de não ser inclusivo, pois nem todas as pessoas têm acesso à moradia, é extremamente desorganizado, o que faz com que nem todas as pessoas estejam alocadas em espaços inadequados, seja por serem áreas de risco de desabamentos e alagamentos, seja por sofrerem com a falta de saneamento básico, iluminação, entre outras condições de infraestrutura. Por isso, uma das metas da Agenda 2030 é que todos os países viabilizem uma urbanização inclusiva e sustentável, e a capacidade para o planejamento e a gestão participativa, integrada e sustentável dos assentamentos humanos, em todos os países.

12 – Consumo e produções responsáveis

Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis. No ritmo atual, consumimos muito mais recursos naturais do que deveríamos. Isso tem como consequência o fato de que, nos próximos anos, poderemos sofrer não só com a já temida falta de água, mas também com a falta de outros recursos, como alimentos, minerais, energia, etc. Pensando nisso, a Agenda 2030 estabelece como uma das metas “reduzir substancialmente a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso”.

É preciso um esforço conjunto, de países, empresas, instituições e sociedade civil para o cumprimento dos objetos. Um esforço de todos nós!

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Ana Cristina Campelo | Seus Direitos Colunas Destaque Diário do Rio Notícias do Jornal

Os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável da ONU (Parte 1)

Em 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) propôs aos seus países membros uma nova agenda de desenvolvimento sustentável para os próximos 15 anos: a Agenda 2030, composta pelos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Esse é um esforço conjunto de países, empresas, instituições e sociedade civil. Esforço de todos nós! Falaremos a seguir dos seis primeiros objetivos:

01 – Erradicação da pobreza

Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares. Para a ONU, a erradicação de todas as formas de pobreza é um dos maiores desafios para o desenvolvimento sustentável. Por isso, uma das metas presentes no Objetivo 1 da Agenda 2030 é que os países construam parcerias que viabilizem a mobilização de recursos para a criação de programas e políticas que erradiquem a pobreza em todos os sentidos, para que a população vulnerável possa ter condições mínimas de sobrevivência e seja possível reduzir à metade a proporção de pessoas que vivem em situação de pobreza.

02 – Fome zero e agricultura sustentável

Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável. Segundo a ONU, há mais de 500 milhões de pessoas em situação de desnutrição no planeta. Por isso, uma das metas do Objetivo 2 é que, até 2030, os países desenvolvam programas e políticas que possam dobrar a produtividade dos pequenos agricultores, incluindo mulheres e povos indígenas, de modo a aumentar a renda de suas famílias.

03 – Saúde e bem estar

Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades. Entre as metas do Objetivo 3 da Agenda 2030, estão não apenas a redução da mortalidade neonatal, da obesidade e a erradicação de doenças como o HIV, a tuberculose e a malária, mas também a conscientização quanto ao uso de álcool e drogas e o esclarecimento cada vez maior em torno da saúde mental e da importância do bem-estar psicológico e físico.

04 – Educação de qualidade

Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos. O Objetivo 4 envolve todos os níveis educacionais, desde a primeira infância até a vida adulta, e tem como de suas metas garantir que a educação seja viável para todas e todos, sem discriminação de gênero. Isso é importante pelo fato de que as meninas são as principais prejudicadas em seu desenvolvimento educacional, pois, em comparação aos meninos, a educação delas costuma ficar em segundo plano. Além disso, muitas são obrigadas a abandonar os estudos em função de casamentos e gestações precoces.

05 – Igualdade de gênero

Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. O Objetivo 5 está no centro das discussões atuais da sociedade. Assim, visando à erradicação de todas as formas de violência contra meninas e mulheres, a meta é viabilizar que elas recebam os mesmos incentivos e oportunidades educacionais, profissionais e de participação política que meninos e homens, bem como o igual acesso a serviços de saúde e segurança.

06 – Água potável e saneamento

Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento a todos. Segundo a ONU, a escassez de água afeta mais de 40% da população mundial. A Agenda 2030 prevê como meta uma gestão mais responsável dos recursos hídricos, incluindo a implementação de saneamento básico em todas as regiões vulneráveis e a proteção dos ecossistemas relacionados à água, como rios e florestas.

Para que todos esses objetivos se tornem realidade, é importante que haja parceria e cooperação entre as nações. Por isso, uma das metas é que os países ricos ajudem os que estão em desenvolvimento a “alcançar a sustentabilidade da dívida de longo prazo, por meio de políticas coordenadas destinadas a promover o financiamento, a redução e a reestruturação da dívida, conforme apropriado, e tratar da dívida externa dos países pobres altamente endividados para reduzir o superendividamento”.

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Síndrome de Burnout

A síndrome de Burnout é uma doença de cunho psicológico, que agride os trabalhadores quando estes sofrem pressão desproposital sobre eles no ambiente de trabalho, e ficam no limite de sua saúde mental e em esgotamento profissional, causando mal estar e doenças, as mais abrangentes possíveis.

 Um ambiente de trabalho hostil, onde o empregador abusa do seu direito para fazer com o que o empregado trabalhe além de suas forças físicas e mentais, faz com que o empregado adoeça frequentemente. E esta doença conceituada, apresenta a modalidade de uma  responsabilidade civil, que deve ser aplicada ao empregador.

 Uma vez configurado que o empregado sofreu ou sofre dessa doença ocupacional, é importante que ele procure não só ajuda médica, psicológica, psiquiátrica, como também seja afastado do trabalho para tratamento adequado da doença adquirida por conta da pressão que sofre ou sofreu em seu ambiente de trabalho.

 As doenças profissionais são aquelas que têm o trabalho, como a sua causa. São doenças típicas da atividade laborativa.

 Para diagnosticar que o trabalhador tem a síndrome de pânico, deverá ser realizada avaliação, por psicólogos ou psiquiatras, do paciente e dos sintomas observando a intensidade e a frequência que ocorre a síndrome.

 A síndrome de Burnout, como é conhecida em casos extremos, leva o trabalhador cometer suicídio, tal é o grau de ansiedade que fica este empregado por conta do assédio que sofre em seu ambiente de trabalho.

 A síndrome de Burnout pode atacar qualquer tipo de trabalhador, que trabalhe nas mais diversas áreas, bastando apenas que os fatores desencadeantes estejam presentes. E o maior fator desencadeante, como já dito, é a pressão e o ambiente de trabalho hostil.

 As atividades de alto nível de estresse também podem desencadear esta síndrome, se o empregador não souber como administrar, junto aos seus empregados, a ansiedade típica do ambiente de trabalho.

 As atividades que demandam alto nível de responsabilidade, de comprometimento, de prazo de entrega, e as atividades que lidam com as pessoas diretamente, essas são as que mais desencadeiam essa doença de cunho eminentemente psicológico.

E com o passar do tempo, além das consequências psiquiátricas, há também as consequências físicas, com o desenvolvimento de dezenas de doenças: cardiovasculares, diabetes, diminuição da imunidade e enfermidade gastrointestinais.

 A consequência social também vai além do indivíduo adoecer, pois ele se isola, o que causa também grande mal estar à família, aos próximos, aos vizinhos e à sociedade em geral, traduzindo- se em sofrimento familiar e social, para o trabalhador e sua família e refletindo graves prejuízos para a sociedade como um todo.

 O cansaço, o esgotamento emocional, a perda contínua de energia, o desgaste, a fadiga, a desumanização, a despersonalização, são principais características. E as atitudes negativas, irritação, insensibilidade para com os demais, tudo é parte do contexto inserido nessa síndrome perversa que acomete o trabalhador.

 Portanto cabe ao trabalhador, percebendo que está doente por conta do tratamento hostil, e que ocorre no seu meio ambiente do trabalho, socorrer-se de ajuda médica, psiquiátrica. E ainda: denuncie na delegacia regional do trabalho, acione a justiça, mas não permita que o empregador use dessas atitudes nocivas, prejudiciais, arbitrárias, que não pode mais ser tolerada no meio ambiente do trabalho.

 Trata-se de exigir do empregador a responsabilidade contratual, pelos danos causados ao empregado.

 Caracterizado o dano e o nexo causal poderá o empregado exigir uma indenização.

 Comprovada a culpa do agente baseado na negligência, na imprudência, na imperícia,

 Tal direito encontra-se, inclusive, amparado na Constituição Federal, que prevê o direito do trabalhador à indenização por acidente do trabalho contra o empregador, desde que ocorra em dolo ou culpa.

 Portanto, o empregado que se encaixa no acima relatado, é passível de ser qualificado como acidente do trabalho e portador de doença laboral, consequentemente também passa a ter direito de exigir de quem o lesionou uma indenização de responsabilidade civil pelos danos causados.

 A função social do contrato de trabalho tem por cunho constitucional a finalidade da proteção, a dignidade da pessoa humana, a promoção da paz e do desenvolvimento social, sem o qual não se pode pensar em uma sociedade mais justa e igualitária.

 Portanto cabe ao trabalhador não permitir que tal abuso lhe seja acometido, e caso esteja este trabalhador doente, lesionado, portador da síndrome de Burnout deve procurar ajuda médica, e deve acionar a justiça em busca de uma reparação a mais ampla possível,  a fim de que tais irregularidades não sejam mais acometidas.

 É educativo, profilático e inibidor.

 Fique de olho.

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Ana Cristina Campelo | Seus Direitos Colunas Destaque Notícias do Jornal

Direitos Humanos

Direitos humanos são os todos os direitos relacionados à garantia de uma vida digna a todas as pessoas. Os direitos humanos são direitos que são garantidos à pessoa pelo simples fato de ser humana. Assim, os direitos humanos são todos direitos e liberdades básicas, considerados fundamentais para dignidade. São direitos civis e políticos; direitos econômicos, sociais e culturais; direitos difusos e coletivos.

A Organização das Nações Unidas (ONU) classifica os direitos humanos como garantia de proteção das pessoas contra ações ou falta de ações dos governos que possam colocar em risco a dignidade humana.

Os direitos humanos incluem o direito à vida e à liberdade, à liberdade de opinião e de expressão, o direito ao trabalho e à educação, entre e muitos outros. Todos merecem estes direitos, sem discriminação.

O Direito Internacional dos Direitos Humanos estabelece as obrigações dos governos de agirem de determinadas maneiras ou de se absterem de certos atos, a fim de promover e proteger os direitos humanos e as liberdades de grupos ou indivíduos.

Declaração universal dos direitos do homem

Artigo 1.º Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Artigo 2.º Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra, origem nacional ou social, fortuna, nascimento ou outro estatuto.

Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.

Artigo 3.º Todas as pessoas têm direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 4.º Ninguém pode ser mantido em escravidão ou em servidão; a escravatura e o comércio de escravos, sob qualquer forma, são proibidos.

Artigo 5.º Ninguém será submetido a tortura nem a punição ou tratamento cruéis, desumanos ou degradantes.

Artigo 6.º Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento como pessoa perante a lei.

Artigo 7.º Todos são iguais perante a lei e, sem qualquer discriminação, têm direito a igual proteção da lei. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo 8.º Todas as pessoas têm direito a um recurso efectivo dado pelos tribunais nacionais competentes contra os atos que violem os seus direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei.

Artigo 9.º Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo 10.º Todas as pessoas têm direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública julgada por um tribunal independente e imparcial em determinação dos seus direitos e obrigações e de qualquer acusação criminal contra elas.

Desde o estabelecimento  das Nações Unidas, em 1945 – em meio ao forte lembrete sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial –, um de seus objetivos fundamentais tem sido promover e encorajar o respeito aos direitos humanos para todos, conforme estipulado na Carta das Nações Unidas: “Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta da ONU, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor do ser humano e na igualdade de direitos entre homens e mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla, … a Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações…”. Preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948.

Já se passaram 70 anos desde que líderes mundiais determinaram explicitamente quais direitos todos no planeta poderiam esperar e exigir simplesmente por serem humanos. Nascida do desejo de impedir outro Holocausto, a Declaração Universal dos Direitos Humanos continua a demonstrar o poder das ideias para mudar o mundo.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) foi adotada em 10 de dezembro de 1948.

Fique de olho!

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Ana Cristina Campelo | Seus Direitos Colunas Destaque Diário do Rio Notícias do Jornal

Maurina Pereira Carneiro: A Condessa que se fez jornalista (Parte 9)

Oito páginas iniciais somente, um editorial do Conselheiro Rodolsfo Dantas, seu fundador e muitas notícias e seções, entre elas as ‘Efemérides brasileiras’, assinadas pelo Barão do Rio Branco. Ela sempre reverenciando ao legado do finado marido, havia inaugurado, em janeiro de 1962, o busto Pereira Carneiro, de autoria de Egisto Bertozzi, na Praça Marechal Âncora, devido a sua ligação com a Panair do Brasil. Mas, o mesmo, foi posteriormente transferido para a Praça Luís de Camões, na Glória. E durante longos anos, a Condessa Pereira Carneiro dirigiu o JK tendo, como diretores, M.F.do Nascimento Brito, José Sette Câmara e Bernard Campos, além de Alberto Dines como editor-chefe. E sua equipe chegou a ter cerca de 400 repórteres e redatores no Rio, no Brasil inteiro e em várias capitais do exterior.

Na década de 1970, a Condessa Pereira Carneiro, além da direção do JB, voltaria à sua agitada vida social de outrora, figurando constantemente em colunas sociais, como as de Ibrahim Sued. Por exemplo, em 1974 seria uma das organizadoras – ao lado de Zoé Chagas Freitas, Carolina Nabuco, Tônia Carrero e Sara Kubitschek – do almoço vip que festejou os 80 anos da Dra. Berta Lutz. Mesmo ano em que ajudou o casal Adolpho Bloch a recepcionar a Princesa Alexandra da Inglaterra em sua visita à Guanabara, entre muitos outros acontecimentos.

A repentina morte da Condessa Pereira Carneiro ocorreu em Brasília, onde foi assistir à condecoração de seu genro, Manoel Francisco do Nascimento Brito, presidente do conselho diretor do “Jornal do Brasil”, com a Ordem do Império Britânico. D. Maurina morreu de uma parada cardiorrespiratória, no dia 6 de dezembro de 1983, no Centro de Reabilitação Sara Kubitscheck, em Brasília. Até hoje seu nome ecoa nas obras que fez e também sempre vivo na atuação da Banda Marcial Condessa Maurina Pereira Carneiro, que deixa a lembrança de seu nome – sugestivo perfil de graça nórdica e de destaque no âmbito social da metrópole nacional -, nunca esquecido. A Condessa praticamente viveu sua vida no ambiente apaixonante de jornal. E a imagem que ficou dela, seria da velha senhora no salão nobre do “Jornal do Brasil”, povoado de móveis e de quadros antigos, e num ambiente da mais perfeita austeridade, quando então, recordava fatos curiosos da sua existência, que foi cheia de lances extraordinários. E o que ela realizou, com a sua atividade, foi, antes de tudo, uma obra de amor. De fato, a Condessa Pereira Carneiro, injustamente esquecida nos dias de hoje, não só continuou, mas também engrandeceu a preciosa herança que lhe foi deixada. O nome de D. Maurina, atualmente é muito pouco conhecido do grande público, que ignora o grande poder (poder, sobretudo da proximidade com o poder) que, um dia, teve esta mulher em nosso país. E ela, que está sepultada no cemitério São João Batista (jazigo perpétuo da família, 85-A, Aléia 1) deixou a sua herança emotiva, as suas trajetórias, ainda vivas na história do jornalismo brasileiro!

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Maurina Pereira Carneiro: A Condessa que se fez jornalista (Parte 8)

E a Condessa Pereira Carneiro concretizaria em 1965, uma decisão antiga junto á sua diretoria, a de que o prédio da Av. Rio Branco não podendo mais conter a expansão da empresa, iria para o conglomerado que seria levantado no número 500 da Avenida Brasil. Um pouco depois, em 1967, uma nova inovação da Condessa Pereira Carneiro como diretora-presidente do JB: A “Revista de Domingo” seria impressa pela Bloch Editores (do Grupo Manchete) em rotogravura a quatro cores e integraria as edições dominicais do “Jornal do Brasil”, com todas as características de uma grande revista semanal. Em 1968, a Condessa apoiava um desfile de modelos exclusivos para o verão e que seria o ponto alto da inauguração da nova loja Eron (do empresário Eron Alves de Oliveira) da Guanabara, estado onde ela se destacava sempre como uma das grandes personalidades da vida social. No ano seguinte, ela estaria, ao lado de pessoas como o Prefeito Faria Lima, de São Paulo, a empresária Lucy Bloch (do império de comunicações Manchete), dos pintores Di Cavalcanti e Djanira, mais o médico Ivo Pitanguy, como homenageada no grande ‘Baile das Celebridades’ da Festa Nacional da Uva, realizada em Caxias do Sul.

Dos anos chamados de ferro, quando a ditadura imperava onipotente, aconteceu um episódio curioso. O militar Costa e Silva iria tomar posse poucos dias depois na presidência da República e, num jantar em sua homenagem, sentou-se ao lado da Condessa Pereira Carneiro. Matreira, a proprietária de um jornal que era vigiado pelos militares, por convicção ou simpatia, disse ao futuro presidente que ele poderia contar com a “oposição construtiva” do seu jornal. No que Costa e Silva respondeu em alto e bom som: “- Olha aqui, Condessa, do que eu gosto mesmo é elogio, viu?”. E ela se sentiu orgulhosa pois sabia que não houve um governante sequer, desde a Independência do brasil, que não demonstrasse diante da imprensa sentimentos de esperança, primeiro, cautela depois, e, em seguida, impaciência e irritação quando não se viam elogiados.

E sobre a batuta da Condessa Pereira Carneiro, o JB comemorou seus 80 anos em 1971, tendo conseguido o impossível: rejuvenescer a cada ano. O JB havia aparecido pela primeira vez na manhã de 09 de abril de 1891, quando o Brasil ainda se escrevia com z.

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Ana Cristina Campelo | Seus Direitos Colunas Destaque Diário do Rio Notícias do Jornal

Maurina Pereira Carneiro: A Condessa que se fez jornalista (Parte 7)

No ambiente, febricitante de atividades de D. Maurina, não se discutia modas, mas o preço do papel. Não se falava sobre a grã-finagem da qual ela pertencia, mas se discutia política, finanças, metas dos Presidentes da República, inflação, conquistas siderais, saúde, Era o universo da vida íntima de um órgão de imprensa, com os assuntos sendo examinados friamente, sem ternura e sem emoção, considerados apenas como notícias. E a Condessa Pereira Carneiro se sentia feliz, sendo o centro e a razão de ser daquele apaixonante microcosmo.

Nos raros momentos de devaneio da Condessa Pereira Carneiro, entretanto, contemplando habitualmente o retrato do falecido e ilustre marido que pendia da parede, mesmo por cima da sua mesa de trabalho, ela havia de se recordar, com saudade, do tempo passado e glorioso de sua vida como locomotiva social. Da Europa que conhecia, de ponta a ponta. Das excursões pelas ruínas gregas. Dos lagos da Itália. Do conhecimento pessoal que fez de Kemal Pachá, nos anos gloriosos da revolução turca. Tudo distante e quase esquecido já nos anos 1950 e 1960. Mas, diante dos seus olhos, a realidade atual não lhe era de forma alguma decepcionante. Afinal, ela atirou-se numa aventura arriscada e venceu. E o seu orgulho íntimo era satisfeito porque D. Maurina soube corresponder à confiança que nela depositou o marido, ao pedir-lhe que fosse a continuadora de sua obra. Em contrapartida continuava a ser a mesma mulher elegante de sempre e constantemente era marcada por esse adjetivo. Por exemplo, no casamento de Luís Fernando, filho do Senador Vitorino Freire, na Igreja da Candelária em 1961, foi elogiada publicamente por sua elegância na presença de dois ex-Presidentes da República, Marechal Eurico Gaspar Dutra e Juscelino Kubitschek de Oliveira; o que também ocorreria, naquele mesmo ano, no casamento de Maria Elisa, filha do Governador de Minas Gerais, José de Magalhães Pinto, o banqueiro dos banqueiros.

Em 1960, na Embaixada da Itália, o Encarregado de Negócios, Carlo Enrico Giglioli, entregava a alguns jornalistas cariocas as insígnias da Ordem do Mérito da República Italiana com que os agraciou o Governo da Itália. A Condessa Pereira Carneiro, como diretora do “Jornal do Brasil”, recebia a honraria no grau de comendadora. Em 1963, a Condessa Pereira Carneiro, ao lado de personalidades da vida intelectual brasileira, como o prof. Austregésilo de Athayde, o Dr. Luís Ferreira Guimarães e o Dr. Ivo Arruda, foram condecorados pela República Federal da Alemanha e as condecorações entregues a eles pelo Embaixador Gebhard Seelos. No ano seguinte, numa feliz sugestão da Condessa, o “Jornal do Brasil” e da sua estação de rádio, que já vinham premiando há quatro anos os melhores compositores brasileiros, D. Maurina entregou o prêmio a Tom Jobim. Baden Powell, Billy Blanco, Vinícius de Morais e outros foram premiados. Na crise de 31 de março de 1964, desconhecendo como toda a cidade o rumo imediato dos acontecimentos nacionais, o JB fervilhava. Em seu gabinete, a Condessa Pereira Carneiro permanecia atenta. Ao primeiro sinal de revolução ela deixou a residência e foi colocar-se na primeira linha de seu jornal. Não se escondeu ou fugiu de suas responsabilidades. Os ânimos esquentavam e pela tardinha um grupo de fuzileiros invadia o prédio, poucos (nem eles) sabiam ao certo a que interesses serviam. Tensão e angústia. Toda a direção, presente, insistia para que a Condessa se retirasse. O carinho inverteu as tradicionais regras da empresa capitalista, pois também redatores, repórteres e gráficos não mais apelavam: ordenavam à Condessa que não permanecesse lá. Ela não se dá por vencida, cede à imposição mas aplica um golpe: vai de andar em andar, correndo as salas e cumprimentando a todos. Nisso leva mais de duas horas, e ao sair comenta: “- Apesar de tudo consegui ficar mais um pouco aqui”. Esse episódio dava a conta de como ela era querida no jornal, pois todos o repetiam, quando recordavam os idos de março. Deixando os problemas jornalísticos para a direção ela não descuidava da empresa como um todo.

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Maurina Pereira Carneiro: A Condessa que se fez jornalista (Parte 6)

Um ano depois, em 1958, a recepção que o Embaixador Hugo Gouthier ofereceu à Imperatriz Soraya, em Bruxelas, foi um sucesso, como afirmava Luiz Lobo em sua coluna na revista Manchete. A Condessa Pereira Carneiro estava sentada, calma, ouvindo a orquestra tocar um samba, quando foi puxada pelo braço para o meio do salão. Era Assis Chateaubriand, que dizia em voz alta: “- Vamos, Condessa, vamos mostrar a essa canalhada toda como é que se dança um samba”. E deram um verdadeiro show no salão, o que mostrava o ecletismo social e artístico da velha dama. No ano seguinte, 1959, a Condessa Pereira Carneiro falava ao repórter Caio de Freitas, do grupo Manchete, sobre a modernização do “Jornal do Brasil”, conhecido nacionalmente como JB, o que foi tido como uma ‘bomba’ do momento e mereceu grande reportagem na revista. Sob sua direção, o “Jornal do Brasil” deixava de ser antiquado e graficamente pesado, para transformar-se, ainda na década de 1950, em um modelo para o moderno jornalismo brasileiro. Foi em 1953, que ela assumiu a direção do JB, após a morte do segundo marido, o Conde Ernesto Pereira Carneiro. Poucos anos após assumir o jornal, a condessa, assessorada pelo jornalista e escritor Odylo Costa, filho, presidiu uma reforma que envolveu a redação e o aspecto gráfico do jornal. Redatores hostis à máquina de escrever, habituados à pena, foram gentilmente mandados para casa, em muitos casos, sem perder seus salários. Essa mudança alterou a fisionomia do jornal, onde surgiu uma brilhante geração de repórteres e fotógrafos. Em pouco tempo, o veículo tornava-se sério concorrente em prestígio do Correio da Manhã. O Conde Pereira Carneiro, durante os três anos da enfermidade que o vitimou, recomendava sempre à sua esposa que seguisse o seu exemplo de trabalho e que, após a sua morte, o substituísse na direção das empresas às quais dedicou o melhor da sua inteligência. Assim, um mês depois do seu falecimento, numa comovida homenagem à memória do Conde Pereira Carneiro, D. Maurina assentou-se na cadeira – que era dele – e passou a dirigir o grande jornal que era o JB e a sua estação de rádio.

Bem humorada, mas enérgica, compreensiva, mas cônscia dos seus direitos, a Condessa Pereira Carneiro segurava as rédeas da administração de sua grande empresa jornalística com mão firme. Ela era a autoridade com ternura. Para os que não acreditavam em palavras nos anos 1950, lá estava para ser vista, em plena Avenida Rio Branco, no coração do centro do Rio de Janeiro, a impressionante obra que essa ilustre senhora já havia realizado, e continuava realizando. A sede antiga era no 110 da Rio Branco, num lindo edifício Art Noveou que já fora o mais alto da América Latina. O antigo prédio da firma, a seu mando, foi revolvido de alto a baixo, nova rotativa foi assentada, derrubaram-se paredes e construíram-se novos andares, instalaram-se maquinas modernas de todos os tipos, numa ânsia de renovação que já havia se convertido numa mística. E não somente o lado material daquele universo gráfico foi atacado. A revolução proposta pela Condessa tinha, igualmente, objetivos intelectuais, transformando, no reduzido espaço de cinco anos, um dos órgãos mais conservadores da imprensa brasileira num jornal vivo e moderno, igual, ou melhor, ao que havia de mais avançado no campo das realizações jornalísticas brasileiras. Entretanto, ela fazia questão de se omitir, em face de qualquer referência elogiosa ao seu esforço. Preferia transferir para os seus colaboradores os louros que por direito lhe cabiam pela esplêndida vitória. Dizia sempre que tudo era resultado de um trabalho de equipe e que requeria muita audácia. E ela não estava errada, mas a revolução jornalística toda era obra sua. Em vida, o Conde Pereira Carneiro interessava-se profundamente por tudo quanto se relacionasse com jornais e nas viagens frequentes que o casal fazia a Paris, nunca deixavam de visitar a redação dos grandes periódicos franceses, indagando, com umas curiosidades a quais não eram estranhos um vago sentimento de interesse pessoal, de todas as inovações que eram introduzidas na organização das empresas. Assim se informavam, com o mais contagiante entusiasmo, sobre os novos métodos de distribuição do trabalho, sobre os processos de coordenação entre a redação e a oficina, enfim, de todos esses pequenos, mas relevantíssimos detalhes, que faziam ou asseguravam a crescente e cada vez mais vertiginosa penetração da impressa no gosto do grande público. Quando o veterano “Jornal do Brasil” foi reformado por etapas e o começo havia sido com a aquisição de rotativa  nova e linotipos, estaria aparelhada a nova oficina e daí a redação seria enriquecida com valores novos. Passou então a sair o suplemento literário que se tornaria famoso desde o primeiro número.

Quem conversava com a Condessa Pereira Carneiro não poderia nunca imaginar que, sob aquela personalidade de senhora da alta sociedade, podia se ocultar um espírito dinâmico, organizador, aberto a todas as solicitações da moderna técnica jornalística. Quando assumiu a direção do jornal, as amigas das altas rodas passaram a procura-la em seu gabinete, convencidas de que haviam descoberto um novo ponto de reunião social, onde os potins’ fervilhassem e as futilidades da vida mundana de então obtivessem uma ressonância maior do que no ambiente acanhado das residências privadas. Puro engano. Em seu gabinete não se servia chá com torradas, mas apenas um cafezinho apressado. A mão que enorme brilhante (presente do Conde Ernesto) ornamentava não se apurava em gestos elegantes, mas se enrijecia em ‘shake-hands’ comerciais, através de sucessivas entrevistas com técnicos gráficos, com jornalistas e com corretores de publicidades.

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Maurina Pereira Carneiro: A Condessa que se fez jornalista (Parte 5)

Em 1941, um duro golpe para a Condessa Pereira Carneiro, em 11 de março falecia seu pai, Dunshee de Abranches, na cidade de Petrópolis. Ela se ausentaria uns tempos da vida social e retornando logo após e engajada no afã de preservar a memória do saudoso pai. E a Condessa estaria presente, em 1943, para receber a imagem de Nossa Senhora de Copacabana, oferecida ao Brasil pela Bolívia e desembarcada de trem na Estação D. Pedro II, sob a mira de muitos fotógrafos e repórteres. Em 1946 em diante passa a ajudar a Escola Santa Tereza, instituição mantida pela Ordem Terceira do Carmo da Lapa, que amparava cerca de 300 crianças. E naquele mesmo ano acontecia na Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, o casamento, que foi um acontecimento de excepcional relevo social, da srta. Leda Marina Marchesini, filha da Condessa Pereira Carneiro e enteada do diretor-presidente do “Jornal do Brasil”, Conde Ernesto Pereira Carneiro, com o sr. Manoel Francisco do Nascimento Brito, filho do Dr. José do Nascimento Brito e de d. Amy Avegno do Nascimento Brito, já falecida na ocasião.

Em 1955, no auge do poder e tendo a célebre e internacional colunista social Elza Maxwell como testemunha, a Condessa Pereira Carneiro, agora já viúva e evocando a terra do senhor do Bomfim, outorgava no consulado do Brasil em Nova Iorque, a “Ordem da Figa”, criada pelo prefeito de Salvador, Hélio Machado, para agraciar personalidades que prestavam serviços ao turismo da Bahia. No ano seguinte, a Condessa Pereira Carneiro seria condecorada com a comenda de Oficial da Ordem de Rubén Dario, pelo Embaixador da Nicarágua, Justino Sansón Balladares. D. Maurina era muito elegante e conhecida por essa particularidade desde a década de 1910, sempre usando chapéus o que tornaria uma de suas marcas registradas.  Em filme de Jacques Tati, nos anos 1950, um personagem dizia: “-Eu sou difícil de enchapelar!”. A Condessa, ao contrário, era facílima de enchapelar. Ficava muito bem de chapéu, como afirmava o colunista social Ibrahim Sued. E foi esse mesmo colunista que divulgou a presença da Condessa Pereira Carneiro, ao lado de personalidades como os casais srs. e sras. Álvaro Catão, Alfredo Tomé e Adlofo Graça Couto, mais a Princesa d. Teresa de Orleans e Bragança, na primeira missa de Brasília, celebrada em 1957 sob um toldo de lona verde, num altar tosco, e junto um Cruzeiro, distante seis quilômetros do aeroporto, recepcionados por d. Sarah e JK, mais Jango e o casal Israel Pinheiro. Durante a missa, um comentário da Condessa Pereira Carneiro a Alfredo Tomé: – “Mas que calor!”. Logo, chegaram ao local, atrasados, os índios convidados para a solenidade. No mesmo instante, Pedro Calmon, reitor da Universidade do Brasil, só acreditou na autenticidade dos índios depois de conversar com eles, por sugestão da Condessa. Os carajás foram então presenteados por JK com cocares, armas e calungas. JK ainda distribuiu esses presentes entre seus convidados mais íntimos como a D. Maurina, sendo flagrado mais pelos fotógrafos amadores que profissionais. Depois, no Rio de Janeiro, naquele mesmo 1957, a Condessa recepcionava, entre um grupo de diplomatas e de outras pessoas da sociedade (como o acadêmico Austregésilo de Athayde e o jornalista Herbert Moses), a Princesa Abida Sultaan, Embaixadora do Paquistão que retornava à capital.

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Maurina Pereira Carneiro: A Condessa que se fez jornalista (Parte 4)

Em 1923, durante as festas realizadas no dia 01 de Maio, do Trabalho, na Villa Operária Pereira Carneiro, e dedicadas a todos os empregados da firma do Conde, foi, após a missa celebrada na Capela da Villa pelo Revmo. Monsenhor Caspari Núncio Apostólico e D. Sebastião Leme, Arcebispo Coadjutor, inaugurado o retrato da Condessa Pereira Carneiro na escola que ali existia. A esse ato, discursou brilhantemente Coelho Neto, festejado homem de letras da época. Depois, em 12 de maio, a condessa ofereceu um almoço aos representantes dos estabelecimentos bancários daquela praça, quando a mesma pode levar os convidados e as autoridades para conhecerem a sua Fábrica de Tecidos S. Joaquim, para verem as instalações do dique lahmeyer, seguido das oficinas e estaleiros da Commercio e Navegação e por último ao Moinho Santa Cruz. Os Condes estavam muito felizes pois comemoravam quatorze anos de casados e as publicações da época o tinham como o distinto casal que tanto dignificava a família brasileira por suas belas e raras virtudes, e que tanto honravam o meio social em que viviam. Além das festividades do Dia do Trabalho eram famosas as festas do Natal da firma Pereira Carneiro. Ainda em 1923, o JB foi o primeiro a ousar a publicação de uma foto esportiva na primeira página, de um jogo Vasco e Flamengo.

Um ano depois, em 1924, o casal Pereira Carneiro, Condes da aristocracia vaticana, era homenageado com uma linda festa no América Hotel oferecida pelo coronel Ernesto Nascimento e senhora. Na década de 1920, além dos Pereira Carneiro (que sempre eram convidados para serem padrinhos de importantes e variados casamentos), figuravam nas colunas sociais os atos dos Srs. Condes Correia de Araújo também. Naquela década o auge eram as recepções oferecidas a autoridades diversas e personalidades mistas pelo casal de Condes, na residência Pereira Carneiro na Ilha da Conceição, quando sempre, os convivas posavam para fotográficas na conhecida escadaria da edificação. Em 1929 ofereceram lauto banquete a dois presidentes de estados progressistas brasileiros e em 1935 foram paraninfos da inauguração do novo Estabelecimento Balneário de São Lourenço, no sul de Minas Gerais, que foi considerado um dos melhores que existiam, não somente no Brasil, mas no mundo. Nesse mesmo ano, o Conde Ernesto, que dedicou parte da vida ao jornalismo, no JB e à divulgação da cultura, criava uma emissora de rádio sem finalidades lucrativas. Estava fundada a Rádio Jornal do Brasil.

A Condessa era, além do Conde, uma grande incentivadora de obras e de pessoas, como a soprano Eleonora Massot, filha do chefe militar Affonso Emílio Massot, que despontava na lírica nacional nos salões. D. Maurina era amiga íntima do poder e desfrutava da amizade de D. Darcy Sarmanho Vargas e também de Gabriella Besanzoni Lage, mecenas das artes e da cultura. Era moda ajudar, era moda incentivar os novos valores e os impulsionarem às posições destacadas em seus pódios. Isso em 1938, mesmo ano em que os Condes Pereira Carneiro propuseram esplêndida homenagem ao Interventor em São Paulo, Adhemar de Barros, no palacete residencial dos ilustres fidalgos em Botafogo. Apesar dessas proximidades, a Condessa Pereira Carneiro jamais se envolveu em questões políticas. Sua única e inflexível influência exerceu-se sempre ao apoio à Igreja católica. Era fato que a Condessa ia à missa todos os domingos e o “Jornal do Brasil”, quando em sob sua direção, jamais apoiou o divórcio. Já o Conde, era um apreciador moderado da política e foi deputado à Assembleia Constituinte do Distrito Federal em 1933 e à Câmara dos Deputados de 1935 a 1937.