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Queda de prédio, que vitimou um homem e uma criança, é mais uma na falta de organização e de políticas sociais do Rio

Da Redação

Não foi a primeira, e se continuar essa negligência da prefeitura do Rio de Janeiro, tende a não ter sido a última tragédia. A queda de um edifício de quatro andares no Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio, no último dia 3, é mais uma prova de que a ausência do poder público fiscalizando e trabalhando de forma correta, pode ser prejudicial à população da Cidade Maravilhosa, que sofre há anos com o descaso de governadores, prefeitos, deputados e vereadores, que só se aproveitam do povo na época de eleições.

A queda deixou dois mortos. Uma criança de três anos, identificada como Maitê, e o pai dela, Natan de Souza Gomes, de 30 anos, que morreram soterrados. Quatro pessoas ficaram feridas, entre elas a mãe da criança e mulher de Natan, Kiara Abreu, de 26 anos, que passou seis horas sob os escombros, e foram levadas a hospitais. O estado de Kiara permanece grave e instável. 

O construtor do local, Genivan Gomes Macedo, era o pai de Natan. Em depoimento à polícia, ele confirmou que a construção era irregular, há muitos anos. Genivaldo contou que o prédio foi levantado há cerca de 25 anos e foi construído o imóvel aos poucos, com ajuda de pedreiros. Não havia planta do prédio e nunca foi contratado pessoal especializado para a obra. Também não havia escritura, tratando-se de posse, o que mostra mais uma negligência da prefeitura em não fiscalizar.

E a queda acontece cerca de dois depois de um caso que aconteceu na mesma região, só que dessa vez na comunidade da Muzema. Em 2019, dois edifícios desabaram e deixaram 24 mortos. A Prefeitura do Rio de Janeiro, na época liderada por Marcelo Crivella, acusou a milícia local de ser a responsável pelas construções irregulares, e reconheceu a dificuldade de coibir a ação deles em determinados locais. Naquela ocasião, a Polícia do Rio chegou a três suspeitos de terem construído as edificações irregulares e decretou a prisão de José Bezerra de Lima, o ‘Zé do Rolo’, Renato Siqueira Ribeiro e Rafael Gomes da Costa. 

Mulher está em estado grave; filha e marido morreram. (Foto: Redes Sociais)

Investigações conduzidas chegaram à conclusão que não existia dúvidas que eles eram responsáveis pela construção e pela venda dos apartamentos. Porém, os edifícios – igualmente o de Rio das Pedras – foram construídos em área irregular e a fiscalização da prefeitura nunca interditou a região e este tipo de edificação. A alegação oficial do poder público é que “é muito difícil investigar e fiscalizar todas essas construções irregulares, uma vez que os órgãos responsáveis não possuem acesso aos locais”.

Como efeito de comparação no caso da Muzema, o condomínio Figueiras, onde estavam os dois prédios que desabaram, foi notificado diversas vezes pela prefeitura e pela Defesa Civil nos últimos 14 anos. Inclusive, segundo relatou a Prefeitura, o local já havia sido também interditado duas vezes, porém a venda de apartamentos seguiu normalmente. O questionamento feito foi porque não foram demolidos antes da realização da tragédia, que pode entrar como base também para uma mudança em relação ao déficit de moradias

Isto leva ao debate da falta de políticas sociais oferecidas por quem governa o Rio de Janeiro. Muita gente precisa morar em regiões mais distantes do Centro, onde está a grande parte dos empregos como um todo, porque não possui condições de estar mais próximo, em lugares, que por terem IPTU e aluguel mais caros, acaba tendo um pouco mais de fiscalização para construções. Além disso, faltam muitos projetos de moradias populares que as pessoas tenham acesso mais fácil, nos padrões regularizados, com preços que possam estar ao seu alcance. Este tipo de política seria totalmente profilática e serviria como uma maneira paliativa essas tragédias que em poucos anos já vitimou quase 30 pessoas na cidade. É claro que, as construções são feitas de forma irregular, porque os responsáveis sabem que não serão coibidos e vivem com a certeza da impunidade.

Prédio de quatro andares desabou em Rio das Pedras, zona oeste do Rio. (Foto: Tomaz Silva/ABr)

EDUARDO PAES GARANTE QUE NÃO TERÁ MAIS OBRAS IRREGULARES

No jogo de empurra-empurra, o prefeito Eduardo Paes foi pessoalmente até o Rio das Pedras ver o local acidentado e prestar suas condolências às famílias que sofreram com a queda. E  prometeu para a população do Rio de Janeiro, que enquanto ele estiver no comando da prefeitura da cidade, nenhuma obra dessa será mais feita. 

“Ninguém constrói mais nada irregular que a gente não derrube. Não construa, porque vai tomar prejuízo. O meu governo não deixa de fazer nada porque é área de milícia. Isso é desculpa pra quem não quer fazer nada. Estamos retomando os instrumentos de fiscalização nas áreas existentes”,  informou.

Na hora da tragédia, vozes governamentais sempre aparecem para mostrar força e poder. Vamos ver se a partir de mais uma tragédia, vão impedir pessoas de morrerem ajudando na construção de moradias populares e impedindo realmente esse tipo de edificação irregular. É difícil crer que algo vai mudar. Se a tragédia da Muzema não serviu de alerta, que essa de Rio das Pedras seja o ponto de partida para políticas sociais melhores. O Rio de Janeiro precisa.