O modelo conhecido como tráfico “formiguinha” tem sido adotado por facções no Rio como estratégia para driblar a fiscalização. A tática consiste em fracionar carregamentos de armas e drogas e enviá-los em pequenas quantidades, muitas vezes por ônibus interestaduais, reduzindo o risco de grandes apreensões.
Em uma ocorrência na rodoviária da capital, agentes do Batalhão de Polícia de Turismo prenderam uma mulher que transportava um fuzil e dois carregadores escondidos em malas. O armamento teria como destino uma comunidade da Zona Sul.
Dados do BPTur mostram que, em dez casos de transporte de armas no terminal, sete resultaram na prisão de mulheres. Considerando também drogas, foram 41 ocorrências, com 31 mulheres presas — cerca de 76% do total.
Um estudo publicado na Revista de Inteligência de Segurança Pública, ligada à Escola de Inteligência da Polícia Civil, aponta que 65% das mulheres presas entre 2019 e 2023 tinham entre 18 e 24 anos e baixa escolaridade. Muitas teriam sido recrutadas com promessa de ganhos entre R$ 1 mil e R$ 2 mil por viagem.
Especialistas avaliam que o uso de mulheres ocorre pela percepção de que despertariam menos suspeitas. As investigações indicam que a fragmentação das cargas mantém o abastecimento das facções e dificulta a identificação de grandes remessas.
Com o avanço da estratégia, forças de segurança reforçam o monitoramento em rodoviárias e postos de fiscalização, enquanto pesquisadores defendem políticas preventivas para reduzir o aliciamento de jovens em situação de vulnerabilidade.
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