Medida anunciada por Jorge Rodríguez inclui estrangeiros e opositores e é apresentada como gesto unilateral em busca de pacificação
O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira o início da libertação de um “número significativo” de presos por razões políticas, incluindo cidadãos estrangeiros e figuras da oposição. Segundo ele, as solturas começaram “a partir deste exato momento”, sem que o total de beneficiados tenha sido informado.
Entre os nomes mencionados estão a ativista Rocío San Miguel, presa em 2024 sob acusações de “traição à pátria, terrorismo e conspiração”, e o ex-candidato à Presidência Enrique Márquez. A lista completa dos libertados, no entanto, ainda não foi oficialmente divulgada.
A decisão marca as primeiras libertações durante o governo interino de Delcy Rodríguez, que assumiu temporariamente após a operação militar dos Estados Unidos, em 3 de janeiro, que resultou na captura do presidente deposto Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos estão detidos em Nova York, onde respondem a diversos processos judiciais, incluindo acusações relacionadas ao narcotráfico.
Gesto unilateral e apelo à paz
Em declarações à imprensa no Palácio Legislativo, em Caracas, Jorge Rodríguez afirmou que a medida foi tomada “para a convivência pacífica” e que não envolveu negociações com outras forças políticas.
— É um gesto unilateral do governo bolivariano — declarou. — Considerem este gesto, com sua ampla intenção de buscar a paz, como uma contribuição para garantir que nossa república continue sua vida pacífica.
Apesar de destacar o caráter unilateral da decisão, o presidente do Parlamento agradeceu a intermediação do ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do governo do Catar, que, segundo ele, atenderam prontamente a um pedido da presidente interina. Ainda assim, o grau de participação desses atores internacionais no processo não foi detalhado.
Contexto de crise política
O anúncio ocorre em meio a um cenário de forte instabilidade política e diplomática, após a intervenção norte-americana que levou à remoção de Nicolás Maduro do poder. A situação da Venezuela segue sendo acompanhada com atenção pela comunidade internacional, especialmente no que diz respeito aos direitos humanos e à situação dos presos políticos.
Organizações independentes apontam que o país mantém centenas de pessoas detidas por motivações políticas, enquanto o governo venezuelano historicamente nega a existência de prisões arbitrárias, afirmando que os detidos respondem por crimes comuns ou contra a segurança do Estado.
A expectativa agora é de que o governo divulgue novos detalhes sobre o alcance das libertações e sobre os próximos passos do processo, que pode sinalizar uma tentativa de distensão política em meio à crise institucional que atravessa o país.





