A democracia não se sustenta apenas no direito ao voto, mas na garantia de que todos, sem exceção, possam viver com dignidade, respeito e oportunidades reais. Os direitos sociais e a inclusão, muitas vezes tratados como pautas secundárias, são, na verdade, o coração pulsante de uma sociedade justa. E, nos últimos anos, temas como igualdade racial, de gênero, políticas para pessoas com deficiência, dentre outros, têm ganhado força no debate público, especialmente entre os jovens, que se mostram cada vez mais conscientes e engajados.
A atual Carta Política, em seu artigo 5º, afirma que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.” No entanto, a realidade brasileira ainda está marcada por desigualdades históricas e estruturais. O racismo, o machismo, o capacitismo etc, não são apenas atitudes individuais, são expressões de sistemas que excluem, silenciam e violentam milhões de brasileiros todos os dias.
Nesse cenário, o processo eleitoral se torna uma oportunidade decisiva para transformar indignação em ação. A Lei nº 9.504/1997, que rege as eleições, exige que os candidatos apresentem programas de governo, nos quais devem constar propostas para a promoção da equidade e da justiça social. Cabe ao eleitor, portanto, analisar com atenção: quais políticas públicas estão sendo propostas para combater o racismo institucional? Como os candidatos pretendem garantir a equidade salarial entre homens e mulheres? Que medidas serão adotadas para proteger os direitos da população e ampliar o acesso de pessoas com deficiência à educação, ao trabalho e à mobilidade?
Para completar, é fundamental observar o compromisso dos candidatos com a representatividade. A presença de mulheres, pessoas negras, indígenas, pessoas com deficiência nos espaços de poder, dentre tantos outros, não é apenas simbólica, é estratégica. A Resolução TSE nº 23.609/2019, por exemplo, estabelece cotas de gênero nas candidaturas proporcionais, mas a efetividade dessas medidas depende de fiscalização, financiamento justo e combate à violência política.
A juventude brasileira tem sido protagonista nesse processo. Nas redes sociais, nas ruas e nas urnas, jovens têm exigido um país mais plural, onde a diversidade não seja tolerada, mas celebrada. E essa energia precisa ser canalizada para escolhas conscientes, que priorizem projetos de inclusão, educação antidiscriminatória, políticas afirmativas e combate às desigualdades.
Em razão disso, ao se aproximar das eleições, é hora de olhar para além dos discursos genéricos. É hora de perguntar: esse candidato defende os direitos de todos ou apenas de alguns? Suas propostas incluem os que historicamente foram excluídos? Seu histórico condiz com suas promessas?
O Brasil que queremos começa com o voto que escolhemos. E um país verdadeiramente democrático só se constrói quando ninguém fica para trás.
Direitos sociais não são favores. Inclusão não é luxo. É justiça. E justiça se faz com coragem, consciência e compromisso.



