A economia não é apenas um gráfico em queda ou uma sigla técnica nos noticiários. Ela pulsa no carrinho de supermercado, no boleto que vence antes do salário cair, na busca por emprego que se estende por meses e até anos. Em tempos de incerteza global, com inflação persistente, desemprego estrutural e poder de compra corroído, o debate econômico se impõe como um dos pilares centrais do processo eleitoral. E o eleitor brasileiro, cada vez mais atento, quer mais do que promessas: quer planos, coerência e compromisso.
Segundo o artigo 14 da atual Constituição Federal, o voto é a principal ferramenta de participação política do cidadão. Mas votar com consciência exige informação. E, nesse sentido, compreender as propostas econômicas dos candidatos é essencial. A Lei nº 9.504/1997, que regula as eleições, determina que os programas de governo devem ser registrados junto à Justiça Eleitoral, permitindo ao eleitor avaliar, com antecedência, a viabilidade e a coerência das promessas feitas.
Contudo, o desafio vai além da formalidade legal. Em um cenário de desaceleração econômica global, alta nos preços dos alimentos, juros elevados e desigualdade persistente, os brasileiros querem saber: como os candidatos pretendem gerar empregos sustentáveis? Quais medidas serão adotadas para conter a inflação sem sacrificar os mais pobres? Como estimular o crescimento sem comprometer o equilíbrio fiscal?
A resposta a essas perguntas exige mais do que retórica. Exige conhecimento técnico, sensibilidade social e coragem política. A geração de empregos, por exemplo, passa por políticas públicas de incentivo à indústria nacional, apoio ao empreendedorismo, qualificação profissional e investimentos em infraestrutura. O controle da inflação demanda responsabilidade fiscal, mas também políticas de regulação de preços estratégicos e fortalecimento da produção interna.
Além disso, o poder de compra da população está diretamente ligado à valorização do salário mínimo, à redução da informalidade e à ampliação do acesso ao crédito com juros justos. O eleitor quer saber se o candidato defende uma política econômica voltada para o mercado ou para as pessoas — ou, idealmente, que saiba equilibrar ambos os interesses.
É nesse contexto que o voto se torna um ato de resistência e esperança. Resistência contra a naturalização da pobreza, da fome e da exclusão. Esperança de que é possível construir um país mais justo, onde a economia sirva à vida — e não o contrário.
Portanto, ao se aproximar o momento de decidir nas urnas, é preciso ir além da simpatia ou da ideologia. É preciso perguntar, comparar, cobrar. O eleitor não é consumidor de promessas: é protagonista de um projeto de nação.
Que cada voto seja um grito por dignidade. Que cada escolha seja um passo rumo a uma economia que respeite o povo. Porque o custo de viver não pode ser o preço de sobreviver.





