De Salvador para o mundo, o ator e diretor construiu uma carreira sólida marcada por personagens complexos, reconhecimento internacional e forte posicionamento social
Wagner Maniçoba de Moura nasceu em 27 de junho de 1976, em Salvador, na Bahia. Criado em uma família de classe média, teve contato com a arte ainda jovem, mas foi no teatro que encontrou sua principal forma de expressão. Graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), iniciou sua carreira artística nos anos 1990, integrando importantes grupos teatrais da cena baiana. Nos palcos, Wagner desenvolveu uma atuação intensa e comprometida, que rapidamente chamou a atenção da crítica e abriu portas para o audiovisual.
A projeção no cinema veio com atuações marcantes em filmes como Carandiru (2003), de Hector Babenco. No entanto, foi com Tropa de Elite (2007) e Tropa de Elite 2 (2010), de José Padilha, que Wagner Moura se consolidou como um dos maiores atores do país. Ao interpretar o capitão Nascimento, construiu um personagem emblemático, que extrapolou as telas e gerou intensos debates sobre violência, poder e instituições públicas. O papel lhe rendeu prêmios e enorme reconhecimento popular.
Na televisão, Wagner também construiu uma trajetória consistente, atuando em novelas, séries e minisséries como Paraíso Tropical, A Máquina, O Canto da Sereia e Amores Roubados. Seus trabalhos reforçaram sua versatilidade e capacidade de dar densidade psicológica a personagens complexos, transitando com naturalidade entre o drama, o suspense e o romance.
Projeção internacional e novos desafios
A carreira internacional ganhou força com a série Narcos (2015–2017), da Netflix, na qual viveu Pablo Escobar. A atuação em espanhol foi amplamente elogiada pela crítica internacional e consolidou seu nome no mercado global. Desde então, Wagner Moura passou a integrar produções estrangeiras e a expandir sua atuação artística para além das fronteiras brasileiras.
“Agente Secreto” e maturidade criativa
Entre seus trabalhos mais recentes, destaca-se a participação no filme Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho. No longa, Wagner Moura protagoniza uma narrativa marcada por tensão política, atmosfera de suspense e reflexão sobre poder e autoritarismo, elementos recorrentes na filmografia do diretor. A parceria reforça a maturidade artística do ator, que entrega uma atuação contida e profunda, alinhada ao cinema autoral brasileiro contemporâneo e bem recebida em festivais internacionais.
Em 2019, Wagner estreou como diretor no longa Marighella, reafirmando seu interesse por narrativas históricas e políticas. Reconhecido também por seu posicionamento público em defesa da democracia, da cultura e dos direitos humanos, o artista utiliza sua visibilidade como instrumento de reflexão social. Com uma carreira coerente, intensa e em constante evolução, Wagner Moura se consolida como um dos nomes mais influentes e respeitados do audiovisual brasileiro.



