Em 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou a Década Internacional dos Afrodescendentes (2015-2024), um esforço global para combater as desigualdades históricas e promover os direitos das pessoas afrodescendentes. Esta resolução surgiu como uma resposta à persistente discriminação racial e à marginalização de uma das maiores e mais significativas populações do planeta, que, por séculos, foi submetida a diversas formas de opressão. O objetivo era claro: promover a defesa dos direitos humanos, combater o racismo, reforçar a cooperação internacional e fomentar a participação plena das pessoas afrodescendentes em todas as esferas da sociedade.
A proposta da ONU foi recebida com grande esperança por muitas comunidades afrodescendentes ao redor do mundo, que viam nela uma oportunidade de transformação real. No entanto, a jornada de 2015 a 2024 foi marcada por uma luta contínua entre avanços graduais e desafios substanciais. Em muitas partes do mundo, especialmente no Brasil, a população afrodescendente ainda enfrenta enormes dificuldades em áreas cruciais como educação, saúde, mercado de trabalho e participação política.
A ONU propôs uma série de ações, entre elas, o fortalecimento de políticas públicas inclusivas, ações afirmativas em diversos setores e a promoção de uma educação mais igualitária. No entanto, ao final da década, muitos sentiram que essas ações não haviam sido suficientemente eficazes. A implementação das políticas foi irregular e, em muitos casos, esbarrou na resistência das elites políticas e econômicas, que, historicamente, se beneficiaram das desigualdades raciais.
Em uma pesquisa simples, ficou claro que a maioria dos afrodescendentes não sabia que estavam vivendo sob a égide de uma década dedicada à sua reparação e promoção. Isso reflete a distância entre os discursos e as ações concretas, revelando uma desconexão entre as promessas feitas pelos organismos internacionais e a realidade vivida pelas comunidades.
A falha da Década Internacional dos Afrodescendentes de 2015-2024 levou a um forte sentimento de frustração, com muitos ativistas e líderes clamando por uma mudança substancial na forma como as políticas raciais são abordadas. A nova resolução que estabeleceu a Década de 2025-2034 surge como uma tentativa de redirecionar o foco, mas com a lição de que a transformação verdadeira exige mais do que promessas vazias. Um século inteiro dedicado à reparação e inclusão afrodescendente poderia ser uma resposta mais adequada à profundidade das mudanças necessárias.