A prisão de Jair Bolsonaro foi mantida neste domingo (23) após audiência de custódia realizada por videoconferência. O ex-presidente havia sido detido no sábado (22), por decisão do ministro Alexandre de Moraes, que apontou risco de fuga e violação das medidas cautelares impostas no período de prisão domiciliar. A juíza auxiliar do STF responsável pela sessão confirmou a legalidade da prisão preventiva.
Durante a audiência, Bolsonaro admitiu ter manipulado a tornozeleira eletrônica. Ele afirmou ter enfrentado um episódio de “paranoia” entre sexta e sábado, provocado, segundo ele, pela combinação de medicamentos prescritos por médicos diferentes. Disse ainda não ter intenção de fuga e ressaltou que a cinta do equipamento não foi rompida. O ex-presidente relatou sono irregular e afirmou não lembrar de ter tido um quadro semelhante antes.
A ata da audiência registra que Bolsonaro disse ter acreditado que havia uma escuta no dispositivo e tentou abrir a tampa. A convocação de uma vigília pelo senador Flávio Bolsonaro também foi abordada. O ex-presidente afirmou que o ato ocorreu a cerca de 700 metros de sua casa e que isso não teria condições de facilitar qualquer tentativa de fuga.
Nesta segunda-feira (24), a Primeira Turma do STF inicia julgamento virtual para confirmar ou não a decisão de Moraes. Os ministros terão das 8h às 20h para registrar seus votos sobre a manutenção da prisão preventiva.
A defesa sustenta que a medida coloca a saúde do ex-presidente em risco e anunciou que recorrerá da decisão. Os advogados classificaram como “perplexa” a justificativa que relaciona a convocação da vigília à suposta tentativa de obstrução de medidas cautelares.
Bolsonaro permanece detido na Superintendência da Polícia Federal, no Distrito Federal. Segundo o STF, houve violação da tornozeleira às 0h08 do dia 22 de novembro. Em vídeo gravado pela policial penal Rita Gaio, o ex-presidente admite ter usado um ferro de solda no equipamento, alegando curiosidade. Embora a pulseira não tenha sido rompida, o Supremo considera que houve tentativa de manipulação.
A decisão também cita que manifestações organizadas por aliados têm sido usadas para gerar tumulto e dificultar fiscalizações judiciais, repetindo um padrão atribuído à organização criminosa pela qual Bolsonaro foi condenado. Em setembro, ele recebeu pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, mas a preventiva decretada no sábado não marca o início da execução da pena.
Outros investigados no mesmo esquema já foram condenados pelo STF, entre eles Alexandre Ramagem, Paulo Sérgio Nogueira, Augusto Heleno, Almir Garnier, Anderson Torres, Walter Braga Netto e Mauro Cid, que teve sua pena reduzida por colaborar com as investigações.





