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Taxistas teme perde trabalho após decisão da justiça de derrubar lei que permitia táxis com mais de 10 anos

Foto: Reprodução/TV
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Taxistas do Rio de Janeiro demonstraram preocupação nesta quinta-feira (29) após o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) suspender a lei municipal que autorizava a circulação de táxis com mais de 10 anos de fabricação. A decisão reacendeu o temor de desemprego entre os motoristas, que afirmam não ter condições financeiras de trocar de veículo para continuar trabalhando.

Em pontos de táxi de Madureira, na Zona Norte da cidade, profissionais relataram incerteza sobre o futuro da categoria. Muitos afirmam que, diante da dificuldade para financiar um carro novo, optaram por investir em reformas estruturais completas nos veículos, na tentativa de mantê-los em boas condições de uso.

A lei, aprovada pela Câmara Municipal e publicada em agosto de 2024, permitia a circulação de táxis com mais de 10 anos, desde que os veículos fossem submetidos a vistoria física anual, comprovando condições adequadas de conservação, segurança, conforto e funcionamento.

No entanto, a norma foi suspensa nesta semana por decisão judicial. Segundo os desembargadores, a liberação de veículos mais antigos pode representar riscos à segurança dos passageiros e impactos ao meio ambiente.

Investimentos e dificuldade financeira

Motoristas afirmam que os investimentos realizados foram elevados e, em muitos casos, parcelados. O taxista José Antônio Santos relata ter gasto cerca de R$ 25 mil em melhorias estruturais no veículo.

“Ao invés de gastar R$ 100 mil num carro zero, que não temos condição, gastamos R$ 20 ou 25 mil numa reforma estrutural para que o táxi tenha condições plenas de atender a população”, afirmou.

O também taxista Ricardo Barbosa contou que gastou aproximadamente R$ 11 mil em reformas recentes, incluindo motor e estofamento, valor parcelado no cartão de crédito.

Para alguns profissionais, a suspensão da lei pode representar o fim da atividade. Alexandre Figueiredo, taxista há 24 anos, afirma que o veículo garante apenas a subsistência da família.

“Se continuar isso aí, acabou meu trabalho. Tô desempregado, essa é a verdade”, desabafou.

Protestos e reivindicações

Na noite desta quarta-feira (28), cerca de 200 taxistas realizaram uma carreata no Aterro do Flamengo em protesto contra a decisão judicial. A principal reivindicação da categoria é a criação de uma linha de crédito específica para motoristas que utilizam veículos mais antigos.

Segundo os taxistas, programas de financiamento, como os oferecidos pela AgeRio, poderiam viabilizar a renovação da frota sem comprometer a renda dos profissionais.

Opinião dos usuários

Entre os usuários do serviço, a medida divide opiniões. O hoteleiro Paulo Cesar Conceição afirma que o estado de conservação do veículo deve ser o principal critério.

“Se estiver bem conservado, não tem problema pra mim”, disse.

Já a dona de casa Juçara Vargas prefere veículos mais novos, citando conforto e manutenção.

Até a última atualização desta reportagem, a Prefeitura do Rio não havia se manifestado sobre a situação dos taxistas.

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