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A Bíblia Como Ela É: Aser, filho de Jacó: prosperidade partilha e responsabilidade em tempos de excesso

Foto: Pixabay

Aser, um dos doze filhos de Jacó, carrega em seu nome e em sua história um significado que atravessa séculos e dialoga de forma direta com os dilemas dos dias atuais. Seu nome pode ser traduzido como “feliz” ou “abençoado”, e a bênção pronunciada por Jacó sobre ele é clara: “A sua comida será farta, e ele dará delícias reais”. Aser simboliza abundância, fertilidade e provisão. Mas, mais do que riqueza material, sua trajetória aponta para uma responsabilidade ética diante do que se tem.

Na tradição bíblica, a tribo de Aser ocupou uma região fértil, produtiva, conhecida pela qualidade de seus alimentos e do azeite de oliva. Era uma terra de recursos, de colheitas generosas. No entanto, essa abundância nunca foi apresentada como um fim em si mesma. A prosperidade de Aser estava ligada à capacidade de sustentar outros, de repartir, de ser fonte de bênção coletiva. Esse detalhe é essencial para compreendermos a analogia com o mundo contemporâneo.

Vivemos em uma era marcada por avanços tecnológicos, produção em larga escala e acesso a recursos como nunca antes na história. Nunca houve tanta informação, tantos bens e tantas possibilidades. Ainda assim, convivemos com desigualdade extrema, fome, solidão e esgotamento emocional. Assim como Aser, nossa geração habita uma “terra fértil”, mas frequentemente falha em transformar abundância em cuidado, partilha e justiça.

Aser nos provoca a refletir sobre o sentido da prosperidade hoje. De que adianta produzir tanto se poucos desfrutam? Qual é o valor de “delícias reais” quando elas não alcançam quem mais precisa? A narrativa bíblica nos lembra que a verdadeira bênção não está apenas em ter, mas em como se usa o que se tem. A fartura sem consciência se transforma em desperdício; a riqueza sem empatia gera um vazio.

Além disso, Aser também representa contentamento. Seu nome está associado à alegria, não à ambição desmedida. Em tempos de comparações constantes, redes sociais e uma busca incessante por mais — mais status, mais dinheiro, mais visibilidade —, Aser aponta para uma felicidade que nasce da gratidão e do equilíbrio. Ele nos ensina que prosperar não é acumular sem limites, mas viver com propósito.

Assim, Aser, filho de Jacó, ecoa como um espelho para os dias atuais. Ele nos lembra de que viver em abundância exige responsabilidade social, espiritual e humana. Em um mundo ferido por excessos e carências, sua história nos convida a transformar nossos recursos em pontes, não em muros; em cuidado, não em indiferença. Talvez seja justamente aí que reside a verdadeira felicidade que seu nome anuncia.

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