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Toda a adrenalina de John Wick 4 para quem ama cinema de alta voltagem em casa

Reprodução Internet
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Para os aficionados por cinema de ação que transformam a sala de estar em uma verdadeira sala de exibição, a busca por títulos que testem os limites do sistema de som e da resolução da TV é constante. Poucas franquias conseguem entregar uma experiência tão visceral quanto a saga do assassino aposentado mais famoso do mundo. Se você está procurando por John Wick 4 onde assistir , prepare-se para uma maratona de quase três horas que redefine o conceito de “espetáculo visual”. Este capítulo final não é apenas uma sequência de lutas; é uma carta de amor aos dublês e uma mistura ambiciosa de gêneros que vai do “Western Spaghetti” aos clássicos de samurai, tudo disponível agora no conforto do seu lar através do streaming gratuito e oficial.

O Marquês de Gramont: A face da arrogância burocrática

Enquanto os filmes anteriores focavam em antagonistas físicos ou chefes de máfia tradicionais, este quarto volume nos apresenta um tipo diferente de vilão: o Marquês de Gramont, interpretado com uma frieza calculista por Bill Skarsgård. Ele personifica a burocracia letal da Alta Cúpula. Diferente dos inimigos que partem para o confronto corporal, o Marquês luta com canetas, ampulhetas e decretos. Ele representa o sistema inabalável, aquele que possui recursos infinitos e que vê a honra e as regras antigas como ferramentas obsoletas a serem manipuladas.

A presença de um vilão que raramente suja as mãos cria um contraste fascinante com o protagonista, que está perpetuamente coberto de sangue e fuligem. Skarsgård constrói um personagem que o público ama odiar, com seus ternos impecáveis de corte francês e uma postura de superioridade intocável. A dinâmica entre ele e os assassinos que contrata expõe a hipocrisia do mundo do crime organizado retratado na série: enquanto os “operários” da morte seguem códigos de conduta estritos, os que estão no topo da pirâmide mudam as regras conforme a conveniência, aumentando a sensação de injustiça que move a trama.

A homenagem aos Samurais e a defesa de Osaka

Uma das sequências mais impressionantes, que merece ser revista várias vezes, é o cerco ao Continental de Osaka. Aqui, o diretor Chad Stahelski presta uma homenagem direta ao cinema japonês de Akira Kurosawa e aos filmes de Yakuza. A introdução do gerente do hotel, Shimazu (vivido pela lenda Hiroyuki Sanada), e de sua filha Akira (Rina Sawayama), traz uma nova dimensão ao combate: a mistura de armamento moderno com lâminas tradicionais e arco e flecha.

Ver arqueiros posicionados nos telhados do hotel disparando contra esquadrões táticos blindados da Alta Cúpula é uma imagem visualmente poética e brutal. A coreografia nesta seção do filme difere de tudo o que foi visto na franquia até então. O uso de espadas katana em corredores estreitos e a agilidade de Akira, que utiliza o próprio corpo e facas de escalada para derrubar oponentes muito maiores, adicionam uma variedade tática que impede que a ação se torne repetitiva. É o encontro do velho mundo guerreiro com a tecnologia militar moderna, resultando em um balé de destruição neon.

O caos motorizado no Arco do Triunfo

Se tivéssemos que eleger o momento de maior insanidade técnica da produção, seria a batalha no Arco do Triunfo, em Paris. Filmes de ação costumam ter perseguições de carro ou tiroteios a pé, mas raramente misturam os dois com tráfego real em movimento contínuo. A decisão de colocar os personagens lutando no meio de uma rotatória movimentada, com carros circulando em alta velocidade em um fluxo incessante de 360 graus, cria uma sensação de claustrofobia a céu aberto.

O que torna essa cena especial para quem assiste em casa é a percepção do trabalho dos dublês. Muitos dos atropelamentos e impactos vistos na tela são efeitos práticos. Os combatentes não precisam se preocupar apenas uns com os outros, mas com o ambiente hostil que se torna uma arma. Carros são usados como escudos, plataformas de salto e projéteis. A coordenação necessária para que dezenas de veículos e atores se movam em sincronia sem que ninguém se fira gravemente na vida real é um feito cinematográfico que, por si só, já vale o tempo investido na frente da tela.

O duelo ao amanhecer: A estética do Faroeste

Para o clímax da história, o filme desacelera drasticamente, trocando o ritmo frenético por uma tensão silenciosa digna de Três Homens em Conflito. A subida das escadarias de Sacré-Cœur, que funciona como uma metáfora para o mito de Sísifo (o esforço contínuo e exaustivo), culmina em um duelo clássico de pistolas ao nascer do sol. A escolha de resolver uma guerra global com um ritual antiquado de “um tiro por vez” é a cereja no bolo da narrativa.

Neste momento final, a direção de arte e a fotografia brilham intensamente. A luz dourada da manhã parisiense contrastando com as sombras da igreja cria um quadro quase religioso. A tensão não vem de quem saca a arma mais rápido, mas da estratégia e das regras do duelo (caminhar, virar, atirar). É uma mudança de tom corajosa, que substitui a quantidade de balas pela importância de um único disparo certeiro. Esse desfecho operático oferece um encerramento digno e emocional, provando que, mesmo no gênero de ação desenfreada, o silêncio e a espera podem ser tão impactantes quanto uma explosão.

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